Receitas asiáticas, saborosas e bem-executadas, com toque contemporâneo e pitadas de brasilidade foram a escolha de quatro sócios para montar o próprio negócio, o Fat Buddha, em 2021, em São Paulo (SP). Gabriel Fujita, 29 anos, Fernando Damião, 30, Lucas Ometto, 28 e Rodolfo Srour, 28, juntaram habilidades, interesses e R$ 120 mil para iniciar o empreendimento.
O dinheiro, conta Damião, foi suficiente para adequar a cozinha da avó de Ometto como uma dark kitchen (cozinha com foco exclusivamente no delivery), que foi o primeiro centro de produção, e comprar ingredientes e suprimentos para criar o delivery: “Sempre brinco que, no início, a gente não tinha caixa nem para a próxima compra”, diz. Era literalmente vender o almoço para comer no jantar, como se diz por aí.
Mas, como mostra outro ditado popular, “quem tem amigo tem tudo”. O delivery “bombou” entre os amigos dos quatro, que compraram bastante todos os dias. No primeiro mês em atividade, o Fat Buddha faturou R$ 100 mil. E não parou mais. “Percebemos que o negócio estava dando certo já no mês seguinte, quando muitas outras pessoas que não eram do nosso círculo de amizades, estavam comprando nossa comida”, conta Fernando Damião.
O negócio, que nasceu como delivery e hoje conta com três pontos de cozinha/distribuição, acaba de inaugurar o primeiro restaurante, no bairro do Brooklin, Zona Sul de São Paulo (SP). É uma aposta no que Damião chama de “fast casual”, uma comida feita rapidamente, mas de forma cuidadosa. Combina ingredientes de qualidade e sabor com serviço dinâmico em um ambiente descontraído e agradável.
O restaurante fica em um dos três pontos que preparam os quitutes para delivery. O cliente pode fazer o pedido no totem ou pelo aplicativo. Quando a comida fica pronta, ele pega por uma janelinha e escolhe entre levar para casa ou comer ali. O salão tem 24 mesas individuais e compartilhadas.
Damião destaca que o pedido pelo totem oferece cashback automaticamente e o realizado pelo app rende pontos para o programa de fidelidade que podem ser utilizados no restaurante ou no delivery. O Fat Buddha possui entrega própria e também pelo iFood e 99Food.
No ano passado, o negócio teve R$ 7,2 milhões de faturamento e a previsão para este ano é de um crescimento de 90% – deve atingir R$ 13 milhões. “Estimamos que apenas o delivery onde abrimos o restaurante, fature cerca de 30% a mais”, afirma o empresário.
Divulgação orgânica
Os sócios têm papel bem definido no negócio. Eles não gostam da “pompa” do cargo porque, afinal, “são uma pequena empresa”, mas na prática, Damião é o CMO, Sror, o chef executivo, Fujita, o CEO/CFO e Ometto, o COO. Fernando, Lucas e Rodolfo são amigos desde a adolescência e Fujita conheceu Rodolfo em um curso de gastronomia.
“Começamos o Fat Buddha sem conhecer muito sobre negócios e estamos sempre aprendendo. Ajuda o fato de sermos bem alinhados sobre o que queremos e sobre o futuro, além de respeitarmos nossos espaços e funções. Ganhamos maturidade e melhoramos dia a dia”, afirma Damião.
Para o empreendedor, o maior desafio do empreendimento é manter o padrão: “Exigimos uma comida feita com carinho e é difícil contratar mão de obra que atenda ao que precisamos com alto nível”, diz.
Até meados de novembro, os pratos mais vendidos em 2025 foram o Chicken Fried Rice, com cerca de 13 mil unidades, o Orange Chicken Domburi, com cerca de 7 mil unidades e o Fried Rice de Costela Angus, com 6 mil.
Desde o início, a estratégia de crescimento do Fat Buddha é calcada nas redes sociais. “Lembro que logo no começo, enquanto meus sócios estavam colocando a mão na massa para abrirmos a operação, eu tive suspeita de covid e fiquei isolado. Então, decidi enviar mensagens personalizadas para nossas redes de contato e percebemos que isso deu muito certo”, conta.
A marca, que atinge principalmente o consumidor jovem, passou a circular nos Instagram de maneira orgânica. Influenciadores como Fred Sabbag, Gabriel Gasparini (Gaspa Indica), Isa Scherer e Ravi Leite postaram – e postam até hoje – voluntariamente e o delivery cresceu e apareceu. “Não pagamos por posts. Às vezes, entramos em contato com alguns influencers perguntando se eles gostariam de experimentar nossa comida. Mas eles só postam se gostarem e se quiserem”, explica o CMO.
E eles gostam. Os clientes também, segundo os empreendedores. Por isso, os sócios acreditam que têm espaço para expandir. A primeira unidade do restaurante é o passo inicial para eles criarem outras operações desse tipo, o chamado “fast casual”. O plano é abrir dez lojas e faturar R$ 50 milhões até 2028. “A ideia é termos o híbrido, um ponto de produção para delivery e local para consumir ali, se o consumidor quiser, crescendo de forma orgânica, saudável e espiral”, diz.
Damião conta que já foram sondados por investidores, mas, por enquanto, preferem seguir sozinhos. “Somos uma empresa saudável, geradora de caixa. Só toparíamos investimentos vindos de parceiros estratégicos que, eventualmente, já tivessem passado pelas mesmas dificuldades que nós, porque poderiam trazer sua experiência e antecipar erros que já vivenciaram. Enquanto isso não acontece, estamos por nós mesmos, porém, não estamos sozinhos: vivemos ouvindo o mercado, falando com conhecidos, que não são mentores nem conselheiros oficiais, mas nos ajudam bastante”, conclui.







