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IPCA: o que alta da inflação significa para os empreendedores

Fonte: Redação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede inflação no Brasil, cresceu 0,46% no último mês de maio na comparação com abril, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). O índice acumula alta de 2,27% no ano e de 3,93% nos últimos 12 meses.

De modo geral, a aceleração de preços traz impactos para os empreendedores brasileiros. André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), explica que o primeiro reflexo nos pequenos negócios pode ser a redução nas vendas. Na prática, a inflação é o aumento dos preços de bens e serviços e, consequentemente, diminui o poder de compra do brasileiro, pois o dinheiro vale menos, corroído pelo encarecimento.

Nos casos de bens e serviços de maior valor, o consumidor que optar por empréstimo ainda terá de arcar com um valor mais salgado, afirma Braz. “O volume de vendas diminui por conta de um juro mais alto e, assim, posterga as compras e o ganho do empreendedor”, complementa.

O crédito mais caro também atrapalha o financiamento do próprio negócio. “A inflação em alta dificulta o cenário de investimentos e encarece o crédito fundamental para o empreendedor. Tomar empréstimo fica mais caro, seja para quem quer começar um negócio ou modernizar o empreendimento”, destaca Braz.

A alta dos preços no mês de maio foi puxada pelo encarecimento dos alimentos (0,62%), habitação (0,67%) e saúde e cuidados pessoais (0,69%). Os itens são especialmente relevantes para estabelecimentos como restaurantes e salões de beleza, por exemplo.

O economista ainda explica que o encarecimento da energia residencial, item incluso na categoria de habitação e que teve alta de 0,94%, tende a gerar um efeito cascata nos pequenos negócios. A alta do custo com a eletricidade pode levar a aumento no preço do produto ou serviço oferecido ao consumidor.

Como forma de se proteger frente à inflação, o especialista sugere que o empreendedor reduza custos por meio de equipes treinadas e equipamentos e ferramentas com menor consumo, tanto de energia quanto de matéria-prima.

“A melhor proteção é fazer a lição de casa. Alimentar a planilha de custos, entender o que pode ser reduzido e ter uma visão a longo prazo. Trocar equipamentos que gastam mais pode ser uma saída. Ao trocar uma geladeira que consome menos energia, por exemplo, a redução na conta de luz pode pagar o eletrodoméstico e depois gerar uma redução de custos ao negócio”, exemplifica.

Braz afirma que a inflação deste ano está mais baixa do que a de 2023. No entanto, avalia que o ideal seria uma desaceleração mais ágil em direção à meta, hoje em 3%. Caso a inflação persista acima do esperado, a autoridade monetária pode manter juros mais altos por muito tempo, o que encareceria o crédito e frustraria investimentos a longo prazo.

“Aos trancos e barrancos a inflação está em desaceleração, mas a gente gostaria que desacelerasse mais rapidamente. Inflação boa é a inflação na meta. Caso ela se aproxime dos 4%, vai piorando o cenário econômico e desafiando o Banco Central”, finaliza.

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