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Aportes caem em fevereiro; mais dinheiro com mulheres investidoras: os destaques da semana no ecossistema

Fonte: Redação

Nesta sexta-feira, 8 de março, trazemos números que dão um panorama do ecossistema em aspectos diferentes. No quesito volume de investimentos, o país registrou uma nova queda no último mês, registrando um total US$ 167 milhões em aportes, segundo dados da Sling Hub.

Em relação à origem do dinheiro, uma pesquisa do Venture Capital Journal traz um dado interessante: em nível global, há mais recursos nas mãos de investidoras mulheres do que antes – embora os números ainda tenham de melhorar.

A semana também foi repleta de aportes e movimentações, com destaque para uma captação de US$ 25 milhões da Yuno e os cheques da Nextron e da FinanZero.

Altos e baixos

Depois de iniciar o ano em alta, os investimentos em startups caíram no país em fevereiro. As captações somaram US$ 167 milhões, o que representa uma queda de 45% em relação ao mês anterior. Na América Latina, o volume registrou um aumento de 10% em relação a janeiro, totalizando US$ 482 milhões. Os dados são do relatório One Page Report, da Sling Hub.

Segundo o levantamento, na comparação anual, tanto o Brasil quanto a América Latina apresentaram crescimento: 16% e 63%, respectivamente. O México foi o país que mais captou no mês, com um total de US$ 194 milhões e a maior rodada da região, realizada pela fintech Baubap, que levantou US$ 120 milhões. O Brasil contou com uma rodada no top 5 do mês, com a Incognia, startup de segurança, que captou US$ 31,5 milhões.

Ao todo, foram 48 rodadas no Brasil e 65 na América Latina. Em relação aos M&As, o mês registrou um total de 17 aquisições, sendo 11 no Brasil, e nenhuma fusão. Os destaques são para a compra do will bank pelo banco Master e da startup Avita pelo Itaú.

Números que (também) importam

Há um ano, trouxemos nesta newsletter um dado que mostrava a – já evidente – disparidade de gênero no ecossistema de startups. Infelizmente, neste 8 de março, os números não são diferentes. Segundo o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups, realizado pela Abstartups em parceria com a Deloitte e divulgado em novembro, as mulheres são cerca de 20% dos fundadores – mesmo percentual da edição anterior, de 2022. A nível global, a média é de 15%, segundo os dados mais recentes do Startup Genome, divulgados em março passado.

A boa notícia é que, quando se trata do volume de dinheiro nas mãos de investidoras – algo que tende a se refletir em mais recursos para startups fundadoras por mulheres –, é possível vislumbrar um tímido avanço. Segundo uma pesquisa do Venture Capital Journal, a participação de fundos liderados por mulheres no total captado globalmente passou de menos de 2% para 3% no ano passado. Na prática, são cerca de US$ 3,2 bilhões de um total de US$ 107 bilhões.

Assim como furar a bolha e avançar na jornada empreendedora não é fácil, conquistar espaço no mercado de venture capital também não. Quem nos contou um pouco sobre esse processo foi Bedy Yang, brasileira que se tornou sócia operacional da 500 Global, uma das principais aceleradoras e gestoras de VC do Vale do Silício, nos Estados Unidos. Em uma entrevista exclusiva a PEGN, a executiva falou sobre sua trajetória, sua visão sobre o ecossistema brasileiro e os focos da gestora, que anunciou recentemente um novo fundo para investir em startups da América Latina.

Na conversa, também deu um conselho para que outras mulheres ganhem espaço em seus mercados. “Para mim, o mais importante é aparecer. Tem oportunidade de fazer networking? Vai. Os investidores estão ali? Vai. Muitas mulheres falam não antes mesmo que as oportunidades apareçam”, diz.

Você confere o bate-papo — e outras reportagens especiais sobre negócios fundados por mulheres – na revista PEGN de março, que já está no aplicativo Globo Mais e começa a chegar hoje (8) às bancas. Vale a pena!

Movimentações

Yuno. A fintech de infraestrutura de pagamentos anunciou a captação de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 123 milhões) em uma rodada Série A. O grupo de investidores inclui nomes como DST Global Partners, Andreessen Horowitz, Tiger Global, Kaszek Ventures e Monashees. O capital levantado será direcionado para o fortalecimento das operações na América do Norte e do Sul, além da entrada em novos mercados na Europa, Ásia e África.

Nextron. A climatetech, que conecta geradores de energia renovável a consumidores por meio de assinaturas, captou R$ 26 milhões em uma rodada Série A liderada por Vox Capital e Copel Ventures. O investimento também conta com follow-ons de investidores da rodada seed, feita em 2022, como Valor Capital Group e Barn Investimentos. O capital será usado para expandir a atuação da empresa nacionalmente e escalar sua plataforma de aquisição de clientes.

FinanZero. O marketplace de crédito online captou R$ 20 milhões em uma operação de media for equity com a 4Equity. A empresa, que permite que startups tenham exposição midiática em troca de participação acionária, passa a ter uma fatia minoritária na startup. Com o acordo, a FinanZero pretente acelerar suas taxas de crescimento e ganhar espaço em novos canais.

StopClub. A plataforma de soluções para motoristas e entregadores de aplicativo recebeu um aporte de US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 5,9 milhões) em rodada liderada pela Redpoint eventures, com participação da Raio Capital. O objetivo é investir no banco digital próprio StopClub Bank e no marketplace, que conta com ofertas de produtos e serviços de parceiros, de planos de telefonia a seguros e empréstimos.

Pilea Labs. A startup que ajuda e-commerces a converter mais vendas com marketing de influência recebeu um aporte de R$ 835 mil. A rodada foi liderada pela DOMO.VC, que investiu R$ 500 mil, e foi acompanhada pela WOW Aceleradora e investidores-anjo como Marcia Netto, cofundadora da Sallve, e Andre Popoutchi, cofundador da Dr. Jones. O aporte será destinado para o desenvolvimento do produto e para acelerar os testes de criação de mais ferramentas. Um dos focos é o mercado de influência.

Logshare, Embeddo e Growpack. As três startups foram escolhidas pelo Oxygea Labs, programa da Oxygea que investe em startups com foco em sustentabilidade e inovação, para receber R$ 1,5 milhão cada uma. No caso da LogShare e da Growpack, os recursos foram incorporados em rodadas de captação. Já o aporte na Embeddo se deu por meio de um contrato de mútuo (acordo de empréstimo de consumíveis), que será convertido em uma próxima rodada de captação.

Pravaler. A edfintech focada na oferta de crédito estudantil privado anunciou a emissão de R$ 285 milhões em FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). O valor será direcionado ao financiamento estudantil dos cursos de graduação no primeiro semestre de 2024, reforçando parcerias com instituições de ensino. Hoje, a startup conta com mais de 500 instituições na carteira, como Ânima, Cogna, Cruzeiro, Ser Educacional e UNIP.

Zapay. A fintech, dedicada a simplificar o pagamento de débitos veiculares, foi comprada pelo grupo Fleetcor, proprietário do Sem Parar, em uma operação que não teve o valor revelado. Segundo as empresas, a Zapay manterá sua marca e a autonomia da operação, passando a ter acesso à expertise do Sem Parar no setor de mobilidade.

Instafruta. A startup, que atua como uma espécie de feira digital, com entrega de frutas, legumes e verduras, foi comprada pela holding varejista Bem que Tem. O acordo, que não teve seu valor revelado, envolveu 100% do capital da empresa. A ideia é que a movimentação ajude nos planos de digitalização da companhia.

Foco nos resultados

Depois de concentrar esforços na diversificação do portfólio, o unicórnio CloudWalk está colhendo frutos. A fintech revelou nesta semana que triplicou a base de clientes em 2023, chegando a 1,1 milhão de usuários, e encerrou o ano com receita bruta de R$ 1,55 bilhão, alta de 41% sobre o ano passado.

A estratégia utilizada para crescer foi apostar no desenvolvimento de novas funcionalidades na sua plataforma de financeira. “A InfinitePay lançou uma série de produtos e ferramentas para facilitar a vida do empreendedor brasileiro. Muitos deles, que usavam apenas a nossa maquininha para receber pagamentos, passaram a usar a conta inteligente, tomar crédito, usar nosso cartão e outras inovações que surgiram a partir do final de 2022 e se consolidaram em 2023”, explica Luis Silva, CEO da startup.

Para o futuro, um dos planos da fintech é investir em uma expansão para os Estados Unidos, com o lançamento de um aplicativo voltado para pequenas e médias empresas, o Jim.com. Os movimentos de expansão da startup seguem um planejamento já detalhado pela empresa a PEGN em junho de 2023, que previa o lançamento de produtos internacionais. A fintech atingiu o break-even no ano passado e, a partir disso, passou a mirar a abertura de capital. O plano é realizar o IPO até o final de 2025.

Por outro lado, a possibilidade de levantar capital externo, prevista anteriormente, está descartada. “Não estão previstos novos aportes por enquanto”, afirma Silva. “Estamos com um caixa bastante robusto, e, como passamos a dar lucro, a tendência é que a gente siga aumentando esse caixa.”

De olho na IA

Cada vez mais realistas, os deepfakes — imagens e vídeos digitais que simulam a realidade — vivem um momento peculiar. Por um lado, trazem preocupações para empresas, governos e cidadãos, devido às possibilidades de utilizá-los para golpes, difamação e disseminação de notícias falsas. Por outro, é um nicho considerado promissor por empreendedores e investidores.

Com ferramentas acessíveis, startups especializadas na chamada mídia sintética oferecem um cardápio amplo de serviços que inclui produção, edição e geração de áudios, vídeos, imagens e animações com uso intensivo de IA.

Do início de 2020 até outubro do ano passado, fundos de investimento aportaram US$ 4,76 bilhões (R$ 23,8 bilhões) em startups de IA focadas em geração de áudio e vídeo, em 410 operações de aporte de capital, segundo números reunidos pelo PitchBook a pedido do Jornal O Globo. Confere a matéria completa sobre o potencial – e as implicações – desse nicho.

Oportunidades

Fomento. A Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) lançou o edital de 2024 para os seus programas de pré-incubação e incubação. Os inscritos passam pela avaliação de uma banca, que definirá em qual programa seus projetos se encaixam. O edital está aberto a startups e pessoas interessadas em empreender em projetos de base tecnológica de todas as áreas do conhecimento, sem necessidade de ter tido vínculo com a Unicamp. O edital receberá propostas até o dia 15 de abril por este site. Há uma taxa de R$ 350 para submeter propostas.

Mão na massa. A startup Tractian lançou o Extracurricular Awards, um projeto que destinará R$ 500 mil para fomentar inovação em projetos universitários. O público-alvo são estudantes que participam de equipes de robótica e de programação, grêmios, secretarias acadêmicas e empresa júnior, entre outras iniciativas estudantis. As inscrições serão avaliadas com base em critérios como inovação, impacto social, viabilidade e alinhamento com os valores da Tractian. Os interessados podem se inscrever e acessar mais informações no site da startup.

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