Após passar por Austrália, Universidade de Stanford e China, o empreendedor Moritz Neto voltou ao Brasil em 2019 e já enxergou uma oportunidade de negócio: uma solução para “aproximar” o varejo digital brasileiro ao que havia visto nos ecossistemas mais avançados do mundo. Assim, nascia a Unfair Advantage — dentro do quarto de Moritz. Hoje, o grupo já ultrapassou R$ 150 milhões em faturamento acumulado e projeta R$ 50 milhões para 2025.
“O varejo digital no Brasil ainda era amador, e havia uma assimetria enorme entre o que eu via lá fora e o que existia aqui.” A partir dessa percepção, ele decidiu criar não uma loja física ou um marketplace, mas um estúdio de marcas operado inteiramente por e-commerce.
Moritz é engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e passou a se aproximar do empreendedorismo enquanto estudava na University of New South Wales, na Austrália. Ali, ele conta que conheceu laboratórios de inovação, participou de projetos de base tecnológica e desenvolveu a visão que mais tarde guiaria o modelo da Unfair Advantage.
A experiência se aprofundou quando o empresário representou o Brasil em competições globais de empreendedorismo da ASES, em Stanford, onde recebeu mentoria de Brian Acton, cofundador do WhatsApp. “Sempre transitei entre tecnologia e comportamento humano. Quando comecei o grupo, ficou claro para mim que o futuro seria AI-first, mas não AI-only. A IA amplifica a humanidade, não substitui.”
O portfólio do grupo reúne marcas digitais em categorias distintas: a Le Moritz e a Pink Perfect, que juntas respondem por cerca de 45% da receita e atuam respectivamente com produtos capilares voltados a mulheres 50+ e com skincare científico para tratamento de acne, a Brain Juice, responsável por aproximadamente 30%, vende suplementos de performance cognitiva e foco, e a House of Motors, com 20% da receita, comercializa itens de estética automotiva. “O que une tudo não é o produto, é o playbook. Cada marca começa como um experimento que, se validado, escala por meio de cultura, sistema e método.”
Média é Mais:
Dentro desse ecossistema, o empreendedor resolveu usar a expertise em IA e lançou a SalesArmy, produto que integra as operações e transforma o WhatsApp em um canal de vendas. A plataforma, criada internamente, conecta gestão de relacionamento com o cliente, checkout e automações e permite que toda a jornada de compra aconteça dentro da conversa. “O WhatsApp é o principal canal de comunicação do país, mas quase nenhuma marca tratava o aplicativo como motor real de vendas.”
A ferramenta começou recuperando carrinhos abandonados, evoluiu para atendimento inbound e campanhas personalizadas e hoje já responde por até 10% do faturamento mensal. Desde sua implementação, segundo Moritz, as marcas registraram aumento de até 22% nas taxas de conversão, crescimento de 35% na recompra e redução de 40% no tempo médio de resposta.
O crescimento do grupo — que faturou R$ 30 milhões em 2024 — se apoia em três pilares, descritos por Moritz como método, cultura e tecnologia. “A operação é 100% bootstrapped (financiada pelo próprio caixa), o que torna cada nova marca já lucrativa e escalável”, diz.
Os próximos passos incluem internacionalização e entrada em categorias com demanda reprimida, como saúde hormonal e lifestyle masculino. Segundo o empresário, há planos de internacionalização para os Estados Unidos e Europa não só na venda de produtos, mas também na metodologia de criação.
Para Moritz, o maior desafio é equilibrar velocidade e profundidade. “O modelo exige inovar rápido, mas com propósito. Às vezes o desafio não é fazer mais, e sim manter o ritmo certo para garantir que cada marca preserve alma e consistência. Crescer é fácil. Crescer com identidade é o jogo real.”







