A história de Nelson Ferreira começa longe dos grandes centros comerciais, no Vale do Ribeira, região sul do estado de São Paulo. Filho de uma família simples e com forte vocação para o trabalho, ele iniciou a carreira como vendedor da Coca-Cola, em 2006. Foi ali, percorrendo rotas comerciais e observando o funcionamento da cadeia de abastecimento, que aprendeu os fundamentos que mais tarde definiriam seu estilo de gestão: disciplina, execução e olhar para o detalhe.
Três anos depois, com apenas 26 anos, decidiu empreender. Fundou a Frigonepi, uma pequena distribuidora de frios que começou com dois contêineres, dois caminhões e um objetivo claro: levar produtos de qualidade a um mercado pouco explorado, o litoral paulista. Sem experiência prévia no setor, Nelson compensou a falta de conhecimento com método e tecnologia. Implementou sistemas de controle logístico, investiu em automação e, em pouco tempo, fez a empresa dobrar de tamanho a cada dois anos.
O crescimento chamou atenção. Em menos de uma década, a Frigonepi se consolidou como a maior distribuidora do litoral, com um centro de distribuição moderno e mais de 9 mil posições de armazenamento. “Eu sempre acreditei que informação e processo são o que sustentam o crescimento. Antes de contratar mais gente, eu sempre busquei eficiência”, conta o empresário.
Em 2018, já com uma operação madura, ele tomou uma decisão ousada: abrir uma loja para atender diretamente o consumidor. Nascia a Frigo Express, um modelo de varejo de carnes e congelados que unia a eficiência da distribuição à conveniência da compra de bairro. A iniciativa, que muitos consideraram arriscada, virou um sucesso imediato, pois o faturamento superou R$500 mil no primeiro mês.
Pouco depois, Nelson recebeu uma proposta do Banco Pátria, que adquiriu a carteira de distribuição da Frigonepi. Ele vendeu o negócio, mas manteve a Frigo Express. “Foi um divisor de águas. A venda me deu fôlego para focar em algo novo, mas principalmente me ensinou a importância de escolher onde colocar a energia”, afirma.
A partir daí, concentrou-se totalmente no varejo. Mesmo durante a pandemia, abriu novas lojas e aperfeiçoou o modelo, sempre com base em dados, tecnologia e controle de operação. Em cinco anos, a Frigo Express chegou a 18 unidades próprias, com faturamento consistente e um sistema de gestão próprio que integra precificação, BI e abastecimento automático.
Agora, o foco de Nelson está na expansão por franquias. Com modelos de investimento a partir de R$199 mil e suporte completo ao franqueado, ele pretende atingir 350 unidades até 2030. “O nosso papel é dar condições para que o franqueado ganhe dinheiro. O sucesso dele é o que garante o futuro da marca”, resume ele.
O próximo passo é o mais simbólico: o retorno à distribuição, agora integrada à rede varejista. Com o fim do período de não concorrência, Nelson voltou a montar frota e equipe comercial, conectando indústrias, distribuidores e lojas. “Meu sonho sempre foi dominar a cadeia de ponta a ponta. Hoje, conseguimos controlar o produto desde o armazém até a mesa do cliente.”
Mais do que construir negócios lucrativos, Nelson se tornou um exemplo de empreendedor que transforma a execução em legado. O menino que começou vendendo refrigerante hoje lidera um ecossistema de alimentos que une inovação, proximidade e propósito. “Nada que construí foi sozinho. Eu acredito em parceria, gente boa e trabalho com método. O sucesso é consequência disso.”, conclui.







