De R$ 70 no primeiro dia a publis de R$ 30 mil com grandes marcas: a trajetória de Laurinha do Camarão

Fonte: Redação

Em 2000, Laura Pontes da Silva, hoje com 60 anos, enfrentou o fim de seu casamento e a necessidade de sustentar os filhos sozinha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Sem ocupação profissional anterior, começou coletando cobre e ferro-velho. A transição para o setor de alimentos ocorreu por sugestão de vizinhos, em uma região onde a venda ambulante de crustáceos era a principal atividade econômica. Atualmente, à frente da marca Laurinha do Camarão, a empreendedora opera na Praia de Charitas, em Niterói, e registra resultados que incluem contratos publicitários de R$ 30 mil e vídeos com mais de 31 milhões de visualizações.

O primeiro investimento de Silva foi viabilizado pela venda de materiais recicláveis, o que permitiu a compra de 5 kg de camarão. Um conhecido do setor auxiliou no preparo inicial e no treinamento para a venda. “Ele preparou o camarão e me disse que, se eu quisesse vender, teria que aprender. No primeiro dia, levei 100 espetinhos e vendi 70. Na época, cada um custava R$ 1. Voltei para casa feliz com R$ 70 e decidi que era ali que eu ficaria”, afirma Silva.

A partir da segunda remessa, a empreendedora assumiu todo o processo produtivo, desde a limpeza e o tempero até a fritura. A mudança para a Praia de Charitas marcou a consolidação de seu estilo de venda, caracterizado pelo uso de jingles espontâneos para atrair o público.

A viralização e a estrutura digital

Silva não possuía aparelho celular quando os primeiros registros de sua atuação começaram a circular na internet. O marco da transição para o ambiente digital foi um vídeo gravado por um banhista na Praia de Ipanema, em que ela utilizava o bordão “E não é acerola, não é jamelão. Chegou a Laurinha do camarão”. Publicado no Instagram em 15 de novembro de 2023, o post alcançou 31,5 milhões de visualizações.

Com o auxílio das filhas, Silva criou perfis oficiais que hoje acumulam 551 mil seguidores no TikTok e 370 mil no Instagram. Atualmente, a operação tem o suporte de uma assessoria profissional para a edição de conteúdo e gestão de marcas, embora a própria empreendedora realize as gravações. “Eu gravo e mando para eles, que editam e postam. Ainda estou aprendendo a lidar com tudo, mas o carisma com o público ajuda no crescimento”, diz Silva.

Custos e operação logística

A estrutura de custos da Laurinha do Camarão sofreu alterações significativas em 25 anos. O insumo básico, que no início da década de 2000 permitia a venda do espetinho por R$ 1, hoje é adquirido por R$ 450 a caixa de 16 kg. O preço final do petisco ao consumidor é de R$ 20, com promoções de três unidades por R$ 50.

O processo produtivo envolve a limpeza manual dos camarões — realizada com auxílio dos filhos — seguida por tempero, empanamento e fritura. Silva concentra a atuação comercial aos sábados, domingos e segundas-feiras. A escolha da segunda-feira é estratégica: “É o melhor dia quando o sol está quente, porque quem trabalha em padarias e salões de beleza costuma folgar e vai para a praia”, explica.

A carga de trabalho física, no entanto, gerou impactos na saúde da empreendedora, que hoje convive com três tendinites no braço esquerdo, uma no braço direito e artrose no joelho. Devido a essas limitações, o volume transportado para a areia foi reduzido para uma média de 100 espetos por dia de trabalho.

Diversificação de receita e publicidade

O faturamento do negócio não provém mais exclusivamente da venda direta na areia. Silva estruturou três frentes principais de receita:

  • Venda direta e encomendas: Além da abordagem na praia, Silva atende pedidos antecipados. Recentemente, registrou uma venda única de 40 espetos para uma família, totalizando R$ 800. Turistas de outros estados, como Minas Gerais, costumam encomendar até 50 espetos para transporte em viagens de retorno.
  • Monetização de plataformas: Desde outubro de 2025, o perfil de Silva no TikTok passou a ser monetizado. No primeiro mês de operação nesta modalidade, a conta gerou R$ 2 mil em rendimentos.
  • Contratos publicitários: O perfil de influenciadora atraiu marcas de grande porte. Silva já realizou campanhas para Cheetos, Dorflex e Seda. Recentemente, finalizou uma peça publicitária para o banco Nubank. O valor médio cobrado por Silva para contratos de publicidade é de R$ 30 mil.

A visibilidade também resultou em participações em clipes musicais, como no lançamento do bloco do artista Pedro Sampaio, gravado na Lapa.

Gestão familiar e plano de expansão

A gestão financeira do negócio é compartilhada com a filha, Larissa, que organiza o fluxo de caixa e o pagamento de insumos como gás e temperos. Silva vive atualmente em uma residência com 10 pessoas, entre filhos e netos, e afirma que o faturamento atual permitiu uma melhora na qualidade de vida da família em comparação ao início da trajetória.

O planejamento para o futuro do negócio foca na transição do modelo itinerante para um ponto físico. Silva projeta a abertura de um quiosque na Praia de Charitas. “O sonho é ter um quiosque. Eu teria uma equipe para vender na areia e ficaria parada no ponto físico, porque minhas pernas já não aguentam mais caminhar tanto na areia quente”, revela.

Para quem pretende iniciar no empreendedorismo, Silva destaca a persistência como fator determinante. “Eu não fiquei paralisada em casa. Fui à luta, perseverei e insisti por 20 e poucos anos. O conselho que deixo é não desistir nunca do sonho, independentemente das dificuldades”, conclui.

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