Indústria aprofunda queda e recua 1,8% em junho, diz IBGE

Fonte: Redação

Retração foi puxada principalmente por combustíveis, mas recuo foi generalizado e é o mais intenso do ano


A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho
A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho — Foto: Unsplash

Com uma queda generalizada entre os setores, a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho ante maio, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira pelo IBGE. Foi a segunda queda consecutiva do indicador, e mais intensa que a do mês anterior, quando recuou 0,2%. A queda mensal é a mais intensa desde dezembro, quando caiu 1,9%.

No acumulado do ano, porém, o setor ainda registra expansão de 1,5%. Nos últimos 12 meses, o avanço é de 0,7%.

Para Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre, a indústria registra agora os seus primeiros sinais de desaceleração. Ele pondera que, apesar de a expansão da renda, o mercado de trabalho aquecido e as políticas industriais do governo criarem um ambiente mais favorável à produção, esse impulso é contrabalançado por uma política monetária ainda bastante restritiva.

— Se, por um lado, temos programas e medidas que estimulam a produção, por outro temos uma conjuntura econômica mais desafiadora. E ela já está se sobressaindo (no resultado) e impactando as decisões de investimento. Além disso, há preocupação sobre até quando a inflação permanecerá controlada.

Pacini avalia que a aproximação do período eleitoral, embora aumente as incertezas políticas e leve empresários a adiar novos investimentos, tende a estimular o consumo e, consequentemente, a produção industrial. Mas os juros seguem elevados. Ainda que o mercado espere uma nova redução da taxa Selic, de 14,25% para 14% na reunião desta quarta-feira, a política monetária continuará em nível restritivo.

— É muito ruim para quem compra bens a prazo, o custo do crédito segue alto. A indústria deve ter um crescimento mais moderado neste segundo semestre.

Queda generalizada

Todas as quatro grandes categorias econômicas registraram queda no mês. Bens de consumo semi e não duráveis (-4,1%) e bens de consumo duráveis (-3,2%) tiveram as maiores retrações. Bens de capital (-1,1%) e bens intermediários (-1,1%) também fecharam no negativo.

André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, diz que a queda espalhada entre os segmentos chama atenção. Por trás dos números, ele avalia, assim como Pacini, que o resultado é um reflexo da combinação entre juros altos e níveis elevados de inadimplência, que afetam tanto consumidores quanto empresas.

— Existe uma clara redução de ritmo frente aos primeiros meses de 2026.

Entre os 25 ramos pesquisados, 16 apontaram taxas negativas. A influência negativa mais importante veio de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho. Foi o segundo mês seguido de queda no setor, com perda acumulada de 11,8% no período.

Outras contribuições negativas relevantes partiram de produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e de material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).

Segundo Macedo, do IBGE, o período mais chuvoso afetou o processamento da cana-de-açúcar, o que reduziu não só a produção de álcool, mas também a de açúcar, o que ajuda a explicar o resultado negativo de produtos alimentícios. A atividade acumula o segundo mês seguido em campo negativo.

Já do lado positivo, nove atividades avançaram na produção. Celulose, papel e produtos de papel (5,4%) exerceu a principal influência positiva sobre a média da indústria e marcou o terceiro mês seguido de expansão, com alta acumulada de 7,3% no período. Também se destacaram impressão e reprodução de gravações (20,2%) e metalurgia (1,4%).

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