Fim da tarifa de 40% anunciado por Trump é celebrado entre representantes dos setores

Fonte: Redação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de pôr fim à tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros foi amplamente celebrada por representantes dos setores. Além da carne bovina, a medida inclui produtos como tomate, café, banana e açaí. Café e carne ficaram isentos.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a reversão “reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos, inclusive para a carne bovina brasileira”.

“A medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo. A Abiec seguirá atuando de forma cooperativa para ampliar oportunidades e fortalecer a presença do Brasil nos principais mercados globais”, afirmou a entidade, em nota.

‘Presente de aniversário’

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) também comemorou, destacando que agora as exportações do produto terão taxa zero, inclusive do torrado e torrado e moído.

“Com esta nova ordem fica evidenciado que o café brasileiro é um produto essencial e estratégico para a economia americana, abrindo, inclusive, espaço para ampliação da presença dos cafés industrializados brasileiros no varejo norte-americano, com ganhos diretos para toda a cadeia produtiva, da indústria ao produtor”, diz trecho da nota

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, recebeu o anúncio como um presente de aniversário e ressaltou que, a partir de agora, o objetivo é conseguir o fim da tarifa sobre o café solúvel:

— É um presente que não é só meu, é para todos nós brasileiros. Eu até brinquei hoje que estava faltando um pedacinho do bolo, que é o café solúvel — disse.

‘Avanço concreto’

Apesar de o anúncio não contemplar produtos industrializados, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, avalia que a decisão do governo americano é um “avanço concreto” na renovação da agenda bilateral e condiz com papel do Brasil como grande parceiro comercial dos Estados Unidos.

“Vemos com grande otimismo a ampliação das exceções e acreditamos que a medida restaura parte do papel que o Brasil sempre teve como um dos grandes fornecedores do mercado americano”, afirmou Alban, em nota.

Produtos agora isentos de tarifa adicional

Além do café e da carne bovina, uma lista de frutas, a exemplo do tomate e da manga, terão um regime especial, com isenção da tarifa adicional em períodos específicos ao longo do ano. Veja alguns dos produtos agropecuários listados na decisão desta quinta-feira:

  • Café
  • Carne bovina
  • Açaí
  • Banana
  • Castanha de caju
  • Laranja
  • Suco de laranja (que já estava na lista de exceções em agosto)

Frutas frescas que têm isenção em períodos específicos do ano

A lista isenta de tarifa uma série de outros alimentos como cogumelos, alcaparras, broto de bambu, mandioca, inhame e gengibre.

A medida foi tomada após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro. E vale para mercadorias embarcadas a partir de 13 de novembro.

No último dia 14, o republicano já havia retirado a tarifa recíproca de 10% — adotada globalmente pelos EUA em abril deste ano — de produtos agrícolas importados e não produzidos em território americano, beneficiando o agro brasileiro, ao incluir café, carne bovina, banana e outros artigos.

A taxação adicional de 40% — que se soma à tarifa recíproca e que entrou em vigor em agosto —, no entanto, foi mantida. Trump usou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência, de 1974, como justificativa para adotar a medida.

A suspensão das tarifas recíprocas tinha por objetivo reduzir os custos para o consumidor americano, em uma tentativa da Casa Branca de reagir à derrota nas eleições locais do início deste mês. Foi também um reconhecimento implícito de que a política tarifária de Trump pressionou os preços nos EUA.

A medida desta quinta-feira, voltada para o Brasil, reforça os problemas que o presidente americano vem enfrentando com a inflação.

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