Panetone de R$ 6 mil? Confeiteiro por trás do doce viral explica preço e rebate críticas:

Fonte: Redação

A internet entrou em polvorosa nos últimos dias após o influenciador Lucas Rangel publicar um vídeo abrindo um panetone avaliado em cerca de R$ 6 mil. O item de luxo, recheado de exclusividade e polêmica, tem nome e sobrenome por trás de sua criação: Denilson Lima. O confeiteiro, que já atendeu nomes como Virginia Fonseca e Bruna Marquezine, costuma chamar a atenção com criações elaboradas nas redes, como o morango do amor de R$ 2 mil.

Aos 28 anos, o artista plástico e confeiteiro natural de Paraibano, no interior do Maranhão, vê seu nome viralizar mais uma vez. O “ouro comestível” do Natal encantou muita gente, mas também atraiu comentários negativos. “Não é sobre ter coragem de comprar um desse, é sobre ter dinheiro”, comentou um usuário. “Tanta gente passando fome, R$ 5 mil dá para matar a fome de muita gente”, criticou outro.

Mas, afinal, o que justifica um panetone custar o preço de uma moto usada? Em entrevista a PEGN, Lima detalha a composição do produto, a estratégia por trás do viral e os planos para o futuro de seu ateliê, que já conta com mais de 30 funcionários.

O que tem dentro do panetone de R$ 6 mil?

Segundo Lima, o produto exibido por Rangel não é apenas um pão doce fermentado. Trata-se de uma peça ultra-exclusiva, desenvolvida sob medida. “Vai frutas secas na massa, que é muito molhadinha. No recheio vai macadâmia, um caramelo especial feito com mel, e um creme de amêndoas trituradas”, revela o empreendedor.

Tudo é finalizado com chocolate belga e uma estética que lembra uma joia. “A confeitaria não é só um bolo decorado. É além disso, tem o processo artesanal, é muito trabalho. É realmente como se fosse uma obra de arte, literalmente uma obra de arte.”

O processo de criação de uma peça desse porte leva cerca de quatro dias de planejamento criativo pelo próprio confeiteiro, seguido por um dia inteiro de execução que pode envolver até 13 pessoas da equipe.

“O preço é alto em toda essa bagagem que eu carrego, em todo esse meu sentimento artístico. Não é fácil criar um chocotone desse. Quando eu sento para criar, eu realmente não posso resolver nada. Ninguém pode falar comigo”, explica Lima.

Ele argumenta que o valor não está apenas nos insumos importados ou na embalagem desenhada à mão, mas na experiência e na logística — que, em casos de bolos de casamento da marca, pode chegar a custar R$ 80 mil apenas pelo transporte e hospedagem da equipe.

A aposta de Lima no segmento ultra-premium reflete um movimento maior do setor, impulsionado pela busca por itens especiais e presenteáveis (giftability). Com o crescimento da procura por panetones especiais, o mercado de panetone — segundo levantamento recente da Abimapi/Kantar — cresceu 29,6% em valor entre 2024 e 2025, movimentando mais de R$ 1,2 bilhão.

O dado comprova que o brasileiro está disposto a pagar mais por produtos que entreguem experiência, saindo do tradicional para o gourmet — ainda que o salto para os R$ 6 mil seja um ponto fora da curva reservado a poucos.

“As pessoas precisam entender que eu não fiz isso para ganhar dinheiro. Eu fiz isso com o meu coração, com a minha arte, com toda a minha história que eu já vivi e por meio disso vira um negócio”, afirma.

Para Lima, a viralização e as críticas fazem parte do jogo, mas ele garante que não cria pensando no “hype”. “Eu não acredito muito em hype. Eu faço muito no que eu acredito”, diz. A estratégia, intencional ou não, funciona: em agosto, a demanda gerada pelos vídeos esgotou a capacidade de produção dos morangos do amor — e já limita os pedidos de Natal, que devem ser encerrados até o dia 15 de dezembro.

Para quem não tem R$ 6 mil para investir no doce, o ateliê em Pinheiros, São Paulo, oferece opções “de entrada”. A linha de panetones de chocolate começa em R$ 590 e pode ultrapassar os R$ 1.000, dependendo da personalização.

As vendas são feitas exclusivamente por WhatsApp, sem loja física aberta ao público, reforçando o ar de exclusividade. “Temos clientes que chegam e compram muito, compram muitas cestas. Tem cliente que chega e fala: ‘Eu quero presentear dez pessoas importantes com esses chocotones premium'”, conta.

Raízes simples

A trajetória de luxo de Lima tem raízes simples. Inspirado pelas mãos da avó paterna, Dona Pregentina, que fazia tradicionais bolos de macaxeira no interior do Maranhão, ele cresceu em meio às panelas. Lima deixou a cidade de Paraibano aos 19 anos em busca de novas oportunidades em São Paulo, cidade que considerava um terreno fértil para negócios.

Curiosamente, ele só ingressou de fato na confeitaria aos 24 anos, quando descobriu um talento que desconhecia: a pintura à mão. A virada aconteceu quando a influenciadora Helena Bordon compartilhou uma foto de um ovo de Páscoa artesanal pintado por ele, o que impulsionou seu nome no mercado de luxo.

“Sempre gostei de flores. Fazia algumas de açúcar, para o topo dos bolos, mas nunca tinha pintado à mão. Nem eu sabia que sabia pintar. Comecei com a tábua e depois fui para o bolo”, contou o confeiteiro em entrevista anterior a PEGN, há três anos.

A partir daí, o boca a boca entre a elite paulistana fez seu trabalho. Além de Bruna Marquezine — que recentemente recebeu os famosos “morangos de luxo” —, a lista de clientes inclui nomes como Silvia Braz, Thássia Naves, Carol Bassi, Roberto Justus e Marcos Mion.

Escola de confeitaria está nos planos

Cinco anos depois, o ateliê em Pinheiros ficou pequeno. “A gente mudou para cá recentemente, tem oito meses, e já temos que sair daqui porque a logística e o ateliê já estão pequenos. O negócio vai crescendo muito mais”, afirma.

Para 2026, os planos são ambiciosos e miram a democratização — ainda que parcial — da marca. Lima planeja abrir uma escola de confeitaria para ensinar suas técnicas e lançar uma linha de produtos para delivery. “Eu quero ter uma linha de produtos onde as pessoas consigam pedir via iFood. Mas que seja um produto que gere desejo, que as pessoas provem e sintam aquele gosto de infância”, projeta.

Enquanto a internet discute o valor do panetone, Lima segue focado em sua visão artística, ignorando os “haters” e atendendo a uma clientela que busca, acima de tudo, exclusividade. “Eu vejo que o meu doce transmite o que eu sinto para as pessoas. Então o preço vai junto”, finaliza.

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