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Ele criou um negócio de acessórios masculinos após sair da prisão e fatura R$ 4,4 milhões

Fonte: Redação

A falta de perspectiva para uma reinserção no mercado de trabalho após uma temporada na prisão foi o combustível para que Murillo Carizzio, 31 anos, se tornasse empreendedor, há dez anos. Hoje, ele é dono do e-commerce de joias e acessórios masculinos El Patron Platas, que abriu a primeira loja física na primeira quinzena de junho, em São Paulo. A empresa faturou R$ 4,4 milhões no ano passado, e a perspectiva é de chegar a R$ 6 milhões neste ano.

A marca, nascida em Goiás, investiu R$ 315 mil para inaugurar o primeiro ponto físico no shopping Itaquera, na zona leste de São Paulo. De acordo com o empreendedor o local foi escolhido pois 43% dos clientes da marca são da capital paulista. “Resolvemos começar por onde estão os nossos clientes”, diz. A ideia é testar o formato até o final do ano, abrir cinco lojas próprias e depois crescer com franquias.

A loja trabalha com cerca de 115 itens, enquanto o e-commerce oferece mais de 400 peças. O espaço físico também tem testado a receptividade de uma pequena coleção de itens femininos. A maior parte dos produtos vem de fornecedores italianos, de acordo com Carizzio. “Vamos sentir o que mais vende para depois aumentar o leque de produtos”, conta. Atualmente, o tíquete médio é de R$ 250 no site, mas ele acredita que possa crescer nas vendas físicas.

Da prisão ao empreendedorismo

A vida de Carizzio mudou completamente de curso em 2013. Na época ele, era estudante de direito e atuou como piloto de fuga em uma série de assaltos. Ficou preso por cerca de um ano. Ao sair, tentou procurar emprego, mas o status de egresso do sistema penitenciário falava mais alto do que seu currículo.

Uma vaga em uma grande empresa parecia ser sua “volta por cima”, mas um dígito errado no número de telefone fez com que a companhia buscasse por seu nome na internet e desistisse da contratação. Ele conta que só depois soube o real motivo por meio de um amigo que trabalhava no local.

Na época, a então namorada de Carizzio vendia semijoias pela internet nas horas vagas. Ele conheceu um dos fornecedores dela e teve o insight de começar a empreender no ramo. Com um empréstimo de R$ 500 feito com a própria namorada, iniciou a venda de peças masculinas em grupos do Facebook.

“No início, foi muito difícil porque eu não gostava de vender, era tímido, não queria me expor. Comecei com pessoas conhecidas e fui desenvolvendo aos poucos”, conta. Ele conta que conseguiu devolver o valor emprestado em “poucos meses”.

Acessórios vendidos pela El Patron Plata — Foto: Divulgação
Acessórios vendidos pela El Patron Plata — Foto: Divulgação

Profissionalização e parceria com famosos

Em 2017, Carizzio estagiava em um escritório de advocacia e levava a venda de acessórios de forma paralela. Quando ele e a atual esposa descobriram uma gravidez, o empreendedor percebeu que precisaria se dedicar ainda mais ao negócio para garantir o sustento da família. Na época, mudou o nome do negócio de Dallas Joias para El Patron Plaza, inspirado na série “Narcos”, da Netflix.

Nos anos seguintes, Carizzio investiu em profissionalização, com branding e estratégias digitais, e em parcerias com MCs e influenciadores do universo hip hop, como o cantor e ator Xamã e os rappers Hungria e Filipe Ret, que ajudaram o negócio a decolar.

Um novo revés: de volta à prisão

Em 2019, com a empresa crescendo, Carizzio recebeu um novo mandado de prisão pelo crime cometido em 2013. O processo tinha chegado ao fim e a sentença final era uma condenação de seis anos e dois meses. Ele ficou dois meses em cárcere aguardando a tornozeleira eletrônica ficar disponível para cumprir o restante da pena no regime semiaberto.

Em 2020, voltou a ser preso, dessa vez por um crime que não cometeu, comprovado na ocasião pela sua defesa e acatado pela Justiça. Carizzio conseguiu retornar ao semiaberto e encerrou seu ciclo prisional no mesmo ano. A extinção de punibilidade foi sentenciada em fevereiro de 2024 pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

Do e-commerce para o varejo físico

Foi também em 2019 que o empreendedor abriu a sede do negócio em Aparecida de Goiânia (GO), onde mora. “Começamos a vender muito com a abertura do espaço físico. Percebi que precisaria investir pesado”, diz.

Murillo Carizzio, fundador da El Patron Platas: negócio estuda internacionalização para os EUA — Foto: Divulgação
Murillo Carizzio, fundador da El Patron Platas: negócio estuda internacionalização para os EUA — Foto: Divulgação

De acordo com ele, o filme “Fome de Poder”, que conta a história do McDonald’s, o inspirou a levar a El Patron para o varejo. Para o futuro, ele pensa em crescer com franquias. Por isso, já contratou uma consultoria para formatar o modelo. “O negócio já estava consolidado, e eu gosto de desafios, resolvi arriscar. Estamos bem ansiosos para alimentar essas planilhas”, diz.

Outros planos incluem a internacionalização. Como a El Patron Platas se consolidou no meio do hip hop e do skate, Carizzio tem estudado o potencial de um dos maiores mercados para os dois nichos: os Estados Unidos.

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