Jéssica Silva, do Sistema B: depois da COP30, clima e negócios se tornaram inseparáveis

Fonte: Redação

Codiretora executiva do Sistema B Brasil aponta quais legados ficaram da conferência e o que realmente deve nortear os negócios em 2026


Floresta Amazônica, natureza, meio ambiente, sustentabilidade
Floresta Amazônica, natureza, meio ambiente, sustentabilidade — Foto: Anna Carolina Negri/Getty Images

A COP30, em Belém (PA), marcou um divisor de águas, estabelecendo um novo paradigma: não é mais possível dissociar a agenda climática do papel central dos negócios. Realizada em solo amazônico, a conferência sublinhou a importância dos saberes ancestrais e a necessidade de garantir o protagonismo dos povos indígenas nas negociações climáticas. O recado foi claro: é hora de transformar promessas em práticas.

O debate corporativo evoluiu, superando a visão da sustentabilidade como conceito genérico e do ESG como mero rótulo. O setor privado foi reposicionado: inovar agora significa regenerar territórios, restaurar relações e transformar modos de produzir, consumir e investir.

As empresas presentes na COP30 demonstraram uma evolução no discurso, conectando performance ambiental a discussões sobre justiça climática e inclusão econômica. A adoção de práticas de bioeconomia e transição energética gera ganhos concretos e tangíveis para os negócios, como aumento de produtividade, eficiência e redução de riscos, fortalecendo a competitividade.

A transição justa exige que as companhias sejam peças-chave na implementação das metas climáticas, mobilizando investimento e escalando soluções criativas. Exemplos como Manioca (fortalecimento de cadeias de valor com povos e comunidades na Amazônia), Natura (expansão da bioeconomia com famílias extrativistas) e re.green (restauração de biomas em larga escala) demonstraram a viabilidade e a inteligência econômica da regeneração, tanto para mitigação quanto para adaptação.

O maior legado da COP30 reside na mudança de consciência: a reafirmação de que nenhuma empresa existe isoladamente. A lição da floresta é que o futuro depende da nossa capacidade de construir alianças sólidas entre comunidades, empresas, governos e investidores. Estudos apresentados em Belém reforçaram que territórios indígenas, quilombolas e tradicionais são as áreas mais eficazes na conservação das florestas e no armazenamento de carbono, ressaltando que o debate sobre o futuro não pode excluir quem protege os ecossistemas.

Ao olhar para além de 2026, a ambição é reestruturar o modelo econômico, abandonando a ideia de que o produto interno bruto (PIB) é o único sinônimo de desenvolvimento e adicionando a garantia do bem-estar da vida humana, dos demais seres vivos e de sistemas naturais. As empresas que prosperarão serão aquelas que incorporarem sustentabilidade à sua cultura. O mundo pós-COP30 exige uma integração real e mensurável, alinhando a lógica dos negócios aos limites físicos da Terra. A conferência marca o momento em que o mundo reconhece a Amazônia não como fronteira de recursos, mas como centro de sabedoria.

A mensagem final é um chamado: o setor privado deve traduzir em prática o que a floresta ensinou. Cuidar do planeta é zelar pela própria continuidade da vida. O futuro está sendo construído pelas escolhas empresariais de hoje. Que essas sementes sejam plantadas com propósito, responsabilidade e coragem.

Jéssica Silva é codiretora executiva do Sistema B Brasil. Formada em administração pela PUC-SP e em governança pela FDC, atua há 15 anos com negócios de impacto, startups e venture capital — Foto: PEGN
Jéssica Silva é codiretora executiva do Sistema B Brasil. Formada em administração pela PUC-SP e em governança pela FDC, atua há 15 anos com negócios de impacto, startups e venture capital — Foto: PEGN

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