Ela fechou o restaurante, improvisou na crise e vendeu 50 mil pizzas em seis semanas

Fonte: Redação

Quando os restaurantes fecharam durante a pandemia de covid-19, Katie Lee não tinha um plano de expansão. O objetivo era mais simples: manter o negócio vivo. “A gente só queria sobreviver”, afirmou a empresária em entrevista ao Entrepreneur.

À frente do restaurante Katie’s Pizza & Pasta, em St. Louis, Lee viu o faturamento desaparecer praticamente da noite para o dia. Sem atendimento ao público, ela e a equipe decidiram agir com os recursos disponíveis. A pizza assada em forno a lenha, principal produto da casa, virou a aposta para atravessar a crise.

“Eu criei o protótipo em 24 horas”, contou Lee à publicação. O processo era simples: assar a pizza como no restaurante, selar, congelar e assar novamente no dia seguinte. “Funcionou melhor do que imaginávamos.”

Em vez de redesenhar o produto para o varejo, Lee optou por manter o padrão do restaurante. O salão foi convertido em linha de montagem e a equipe também mudou de função. Garçons e bartenders passaram a atuar como entregadores. “Eles recebiam US$ 10 por caixa (R$ 51,80) e faziam entregas em um raio de até 80 quilômetros”, diz.

O modelo direto ao consumidor foi lançado de forma enxuta. A resposta foi imediata: em seis semanas, o negócio vendeu cerca de 50 mil pizzas.

O crescimento rápido trouxe novos desafios. Após entrar em supermercados locais, Lee recebeu um alerta inesperado: um agente federal informou que todas as pizzas precisariam ser retiradas das prateleiras. O motivo: a venda de pizzas com pepperoni exige fiscalização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

“Perguntei se aquilo era realmente um problema”, relembrou Lee em entrevista ao Entrepreneur. “Ele respondeu que era um problema muito sério.” A empresa interrompeu temporariamente as operações, passou pelas inspeções exigidas e retomou a produção sob regulamentação federal.

A partir daí, o negócio ganhou escala. Lee se inscreveu no processo seletivo do Walmart e recebeu um Golden Ticket, atalho que garante acesso direto à distribuição nacional da rede.

Pouco depois, foi a vez da rede varejista Target entrar em contato. Lee viajou para Minneapolis esperando negociar um lançamento regional. A reunião terminou com um acordo nacional. O contrato, estimado em US$ 20 milhões (R$ 103,6 milhões), colocou as pizzas congeladas artesanais da marca em todas as lojas da varejista nos Estados Unidos.

“Quando soubemos que o pedido inicial era de 400 mil pizzas, quase entramos em pânico”, afirmou Lee. Para atender à demanda, a empresa ampliou as instalações, contratou dezenas de funcionários e produziu quase meio milhão de pizzas em pouco mais de três meses.

Em vez de esperar o desfecho para contar a história, Lee decidiu registrar o processo em tempo real. Uma equipe de documentaristas acompanhou a expansão do negócio, enquanto ela começou a escrever um livro de memórias em capítulos, relatando a construção da empresa à medida que tudo acontecia.

Aprendizado fora da sala de aula

Antes das pizzas congeladas e dos contratos com grandes varejistas, a trajetória de Lee foi marcada por contrastes. Ela não frequentou escola de culinária nem teve formação acadêmica formal. “Eu abandonei o ensino médio”, conta. A experiência veio do trabalho em cozinhas profissionais, moldada pela repetição e pelo dia a dia dos restaurantes.

Essa vivência também influenciou a forma como ela define sua equipe. “Somos um grupo improvável”, diz. “Mãe solo, chefs, criativos, ex-dependentes químicos, sonhadores. E agora estamos competindo com marcas bilionárias.”

Uma temporada vivendo em Florença, na Itália, durante a juventude, também deixou marcas. Segundo Lee, foi ali que desenvolveu uma relação mais prática com a culinária italiana, baseada em consistência e simplicidade, não em tendências ou apresentação. Essa visão acompanhou a empresária quando retornou aos Estados Unidos e abriu seu primeiro restaurante.

O início foi promissor, mas o negócio desmoronou em meio a problemas pessoais. Lee enfrentou a dependência química enquanto tentava manter a operação funcionando. Em determinado momento, foi afastada do próprio restaurante e acabou perdendo o controle da empresa.

A recuperação veio de forma gradual. À Entrepreneur, ela descreveu a sobriedade como um processo prático, não como uma virada dramática. “Ela te devolve o tempo. Você está presente todos os dias”, afirmou.

A maternidade também alterou sua relação com o negócio. Ao se afastar da operação diária, Lee precisou confiar mais na equipe. Observar outras pessoas assumindo funções que antes centralizava foi desconfortável, mas necessário para o crescimento.

Com o tempo, essa mudança ajudou a transformar a Katie’s Pizza & Pasta em um grupo de restaurantes em expansão. Hoje, a empresa opera três unidades em St. Louis e planeja abrir mais duas em 2025.

As lições acumuladas ao longo da vida — confiança, delegação e resiliência — se tornaram fundamentais durante a pandemia. Quando fala em sucesso, Lee evita associá-lo apenas a resultados financeiros. “O mais importante é poder dividir esse crescimento com pessoas que talvez nunca tivessem essa chance”, diz.

Para ela, a comida foi o ponto de partida. A sustentação do negócio veio de escolhas mais amplas: sobriedade, família e a construção de relações de confiança dentro da empresa.

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Telegram
+ Relacionadas