A necessidade é, comprovadamente, a mãe da inovação — e, no caso de Cássia Dillem, foi exatamente o instinto materno que deu origem a um negócio promissor. Em 2013, a empreendedora capixaba enfrentava um dilema comum a muitos pais: como garantir a segurança da filha pequena, Lara, na água sem causar desconforto?
“A minha filha não gostava das boinhas de plástico. Elas incomodavam e assavam os bracinhos gordinhos dela”, relembra Dillem. Formada em moda e com domínio das técnicas de costura, ela decidiu buscar uma solução própria.
A primeira “prototipagem” foi caseira e criativa: Dillem cortou tubos de polietileno (os populares “macarrões” de piscina) em tamanhos proporcionais ao corpo da bebê e os costurou diretamente em um maiô. O resultado foi imediato: “A Lara flutuou e ficou muito feliz”.
Do protótipo ao mercado
O que começou como uma solução doméstica logo despertou o interesse de outros pais em clubes e praias. Percebendo o potencial comercial, Dillem agiu com visão estratégica. Antes de iniciar a produção em larga escala, buscou o registro de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 2015.
Nascia assim a Titibum, uma marca de roupas flutuantes que oferece um diferencial importante em relação aos acessórios tradicionais. Diferente das boias de braço, que podem limitar o movimento ou escorregar, o traje da empresa é uma peça única que mantém os flutuadores posicionados no peito e nas costas. “O empuxo faz a criança flutuar para cima, sem o risco de virar”, explica a empreendedora. Além da segurança, o traje oferece proteção UV e possui um sistema de aprendizado gradativo, onde os flutuadores podem ser removidos conforme a criança ganha confiança no nado.
Com um investimento inicial de R$ 15 mil, Dillem estruturou a produção que hoje atende crianças de 1 a 8 anos. Atualmente, a Titibum apresenta um faturamento mensal médio de R$ 50 mil, com peças vendidas a partir de R$ 189. A distribuição ocorre tanto por canais próprios na internet quanto por lojistas revendedores.
Mesmo sem a exigência de certificação compulsória pelo Inmetro para este tipo de produto, a empreendedora optou por realizar testes com engenheiros técnicos para garantir o respaldo de segurança da marca.
O sucesso com o público infantil abriu portas inesperadas. A Titibum está expandindo sua linha para o público adulto, com uma produção inicial de 1 mil peças. O projeto já atraiu a atenção do setor público: o governo da Bahia utilizará os trajes flutuantes de Dillem como ferramenta para o ensino de natação para adultos.
Para Dillem, o segredo do sucesso está na conexão direta com a “dor” do cliente, que ela conheceu na pele. “Minha criatividade vem da necessidade. Mãe é bicho inovador; a gente se vira nos 30 para suprir uma lacuna do mercado”, finaliza.
Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:
Empreendedora cria roupa flutuante infantil para tornar o lazer na piscina mais seguro







