Depois de competir com Spotify, empreendedor mira automação de departamento pessoal de PMEs

Fonte: Redação

Após empreender ao lado dos irmãos e testar diferentes modelos de negócio com o streaming de música Superplayer, Gustavo Goldschmidt, 39 anos, agora aposta em um novo mercado. Ele é fundador e CEO da Kiip, spin-off que nasceu da operação original e tem como foco a automação de tarefas para o departamento pessoal de empresas. Lançada em março, a solução SaaS já tem 60 clientes.

Antes de plataformas internacionais, como Spotify, Deezer e Apple Music, dominarem o mercado brasileiro de streaming de músicas, havia a Superplayer, que nasceu no final de 2010 com a ideia de vender espaço para que usuários ouvissem músicas na nuvem, sem precisar sincronizar o mp3 player. Gustavo estava se formando em engenharia mecânica quando embarcou na ideia do irmão, Cassio, que vivia no Vale do Silício, nos EUA.

“Logo em seguida lançaram iCloud e Google Drive, então o espaço virou commodity. Precisávamos oferecer comodidade extra e seguimos o caminho das playlists. Lançamos com early adopters em grupos do Facebook e recebemos feedbacks positivos. Na primeira semana, tivemos 10 mil usuários ativos, número que saltou para 100 mil ao fim do primeiro mês”, relembra.

Startups:

Na Superplayer, não era possível escutar músicas de forma avulsa, apenas por meio de playlists, que eram inspiradas em situações do cotidiano. Em 2013, os irmãos receberam um e-mail de Fabrício Bloisi, cofundador da Movile. A startup recebeu um investimento de R$ 1,15 milhão, com participação da aceleradora 21212.

A Superplayer seguiu crescendo até cerca de 1,5 milhão de usuários ativos, quando a entrada da competição global se intensificou. O caminho para não quebrar foi trabalhar junto a grandes marcas para fazer plataformas white label: Bradesco, SBT e Azul Linhas Aéreas foram algumas que contrataram a startup.

“Eram projetos caros e poucas marcas tinham orçamento para isso. Descobrimos então o mercado de provedores de internet e começamos a licenciar serviços. Deixamos a cadeira da música para produzir conteúdo em áudio de forma geral”, conta Goldschmidt, ressaltando que a startup atingiu o lucro com esse modelo. “Não tive um mega sucesso estrondoso, mas empreendo há 15 anos. Não posso desvalorizar que criamos um negócio sustentável no Brasil”, acrescenta.

Além da Superplayer, o empreendedor teve experiências no conselho de outras empresas e percebeu que tinha conhecimento acumulado. O gostinho de “quero mais” fez com que ele resolvesse empreender novamente. “Nascemos como spin-off e quero que a Kiip seja lucrativa e sustentável rapidamente. Todo investimento tem o retorno medido na ponta do lápis. Não faço mais empresa para vender”, comenta.

Com a experiência prévia, Goldschmidt traçou o perfil do que queria no novo empreendimento. “Não queria ter dependência de fornecedor e queria que houvesse barreira de entrada a players estrangeiros, além de um ciclo de vendas rápido, receita pulverizada e venda para o B2B”, revela. Estudando possibilidades, viu espaço e potencial no departamento pessoal de empresas e acreditou que poderia entregar uma solução com experiência de usuário melhor do que o mercado oferecia.

“Grandes players, como SAP e Totvs, atendem corporates, enquanto as pequenas e médias têm plataformas que organizam mais do que automatizam. O empreendedor brasileiro só contrata SaaS quando vê que haverá ganho de eficiência, escalabilidade e otimização nos resultados da empresa. A grande chave para mim era a automação”, diz.

Com a mão de obra qualificada, mas ociosa, da Superplayer, e capital para investir, Goldschmidt começou a desenvolver a Kiip, software que integra os processos do departamento pessoal, como admissão, gestão de documentos, ponto, férias e montagem da folha de pagamento, e promove automação de tarefas.

O processo durou dois anos, em parceria com dez clientes beta, e contou com investimento inicial de cerca de R$ 3 milhões. O lançamento oficial aconteceu em março de 2025. “Poderia ter saído, captado e agora ter uma participação maior, ser dono da Kiip. Mas preferi levar todo mundo comigo e gerar valor para quem investiu na Superplayer. Não quis abandonar o que construí”, ressalta.

A startup foca em empresas entre 50 e 350 colaboradores, que usam contabilidade externa. O software é vendido em dois formatos (com e sem ponto), e a cobrança é feita por colaborador ativo. O tíquete médio é de R$ 1 mil por empresa.

Não há custo de implementação ou fidelidade. De acordo com o CEO, o churn [taxa de perda de consumidores] está zerado. Atualmente, cerca de 60 clientes utilizam a solução. “Crescemos mais nos negócios de economia real, com maiores riscos trabalhistas. Hoje temos várias empresas de terceirização de segurança predial e limpeza, e mineradoras. Estamos começando a ter mais clientes da agricultura e pecuária”, pontua.

Com a meta de chegar a 200 clientes e 30 mil colaboradores ativos na plataforma até o fim de 2026, a Kiip vai fortalecer a estratégia junto a contadores, desenvolvendo parcerias para a oferta do serviço, além de investir em inteligência artificial e novas automações para os clientes.

Focado em criar uma empresa rentável e sustentável, Goldschmidt não descarta uma rodada de investimento no futuro. “O aporte é saudável quando as métricas estão boas. Temos conversas com investidores, mas estamos alinhados com a ideia de usar o capital para crescer bem, com um valuation mais racional que permita uma saída nos moldes brasileiros”, conclui.

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