Ele venceu competição da NASA e dormiu em oficinas mecânicas para criar startup que fatura milhões

Fonte: Redação

Aos 16, 17 e 18 anos, Adi Bathla já projetava o futuro fora da Terra. Durante três anos consecutivos, venceu a Competição Internacional de Design de Assentamentos Espaciais da NASA, cujo desafio era criar conceitos detalhados de grandes habitats espaciais com uma visão de 50 a 100 anos à frente. Em cada edição, produziu até 100 páginas de documentação técnica, um exercício que o treinou a sintetizar informações complexas, habilidade que mais tarde se tornaria a base de sua trajetória como empreendedor.

Bathla recebeu uma bolsa integral para cursar a graduação na Brown University. Inicialmente, queria ser engenheiro, mas logo percebeu as limitações do caminho. A decisão foi migrar para a ciência da computação.

Após se formar, passou por grandes startups, onde aprendeu, na prática, a criar produtos do zero e a construir culturas organizacionais fortes. O desejo de empreender, no entanto, o acompanhava desde os 16 anos. Em 2022, decidiu que não havia mais motivos para adiar: abandonou um cargo estável e assumiu o risco. “Você não pode ter um pé no emprego e outro no empreendimento”, disse ao site Entrepreneur.

A forma encontrada para reduzir a incerteza foi pouco convencional. Com laços familiares na indústria automotiva, Bathla mergulhou no setor e passou a frequentar — e até dormir — em oficinas mecânicas. “Eu não escolhi começar esse negócio a partir de uma ideia. Escolhi a indústria automotiva por causa dos laços familiares e, literalmente, comecei a dormir nas oficinas deles”, contou.

Ele distribuía cartões para lojistas de carros usados, oficinas, especialistas em calibração e centros de reparo de colisão com uma proposta direta: “Se você tiver um problema, me procure que eu construo uma solução para você.” Em conversas com oficinas de funilaria, repetia a mesma pergunta: “Como vocês lidam com carros cada vez mais complicados todos os dias?”

A resposta era recorrente: os veículos haviam se transformado em “computadores sobre rodas”, repletos de sensores, câmeras e sistemas de segurança definidos por software, mas a maioria das oficinas não sabia como repará-los corretamente. Foi nesse contexto que Bathla criou a Revv, pensada como o elo de ligação desse caos tecnológico.

Na prática, quando um Audi A6 2021 chega à oficina, a plataforma roda em segundo plano e, em segundos, informa ao técnico quais sistemas estão no carro, quais componentes foram afetados, qual é o problema e como repará-lo, com instruções passo a passo e documentação dos fabricantes, inclusive para seguradoras. “Em resumo, a Revv comprime o tempo de pesquisa em segundos e oferece insights acionáveis sobre como consertar esses componentes de segurança”, explicou.

O caminho até a tração comercial foi marcado por pressão. Bathla investiu dezenas de milhares de dólares do próprio bolso e chegou a ir ao pronto-socorro devido ao estresse. “Meu braço simplesmente parava de funcionar, e no fim descobrimos que era tudo por causa do estresse”, relatou.

Lançada em junho de 2023, a Revv saiu do zero e alcançou US$ 1 milhão em receita em apenas seis meses. Desde então, cresceu para um faturamento de oito dígitos, com mais de 5 mil clientes e presença em milhares de unidades em dois países. O crescimento exigiu a transição de um modelo de vendas liderado pelo fundador para uma estrutura conduzida por equipes. “Escalar foi tão difícil e tão desafiador quanto começar o negócio”, afirmou.

Hoje, a empresa emprega 60 pessoas. Para fundadores em estágio inicial, Bathla deixa dois conselhos: não esperar pela ideia ou produto perfeitos e ter coragem de dar o salto. “Para ter sucesso, seu objetivo é encontrar um problema urgente, mas o passo maior é embarcar nessa jornada e se dedicar 100%.” O segundo é cercar-se de pessoas mais inteligentes e manter o ego baixo, porque a jornada é solitária e as apostas são altas.

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