Papelaria de mais de 80 anos entra no varejo direto com quiosque e projeta faturamento de R$ 19 milhões

Fonte: Redação

Depois de mais de oito décadas produzindo cadernos e papelaria para abastecer o varejo brasileiro, a Animativa decidiu dar um passo que, até pouco tempo atrás, não fazia parte do seu foco. Em novembro do ano passado, a empresa inaugurou seu primeiro quiosque próprio, no Shopping Iguatemi Rio Preto, no interior de São Paulo, e passou a vender diretamente ao consumidor final. O movimento marca a entrada da companhia no varejo direto, após uma trajetória construída quase integralmente no modelo B2B.

“O varejo próprio nos permite ouvir diretamente os clientes, entender seus desejos, captar tendências com mais agilidade e testar produtos, conceitos e experiências em tempo real”, afirma Djalma Nunes, CEO da Animativa.

Apesar da novidade, o negócio segue concentrado na venda para grandes atacadistas e pequenas e médias papelarias espalhadas pelo país. Os cadernos permanecem como o principal produto e concentram a maior parte do faturamento da empresa, que começou como a gráfica de um jornal local, fundada pelos irmãos José, Antônio, Pedro e Octacílio Boso em Itajobi, no interior de São Paulo, em 1944.

“A partir dessa iniciativa, os irmãos começaram a atender demandas locais, com a produção de receituários, notas, cartazes e folhetos, sempre em impressão tipográfica, geralmente em uma cor. Com o tempo, foram incorporando equipamentos como o linotipo e ampliando a capacidade produtiva, ainda de forma gradual e autodidata. Esse aprendizado prático foi a base sobre a qual a empresa se desenvolveu nas décadas seguintes”, diz Nunes.

Hoje, a Animativa conta com mais de 350 colaboradores e projeta produzir mais de 9 mil toneladas até o fim do seu ano fiscal. No exercício 2024/2025, o faturamento fechou em R$ 8,5 milhões. Para 2025/2026, a previsão é alcançar R$ 19,1 milhões em receita.

Média é Mais:

Segundo o CEO, esse avanço está diretamente ligado às mudanças internas dos últimos anos. A partir de 2020, a empresa iniciou um processo de profissionalização da gestão, com foco em governança, planejamento estratégico e decisões baseadas em dados. “Isso nos permitiu ganhar agilidade, clareza estratégica e preparar a empresa para crescer de forma consistente, sem perder a essência construída ao longo de mais de oito décadas”, afirma.

Além do educacional, que concentra a maior parte do faturamento, os segmentos corporativo e de entretenimento cumprem um papel complementar na estratégia da empresa. “Eles contribuem para diluir a sazonalidade do educacional, trazendo resultados ao longo de todo o ano, além de ampliar nossa presença em diferentes canais e públicos”, diz Nunes.

Mais recente na companhia, o segmento de entretenimento reúne produtos de papelaria com apelo lúdico, como cadernos, planners e itens de escrita criativa, além de coleções licenciadas de marcas como Disney e Ursinhos Carinhosos. São produtos voltados ao uso pessoal, à organização e ao consumo como presente, fora da lógica do material escolar tradicional. Nesse contexto, o quiosque passa a funcionar como uma ferramenta de apoio à estratégia, para acelerar testes de produtos, mix e precificação. “O quiosque não é apenas um canal de venda, mas uma ferramenta estratégica de aprendizado contínuo para a empresa”, afirma o executivo.

Para os próximos anos, a Animativa pretende avançar na expansão de canais e no desenvolvimento de novos produtos, mantendo o modelo B2B como base do negócio e usando o varejo próprio como fonte de aprendizado. “Quem consegue ser ágil, ouvir o mercado e ajustar rotas rapidamente tem mais chances de crescer de forma sustentável”, diz Nunes.

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