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Festival de Parintins fomenta pequenos negócios locais

Fonte: Redação

A cerca de 420 quilômetros de Manaus, capital do estado do Amazonas, encontra-se Parintins, cidade banhada pelas águas do rio Amazonas e o grande berço do Festival Folclórico de Parintins, que celebra sua 57ª edição em 2024. Ao longo de três dias, a festa traz ao público a disputa entre dois bois-bumbás: o Garantido, representado pela cor vermelha, e o Caprichoso, pelo azul. A rivalidade, que gira em torno de eleger a melhor apresentação de toda a festa, também envolve diretamente os pequenos empreendedores locais. Afinal, nessa época, a região recepciona um grande volume de turistas.

Tradicionalmente, o festival ocorre no Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes, popularmente conhecido como Bumbódromo, que foi inaugurado em 1988, duas décadas após a oficialização da celebração cultural, ocorrida em 1965. Neste ano, as apresentações ocorrem nos dias 28, 29 e 30 de junho. Segundo o Governo do Estado do Amazonas, o Festival de Parintins de 2024 deve receber cerca de 120 mil visitantes, com a projeção de movimentar mais de R$ 150 milhões na economia local, ultrapassando a estimativa de 2023, que foi de R$ 146 milhões. O próprio Governo do Amazonas investiu R$ 4 milhões em cada boi-bumbá.

Há quase 60 anos, o festival perpassa por temas regionais, explorando por meio da música, carros alegóricos, figurinos e performances teatrais os saberes e rituais indígenas e costumes dos povos ribeirinhos. Ao observar toda essa cultura manifestada pela cidade, Regiane Lima, atualmente com 37 anos, escolheu Parintins como seu lar – e, posteriormente, sede do seu negócio. Embora seja natural de Belém, no estado do Pará, ela desejava fazer parte da “galera” do bumbá Garantido, nome usado para se referir à torcida do boi vermelho.

Durante 11 anos, Lima atuou como gerente do Senac no Amazonas, ensinando a outras pessoas os métodos corretos para montar o próprio negócio. No entanto, reflexiva com sua situação profissional, decidiu ela própria embarcar no empreendedorismo, interligando os aprendizados empresariais com as técnicas manuais executadas desde a infância: o artesanato de bijuterias. “Larguei a CLT e decidi viver o meu sonho de menina, já que eu sempre fiz os meus próprios brincos e pulseiras. Eu vim de uma realidade em que eu não tinha dinheiro para comprar essas coisas, desde muito cedo acabei aprendendo a fazer os meus acessórios”, explica a empreendedora.

Ao idealizar qual seria a cidade perfeita para dar início ao mais novo trabalho, a artesã e empreendedora pensou justamente em Parintins, devido às oportunidades financeiras que o festival folclórico proporciona. Em 2018, Lima fundou a Morena Biju. Para abrir a loja da marca, usou os R$ 30 mil que havia conseguido guardar no antigo emprego. “Eu decidi montar o meu negócio aqui já pensando em uma carência do mercado. Não tínhamos [tantas] lojas especializadas em acessórios aqui, e o fluxo de pessoas é bem alto. Tem muita demanda durante o período do festival”, afirma.

Regiane Lima é a fundadora da loja Morena Biju, localizada em Parintins — Foto: Arquivo pessoal/Regiane Lima
Regiane Lima é a fundadora da loja Morena Biju, localizada em Parintins — Foto: Arquivo pessoal/Regiane Lima

Segundo a empreendedora, o Festival Folclórico de Parintins é como um segundo Natal para os comerciantes locais. Entre o final de junho e início de julho de 2023, época da celebração anterior, sua marca faturou cerca de R$ 100 mil, um grande avanço comparado aos demais meses do ano, em que o faturamento gira em torno de R$ 30 mil a R$ 40 mil.

Em 2024, Regiane notou uma agitação mais acalorada nas vendas. “Esse ano foi bem atípico, nós começamos a receber encomendas desde o início do ano, logo depois do Carnaval. Em 2024 mandamos [acessórios] para São Paulo, Maranhão e muitos para Manaus também. Estamos mandando encomendas todos os dias, com vários pedidos. Isso foi muito legal”, diz.

Priscila Bulcão, de 39 anos, dona da Vitrine Cabocla, nasceu escutando a história de empreendedorismo de seus avós, que vendiam as frutas colhidas no próprio quintal. Com isso, sempre teve em mente que, algum dia, poderia percorrer o mesmo caminho que seus familiares. Após longos anos trabalhando com carteira assinada, Bulcão, também moradora de Parintins (AM), decidiu montar o próprio negócio em 2015. A loja de vestuário tem foco nas peças com estética indígena.

Logo no início do negócio, Priscila pensou em atender exatamente as demandas estimuladas pelo festival. “A vitrine recebe um impacto muito forte do Festival Folclórico de Parintins, Neste ano, com a grande visibilidade que a celebração conquistou, nós conseguimos atrair novos clientes. Nossos pedidos aumentaram muito e aconteceram bem antecipadamente”, aponta.

Priscila Bulcão é fundadora da Vitrine Cabocla — Foto: Arquivo pessoal/Priscila Bulcão
Priscila Bulcão é fundadora da Vitrine Cabocla — Foto: Arquivo pessoal/Priscila Bulcão

Em 2023, no período do festival, a loja da amazonense faturou cerca de R$ 50 mil. Para a edição de 2024, a expectativa é registrar um crescimento de 20%. “Nossa produção vem do produtor rural e de pessoas das aldeias [indígenas]. É um faturamento que circula pela economia local e também é dividido entre os pequenos artesãos parceiros”, diz Bulcão. Embora tenha um “boi do coração”, a empreendedora afirma que, na hora das vendas, o trabalho é baseado na neutralidade. “Também produzimos produtos neutros, sem ser azul ou vermelho, porque tem aquele turista que quer brincar nos dois bois-bumbás e quer ter a oportunidade de conhecer ambos.”

Embora a festa desse ano seja marcada pela amplitude da celebração, tanto pelo fator financeiro quanto pelo maior reconhecimento, a empreendedora diz que a alta demanda resultou em mais desafios na hora de adquirir as matérias-primas da loja. Os insumos chegam em um intervalo espaçado, por meio de embarcações.

“Nos pedidos maiores nós enfrentamos mais complicações, porque nós trabalhamos com materiais sintéticos, uma vez que aqui é muito forte a preservação ambiental. Então, nós tivemos mais dificuldades para encontrar esses acessórios. Eu tenho uma base de seis artesãos produzindo para a Vitrine, mas a loja tem uma necessidade de ter uma equipe maior”, finaliza.

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