Um vídeo que ultrapassou 2 milhões de visualizações no TikTok e 4,5 milhões no Instagram apontou um sentimento que, segundo a autora, é cada vez mais comum entre os Millennials — geração nascida aproximadamente entre 1981 e 1996: a revisão das escolhas profissionais diante do esgotamento, da alta do custo de vida e da frustração com a falta de retorno financeiro.
A autora do conteúdo é a norte-americana Jessi Jean Cowan, de 35 anos, que relata viver uma “fase de confusão de carreira” e afirma resumir o que muitos de sua idade vêm sentindo.
O depoimento de Cowan ganha força em um contexto de deterioração das condições no mercado de trabalho. Um relatório da Gallup, empresa global de consultoria e pesquisa, aponta que o bem-estar dos trabalhadores vem caindo desde 2022. Em 2024, apenas 21% dos profissionais no mundo se declaravam engajados com o trabalho. Essa falta de envolvimento tem reflexos econômicos: estimativas indicam que a perda de produtividade custou aproximadamente R$ 2,3 trilhões à economia global apenas no último ano.
Em entrevista à revista Newsweek, Cowan contou que a maternidade foi decisiva para repensar sua trajetória. “Eu estava em um ponto de virada, quando já não conseguia reunir a mesma motivação que tinha antes. O trabalho continua sendo profundamente importante, mas começou a parecer mais pesado”, afirmou.
Como muitos Millennials, ela cresceu sob a ideia de que estudar, concluir uma graduação e trabalhar duro garantiriam um futuro estável. Depois de anos investindo tempo e dinheiro na carreira, Cowan afirma ter chegado a um ponto em que passou a desejar um trabalho “mais leve e sustentável”. Para ela, a mudança não se limita a uma decisão individual, mas reflete um movimento mais amplo: a percepção de que há mais na vida do que o desempenho profissional.
A influenciadora acredita que fatores como crises econômicas recentes contribuíram para a chamada “crise de carreira” da geração. Segundo ela, isso explica por que tantas pessoas estão reavaliando prioridades e se perguntando se as carreiras tradicionais “valem o custo emocional e físico”.
O tema, segundo Cowan, é recorrente em suas conversas com amigos. “Muitos estão exaustos ou ressentidos com carreiras que se esforçaram para construir, ou se sentindo enganados por terem feito pós-graduação, acumulado centenas de milhares de dólares em dívidas, e a promessa de retorno financeiro simplesmente não se concretizar”, relatou.
Para ela, as expectativas mudaram. “Os Millennials querem tempo, espaço para cuidar da saúde mental e a capacidade de estar presentes para si mesmos e para suas famílias. Estamos muito menos interessados em cargos e muito mais interessados em construir uma vida que faça sentido, que seja flexível e equilibrada”, afirmou.
Cowan diz acreditar que o primeiro passo para enfrentar esse cenário é a conscientização. Ao falar publicamente sobre o tema, espera se conectar com outros profissionais de sua geração e ajudá-los a se sentirem menos sozinhos ou envergonhados por estarem passando por uma mudança de rumo na carreira, um fenômeno que, cada vez mais, deixa de ser individual para se tornar geracional.







