Pesquisa do Sebrae, cuja metodologia foi feita em parceria com a ABDI, mostra avanço constante na incorporação de ferramentas digitais no dia a dia das empresas
Os pequenos negócios brasileiros estão cada vez mais conectados e orientados a usar dados na gestão do dia a dia. É o que aponta o Índice de Maturidade Digital dos Pequenos Negócios (IMD-PN), que registrou um crescimento de 10% nos últimos dois anos, saltando de 35 pontos em 2024 para 39 pontos em 2026 (em uma escala que vai de 0 a 80). Os dados fazem parte da Pesquisa de Maturidade Digital dos Pequenos Negócios 2026, realizada pelo Sebrae.
O estudo revela uma queda expressiva na proporção de empresas com baixa maturidade digital. O grupo de empreendimentos considerados iniciantes despencou de 17%, em 2024, para apenas 2%, em 2026. Por outro lado, a fatia de “Líderes Digitais” quase dobrou no período, passando de 5% para 9% das empresas no Brasil.
A maioria dos pequenos negócios (60%) agora se enquadra na categoria de “Emergentes”, que demonstra um avanço constante na incorporação de ferramentas digitais no dia a dia. Os dados mostram que a digitalização deixou de ser um diferencial de poucos e se tornou um requisito de sobrevivência para a maioria dos pequenos negócios.
“A pesquisa revela que o empreendedor brasileiro superou a barreira da conectividade e agora busca qualificação ativa para profissionalizar sua operação. O papel do Sebrae é facilitar esse caminho, oferecendo soluções online e gratuitas que caibam na rotina de quem precisa cuidar de todas as áreas do negócio ao mesmo tempo. É importante adotar novas ferramentas digitais, mas também conectar e engajar clientes, construir uma organização orientada aos dados e gerar mais valor para o negócio”, afirma Décio Lima, presidente do Sebrae.

MEI lideram expansão
Na análise por porte empresarial, as Empresas de Pequeno Porte (EPP) registraram a maior média de maturidade digital do país, com 46 pontos em 2026, seguidas pelas Microempresas (ME), com 43 pontos. No entanto, o destaque na aceleração do nível de maturidade ficou com os Microempreendedores Individuais (MEI).
Embora registrem a menor média absoluta (35 pontos), os MEI foram os que apresentaram o maior crescimento relativo no período (12%), impulsionados pela adesão a ferramentas digitais de atendimento, vendas por canais online e uso de mídias sociais para relacionamento com clientes.
Entre os setores econômicos, o Comércio lidera o índice nacional com 40 pontos, seguido de perto por Serviços (39 pontos) e Indústria (35 pontos). O setor de Serviços foi o que mais expandiu sua maturidade relativa nos últimos dois anos (12%).

Perfil e desafios
O estudo também aponta que os jovens de até 34 anos lideram o indicador de maturidade digital, alcançando 44 pontos. O desempenho é 18% superior ao registrado por empreendedores com 65 anos ou mais (37 pontos). No aspecto da escolaridade, empreendedores com pós-graduação atingiram a pontuação máxima por perfil (45 pontos), enquanto aqueles com até o ensino fundamental completo somaram 35 pontos (uma diferença de 28%).
O Rio Grande do Norte (RN) conquistou a liderança no Brasil, com uma pontuação de 42 pontos. O estado do Amazonas (AM) aparece em segundo lugar, registrando 41 pontos, seguido por São Paulo (SP) na terceira colocação, com 40 pontos.
No recorte por macrorregiões, o Sul e o Sudeste empatam no topo, ambas com 39 pontos de média. Contudo, o Sudeste registrou a maior taxa de expansão do país entre 2024 e 2026, com um crescimento de 13%, um ganho de 4 pontos no índice.
O grande desafio indicado pela pesquisa está nas vendas diretas e na cooperação. A venda por plataformas digitais/e-commerce e o desenvolvimento de produtos em cooperação com startups ou centros tecnológicos permanecem entre os quesitos com menor pontuação do levantamento.





