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Mercado prateado cresce e abre oportunidades para empreendedores; veja dicas para abrir seu negócio

Fonte: Redação

A economia prateada está em alta. Números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 15,6% da população brasileira – ou 32,1 milhões de pessoas – têm mais de 60 anos. É um salto de 56% em relação ao levantamento de 2010, quando este grupo representava 10,8% (20,6 milhões).

Se por um lado o aumento da longevidade acende um alerta para a necessidade de políticas públicas, por outro abre oportunidades para quem quer empreender para esse público, que em 2022 movimentou R$ 1,07 trilhão, segundo levantamento do SeniorLab, empresa de inteligência de mercado e consumo 60+.

Vale ressaltar que os seniores têm uma renda mensal 28% maior que a média brasileira. Em 2022, eles contabilizavam um ganho de R$ 2.908, enquanto os números em nível nacional eram de R$ 2.272, de acordo com a aceleradora de negócios SilverHub, a partir de dados do IBGE e do GEOpop Home Renda.

Ao mesmo tempo, 60% da população brasileira sobrevivia com até um salário mínimo por mês no ano retrasado, aponta a Síntese de Indicadores Sociais 2023, do IBGE. “É pouco? É. Mas é renda. E isso movimenta o mercado”, ressalta Marilia Berzins, doutora em Saúde Pública e presidente do Olhe (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento).

Momento de transição

Projeções demográficas apontam um cenário propício para quem empreender com bens ou serviços para o nicho prateado: em 2031, as pessoas com 60 anos ou mais devem ultrapassar o grupo de 0 a 14 anos, realidade já identificada nos estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, aponta o SeniorLab.

A parte otimista do mercado vê esse público cheio de planos pessoais. “Estão mais hedonistas que seus pais e seus avós; querem alcançar o prazer de modo geral e ter boas experiências, seja comprando, seja usufruindo de algo”, diz Martin Henkel, fundador do SeniorLab e professor de Marketing 60+ na Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com reservas financeiras, eles não querem se tornar um “peso” para os filhos – situação que, inclusive, muitas vezes os desmotiva a fazer atividades ou passeios. Ainda assim, não medem esforços para auxiliar a prole. “A família é um bem precioso, pela qual se empenham para atender às necessidades”, pontua Berzins. Não à toa, levantamento do SPC Brasil de 2020 apontava que nove em cada dez brasileiros acima de 60 anos ajudavam financeiramente seus parentes.

Mercado plural

Com nascimentos em cinco décadas diferentes e tendo 37 mil centenários no Brasil, é difícil definir exatamente quem são os 60+. Layla Vallias, especialista na área e cofundadora do Data8, empresa de pesquisas com foco no público 50+, explica que filtrar os perfis é o melhor jeito de desvendar as muitas velhices.

O estudo Tsunami 60+, realizado em 2018 pelo Data8 e pela Pipe.Social, conseguiu chegar, de forma qualitativa, a três grupos que mudam o comportamento de consumo: a primeira geração da economia prateada é formada por quem tem de 55 a 64 anos; o segundo perfil inclui pessoas de 65 a 74 anos; e a última seleção envolve as acima de 75 anos.

A análise seguinte é do gênero, lembrando que homens e mulheres envelhecem de forma distinta e consomem de maneiras diferentes. O terceiro filtro tem a ver com o comportamento. Em 2022, foram identificados seis perfis: agregadores, autossuficientes, cuidadores, exploradores, sábios e em pausa (leia ao lado).

Mais uma avaliação importantíssima diz respeito à autonomia desse consumidor 60+. “Não adianta nada ele estar cognitivamente super ativo e ter dinheiro, mas ter uma doença que o incapacita”, exemplifica Vallias. Por último – e com bastante impacto – entra o filtro da classe social.

Plano de negócios

O nível de complexidade parece elevado, mas, quanto mais bem perfilado o público-alvo, mais assertivo será o plano de negócios e menores serão as chances de cometer equívocos ao empreender. “Fazer algo massivo pode ser um grande tiro no pé”, alerta a cofundadora do Data8.

A faixa etária mais aberta ao consumo de todo tipo tem entre 65 e 75 anos, observa Cristián Sepúlveda, especialista no mercado da longevidade, CEO e cofundador da Silver Hub: “Tem saúde, mais tempo livre, não ajuda os filhos financeiramente e se interessa em adquirir conhecimento e cultura e em viajar”.

Entre os empreendedores que focam na população longeva, muitas iniciativas surgem de vivências pessoais com algum familiar, após não encontrarem um serviço ou produto para uma demanda específica.

Há também os 60+ que identificaram oportunidades diante das suas próprias necessidades e hoje fazem parte do 1,9 milhão de donos de pequenos negócios contabilizados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2020.

Os seis perfis de pessoas 60+

  • Agregadores: Têm famílias maiores e vivem em lares multigeracionais. Movimentam os mercados de alimentação e de ferramentas de conexão.
  • Autossuficientes: Gerenciam a rotina, investem em alimentação, vestuário, cosméticos e tratamentos estéticos. Movimentam o mercado financeiro, de pets e de eletrônicos.
  • Cuidadores: Com grande potencial de consumo, integram a “geração sanduíche” (cuidam dos filhos e dos pais). Movimentam o mercado de alimentação; de beleza, cosméticos, higiene pessoal e medicamentos; de pets e de religião.
  • Em pausa: Aposentados, vivem sozinhos e são os que menos movimentam a economia, investindo em medicamentos e em vestuário.
  • Exploradores: Também se destacam pelo potencial de consumo, pois querem aprender habilidades e descobrir hobbies. Movimentam o mercado de alimentação; de beleza e cosméticos; fitness; e de entretenimento, esportes, viagens e relacionamentos.
  • Sábios: Gastam com conhecimento e conforto em casa e movimentam os mercados de alimentação, de eletrônicos, de entretenimento e de pets.

Veja como empreender por nichos

  • Cosméticos e procedimentos anti-idade
  • Cuidados com o corpo
  • Cursos
  • Educação financeira
  • Empreendedorismo
  • Gastronomia
  • Moda
  • Residenciais com serviços
  • Saúde preventiva
  • Atividades culturais e de socialização
  • Aplicativos antissolidão e de relacionamentos
  • Casas inteligentes
  • Cosméticos anti-idade
  • Cuidados com o corpo
  • Detectores de queda
  • Estimulação cognitiva
  • Moda
  • Saúde preventiva
  • Teleassistência
  • Turismo
  • Cuidados domiciliares
  • Cuidados paliativos
  • Estimulação cognitiva
  • Hipoteca reversa
  • Marketplace de serviços especializados
  • Mobilidade
  • Recursos terapêuticos com realidade virtual
  • Residenciais geriátricos

Fontes: Estudo Tsunami 60+, realizado em 2018 pelo Data8 e pela Pipe.Social, e Silver HUB

Raio-X dos 60+

Quem são — Foto: Fontes: Censo IBGE 2022; SeniorLab, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE; e Tsunami 60+
Quem são — Foto: Fontes: Censo IBGE 2022; SeniorLab, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE; e Tsunami 60+

O que consomem — Foto: Fontes: Censo IBGE 2022; SeniorLab, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE; e Tsunami 60+
O que consomem — Foto: Fontes: Censo IBGE 2022; SeniorLab, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE; e Tsunami 60+

Idosos nas regiões — Foto: Fontes: Censo IBGE 2022; SeniorLab, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE; e Tsunami 60+
Idosos nas regiões — Foto: Fontes: Censo IBGE 2022; SeniorLab, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE; e Tsunami 60+

Este texto faz parte da reportagem “Mercado Prateado”, publicada originalmente na edição de fevereiro de 2024 da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

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