Ir além dos escritórios e do eixo Rio-São Paulo é a aposta da Jan-Pro, rede de franquias norte-americana especializada em serviços de limpeza comercial, para crescer no Brasil. De olho em nichos de mercado, com foco em serviços especializados, a rede projeta um faturamento de R$ 85 milhões no país em 2025, com as cidades de Manaus (AM), Belo Horizonte (MG) e Belém (PA) liderando o ranking de maiores fontes de receita.
Fundada em 1991 nos Estados Unidos, a Jan-Pro chegou ao Brasil em 2010. Atualmente, a rede conta com 440 unidades em operação no país, divididas entre 19 estados. Para Matheus Freitas, um dos cinco sócios da Jan-Pro Brasil e diretor de marketing e expansão da empresa, a capilaridade da companhia em um país continental foi justamente o que levou a rede a apostar na oferta de serviços especializados para setores com demandas mais regionais.
“A liderança de Manaus e a força de BH e Belém não são um acaso. É o resultado da nossa estratégia de focar em nichos B2B complexos. […] A especialização nos permitiu crescer em mercados onde a demanda é de alta performance e quebrou a dependência do eixo Sudeste”, diz.
De acordo com Freitas, a percepção do potencial de cada região foi impulsionada pelo apoio de franqueados locais. No caso de Manaus, cidade líder em faturamento no Brasil, o que gera maior retorno para a companhia é o polo industrial da cidade. A empresa conta com um máster-franqueado na região, que antes de entrar para a Jan-Pro já trabalhava no setor de limpeza B2B e via o potencial do segmento. Atualmente, Manaus conta com 26 franquias da rede, que juntas devem faturar 32,4 milhões neste ano.
Segundo o diretor de expansão, todos os manuais utilizados no Brasil vêm da sede norte-americana, que oferece treinamentos para demandas específicas. “Não é um treinamento genérico para trabalhar com pano de chão e balde, tem produtos químicos e equipamentos para cada área”, afirma Freitas.
Depois da capital do Amazonas, as outras duas cidades que compõem o top 3 de maiores receitas da rede também têm nos serviços especializados a principal fonte de faturamento. Em segundo lugar está Belo Horizonte, com forte atuação no segmento de concessionárias de veículos, seguida por Belém, com demandas sobretudo no setor de saúde, com contratos com hospitais e clínicas.
“Os processos vêm do padrão da marca americana, mas o que acontece é o que a gente chama de ‘tropicalização’. Não é uma tradução, é uma tropicalização para se adequar à legislação e regras técnicas”, aponta Freitas, que afirma que, para atuar no segmento de saúde, por exemplo, a companhia buscou certificações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para atender às normas médicas.
Para dar conta da variedade de demandas do mercado brasileiro, a rede tem três modelos de negócio: Microfranquia, Franquia Gerencial e Franquia Empresarial. Os formatos e valores variam conforme o segmento e o porte do cliente.
No caso da microfranquia, o próprio franqueado é responsável pelo atendimento, destinado a escritórios e pontos comerciais que não necessitam de um prestador de serviço em tempo integral. Já o franqueado gerencial, que atende escritórios, precisa contratar funcionários e oferecer uma equipe completa aos potenciais clientes. O empresarial trabalha com contratos maiores, incluindo indústrias.
No terceiro trimestre deste ano, o segmento de Limpeza e Conservação foi o que mais cresceu no franchising brasileiro, com um avanço de com 14,5% na comparação com 2024. No período, o setor atingiu um faturamento de R$ 612 milhões.
Atualmente presente em oito países, a Jan-Pro tem no Brasil seu terceiro maior mercado em número de unidades e em faturamento. Em 2024, a empresa faturou mais de R$ 67,5 milhões no país, com previsão de chegar a R$ 85 milhões neste ano. Para 2026, a meta é abrir 100 novas franquias e chegar a um faturamento anual de R$ 100 milhões.







