MadeiraMadeira, Tembici e SumUp demitem; Traive capta US$ 20 milhões: os destaques da semana no ecossistema

Fonte: Redação

Falta pouco para curtir o Carnaval — ou aproveitar o feriado para descansar, se você não é do tipo folião. Mas enquanto o alalaô não começa, que tal ficar por dentro das principais notícias do ecossistema de inovação nesta semana?

Há quem diga que o ano só começa depois do Carnaval, mas as startups parecem já ter iniciado o período de reestruturação. Nesta edição da newsletter, você ficará sabendo mais sobre as demissões anunciadas em MadeiraMadeira, Tembici e SumUp.

Por outro lado, a semana também contou com a divulgação de aportes de diferentes estágios, desde a captação de US$ 20 milhões pela Traive, de crédito agrícola, até os investimentos conquistados por equity crowdfunding de Lovin’ Wine e Solar Bot.

100 Startups to Watch é a newsletter de Pequenas Empresas & Grandes Negócios que leva a você as notícias mais relevantes do ecossistema de inovação.

Demissões

Tembici. A startup de bicicletas compartilhadas reduziu o quadro de funcionários na América Latina, dispensando 6% dos colaboradores das operações no Brasil, Chile, Argentina e Colômbia, o equivalente a 70 pessoas. Em nota, a empresa afirmou que a decisão pelo desligamento foi tomada para reestruturação das “atuais necessidades e prioridades da companhia”. Há um ano, a Tembici conquistou um investimento de R$ 160 milhões do BNDES.

MadeiraMadeira. O unicórnio brasileiro de varejo online de móveis e itens de decoração demitiu aproximadamente 10% do quadro de funcionários. Segundo comunicado, o movimento visa preparar a MadeiraMadeira para a próxima fase de crescimento de forma “eficiente, segura e alinhada aos objetivos estratégicos da empresa”. Além da demissão e realocação de funcionários, a reestruturação contou com a entrada de executivos na liderança. A reformulação dos cargos foi feita para “criar uma organização mais ágil e focada, visando mitigar redundâncias”, diz o comunicado.

SumUp. A fintech inglesa de maquininhas de pagamento realizou o desligamento de 43 pessoas da operação brasileira. Em nota, a empresa declarou que a reestruturação foi feita “por conta da realocação de recursos para o time de engenharia e produto” para fortalecer o ecossistema de soluções da startup. Questionada sobre as áreas afetadas, a fintech não respondeu.

Aportes

Traive. O Banco do Brasil liderou o investimento de US$ 20 milhões na startup que utiliza inteligência artificial para conectar o crédito agrícola ao mercado de capitais. O aporte foi feito por meio do Fundo BB Impacto ASG, gerido pela VOX Capital, com coliderança da Astella e a participação de investidores que já estavam no captable da startup. Com sede nos EUA, a Traive opera no Brasil com produtos financeiros para o agronegócio, permitindo que indústrias, cooperativas e produtores rurais acessem recursos de que precisam para crescer.

Cogtive. A startup que utiliza IoT, digital twins e inteligência artificial para aumentar a produtividade das indústrias de manufatura recebeu um investimento seed de R$ 10 milhões da Indicator Capital. O aporte será direcionado para a área de produto e para expansão comercial. A Cogtive foi uma das 100 Startups to Watch em 2023.

Vertown. A startup de rastreamento de resíduos da cadeia produtiva atraiu dois fundos Corporate Venture Capital, recebendo um aporte R$ 7 milhões. A tese da Vertown conquistou a ArcelorMittal e a Irani, que passaram de clientes para investidoras da startup. O dinheiro será utilizado para acelerar o crescimento e aprimorar o software para se tornar um “one-stop-shop” do segmento. A Vertown foi uma das 100 Startups to Watch 2022.

MOVE. A startup de soluções para recarga de veículos elétricos foi a escolhida para receber o primeiro investimento do fundo Copel Ventures I, criado pela Copel para aportar em energytechs, no valor de R$ 3,5 milhões. A MOVE tem uma plataforma de gestão de carregadores com softwares para os condutores e para os donos dos pontos de recarga. Em 2022, a startup passou pelo programa de inovação aberta Copel Volt e desenvolveu uma parceria com a corporação.

FUNSES. O Fundo de Investimentos em Participações com recursos do Fundo Soberano do Governo do Espírito Santo (FUNSES1) anunciou o investimento em quatro startups: Multifidelidade (R$ 800 mil), NaPorta (R$ 600 mil), Conecta (R$ 400 mil) e Frota 162 (R$ 800 mil), com investimento total de R$ 2,7 milhões. Gerido pela TM3 Capital, o fundo tem R$ 250 milhões para aportar. Nos últimos 18 meses, investiu R$ 37 milhões em startups brasileiras.

Lovin’ Wine. A startup de vinhos e espumantes em lata concluiu a captação por equity crowdfunding levantando pouco mais de R$ 1 milhão. 310 investidores participaram da rodada, realizada pela plataforma Captable. O capital será destinado para ampliar a presença dos produtos da marca – que é nativa digital – em pontos de venda de varejo em todo o Brasil.

Solar Bot. A startup que desenvolve robôs para limpeza de painéis solares sem o uso de água também encerrou a captação por equity crowdfunding, conquistando R$ 625 mil pela plataforma EqSeed. A Solar Bot precisou abrir um lote adicional durante o processo por causa da demanda de investidores, superando os R$ 500 mil iniciais que esperava captar. Os novos recursos serão destinados para pesquisa e desenvolvimento (P&D) e em estratégias de go-to-market neste ano.

De olho nos números

A Sling Hub divulgou nesta quinta-feira (8/2) o primeiro levantamento de 2024. Foram realizadas 30 rodadas no Brasil em janeiro, totalizando US$ 305 milhões. Na comparação ano a ano, houve queda de 32% na quantidade de deals, mas o valor aportado cresceu 40%.

Um dos destaques foi a captação da Série B da Conta Simples, de US$ 41,5 milhões. Segundo a Sling Hub, o estágio com mais captações no Brasil foi o seed, com nove rodadas em janeiro.

Ampliando o olhar, o mercado latino-americano de inovação realizou 52 rodadas, levantando US$ 438 milhões. É uma queda de 8%, em comparação com janeiro de 2023. O Brasil representou 70% do volume investido na região e 58% da quantidade de rodadas. Em seguida, vieram Argentina (com US$ 55 milhões captados, um crescimento de 441% em relação a 2023) e Chile (US$ 48 milhões levantados, 5% a menos do que em 2023).

O que esperar de 2024

A Bossa Invest lançou nesta semana um relatório que analisa o mercado de venture capital em 2023 e indica tendências para este ano. Em retrospectiva, a gestora apontou como as dificuldades do cenário pós-pandemia resultaram em queda nos investimentos, demissões em massa e busca por um equilíbrio das contas devido à escassez de capital.

Além disso, a quebra do Silicon Valley Bank, em março, e o ambiente geopolítico complexo por causa das guerras entre Ucrânia e Rússia e Israel e Hamas ocasionaram mais instabilidade para o investimento de capital de risco.

O Brasil, principal mercado de inovação na América Latina, teve redução de 57% nos investimentos, segundo dados do Distrito utilizados pela Bossa Invest.

Para este ano, a expectativa da gestora é que a inteligência artificial continue despontando, com fintechs, healthtechs e martechs mantendo boa tração ao longo do ano, e setores como energytech e mobility sigam a trajetória de crescimento iniciada em 2023. O relatório também destaca as expectativas em torno dos desdobramentos de Open Finance, Drex, Blockchain e Tokenização.

“Para 2024, estamos vendo um movimento de melhora, embora os investidores estejam um pouco mais conservadores. Ainda há uma certa desconfiança sobre as avaliações de startups que foram feitas nos últimos três anos e naturalmente leva tempo para o mercado voltar a ter mais confiança. Acredito que a soma de queda de juros por aqui, com uma estabilidade política, aliados à uma procura do capital internacional por lugares onde investir, reforçarão novamente o fluxo para capital de risco brasileiro”, opinou Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest, no relatório.

Panorama SaaS

Outro relatório divulgado nesta semana foi o State of SaaS, estudo realizado desde 2017 com startups de software as a service da América Latina. Feito em parceria com a SaaSholic, o levantamento contou com a participação de mais de 400 startups da região e mostrou que o investimento de venture capital na categoria cresceu de US$ 1,1 bilhão no ano da primeira edição para US$ 3,3 bilhões em 2023, segundo números do CB Insights.

Componente importante na digitalização da América Latina, as soluções SaaS costumam ser mais escaláveis e resilientes por causa da receita recorrente das assinaturas dos serviços. Em 2023, 52,3% dos participantes do estudo afirmaram que seus produtos são direcionados para pequenas e médias empresas. Apenas 10,5% vendem para o cliente final (B2C).

A maior parte dos entrevistados pode ser considerada uma pequena empresa: mais de 75% tem menos de 50 funcionários.

Para a maioria (44,4%), leva mais de três anos para alcançar US$ 1 milhão em receita recorrente, o que o estudo indica como resultado da alta competitividade na região. As frequências de pagamento mais comuns são mensal (42,57%) e anual (41,22%).

O estado de São Paulo é destacado como o principal hub de startups SaaS na América Latina, sendo casa para 48,4% dos participantes no relatório. O pódio é completado por mais dois estados brasileiros: Minas Gerais (12,1%) e Santa Catarina (11,4%).

Novo líder

A Unico, startup de identidade digital, anunciou nesta semana que tem um novo CEO: Sérgio Chaia. O executivo, que tem experiência no setor de tecnologia, assumiu o posto até então ocupado pelo fundador, Diego Martins – que por sua vez será o CTO global do unicórnio, destacado para trabalhar na internacionalização da empresa.

Chaia foi CEO da Nextel entre 2006 e 2012 e já tem um histórico com a Unico: ele foi mentor do fundador e atuou como advisor da startup no último ano. Com esse movimento, a Unico segue um caminho de seniorização da equipe – essa foi a justificativa divulgada em janeiro, quando o unicórnio demitiu 10,5% da equipe, o que correspondia a cerca de 100 funcionários.

Oportunidades

Desafio global. O Banco Santander e a Fundação Oxentia lançaram o desafio Santander X para startups de 11 países, incluindo o Brasil. Para participar, é preciso apresentar ideias para potencializar o acesso à educação e ao aprendizado contínuo, ou para impulsionar a identificação de talentos de forma inovadora, diferente dos processos seletivos tradicionais. Um júri avaliará os participantes, premiando três startups com € 10 mil cada e três scaleups com € 30 mil. Além do prêmio em dinheiro, as empresas também poderão se conectar com a área de inovação aberta do Santander. As inscrições estão abertas até 21 de março pela plataforma.

Aceleração. Foi dada a largada para a primeira edição dos programas InovAtiva Brasil e InovAtiva de Impacto Socioambiental de 2024. Para o primeiro, serão selecionados até 200 negócios em fase de validação, operação e tração. Já o segundo, focado em startups de impacto social ou ambiental, escolherá até 80 empresas. Os programas oferecem capacitação, conexão e mentorias para os participantes, sem custo e sem a contrapartida de equity. Interessados podem se inscrever até 3 de março pelo site.

Inovação aberta. A Área 51, hub de inovação do Dabi Business Park, em Ribeirão Preto (SP), abriu as inscrições para a terceira temporada do programa Dabi Start Me Up e busca startups que solucionem as dores de 15 companhias mantenedoras e residentes do centro empresarial, como AgriforLife, Ourofino Agrociência e Sicoob SP. Além de três meses de residência no hub, o programa oferece mentorias, treinamentos e apoio para captação com investidores. Podem se inscrever startups com soluções de transformação digital, mobilidade urbana e logística, agronegócio, serviços financeiros, e educação. As inscrições devem ser feitas pelo link.

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