Creditas capta US$ 108 milhões; nova decisão do BC impacta fintechs: os destaques da semana

Fonte: Redação

Dezembro começou agitado para as fintechs. De um lado, a Creditas teve três movimentações relevantes: a captação de uma Série G de US$ 108 milhões (R$ 577 milhões), a aquisição da licença bancária do Andbank Brasil e o lançamento da marca Creditas Seguros, evolução da Minuto Seguros, comprada em 2021.

Do outro, o Banco Central anunciou uma decisão que proíbe fintechs de usar termos que remetem a atividades para as quais não têm autorização e um projeto de lei que aumenta a tributação sobre essas instituições foi aprovado e seguiu para a Câmara dos Deputados.

Nesta edição da newsletter você ainda lê sobre aportes, como os de Lastlink e Mission Brasil, e a expansão da Company Hero para o Chile, dando início à internacionalização.

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Nova fase

A Creditas, unicórnio que oferece soluções de crédito com garantia, anunciou nesta semana que a Minuto Seguros, adquirida em 2021, passa a operar como Creditas Seguros. O movimento busca acelerar a venda cruzada entre as unidades de negócios da empresa. Segundo o head de marketing, Lucas Madeira, o lançamento vem após o rebranding da Creditas no ano passado, etapa avaliada como necessária para fortalecer a marca antes da criação da submarca.

Fundada em 2012, a Minuto continuará existindo durante um período de transição, com renovações de contrato migrando gradualmente para o nome Creditas Seguros. A nova unidade nasce com a herança de mais de 800 mil apólices contratadas, R$ 2,4 bilhões em prêmios emitidos, mais de 1,2 milhão de carros segurados e parceria com 16 seguradoras.

Nesta semana, a Creditas, que soma mais de 500 mil clientes ativos e projeta crescer 25% ao ano nos próximos cinco anos, também anunciou o fechamento inicial de uma rodada Série G de US$ 108 milhões (R$ 577 milhões), liderada pelo Andbank Group. O unicórnio foi avaliado em US$ 3,3 bilhões – abaixo do valuation da última rodada, em 2022. A empresa ainda divulgou a aquisição da licença bancária do Andbank Brasil.

Fintechs

Tributação. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (2/12) o PL 5.473/2025, que aumenta a tributação de fintechs. A proposta altera a lei 7.689/1988 e eleva a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de forma escalonada – de 9% para 12%, em 2026, e para 15% em 2028. O projeto segue para a Câmara dos Deputados.

Nomenclatura. O Banco Central anunciou novas regras que proíbem instituições financeiras de utilizarem termos que remetem a atividades para as quais não têm autorização, em português ou em língua estrangeira. A medida afeta empresas que usam “banco” ou “bank”, por exemplo, no nome sem possuir a licença correspondente. As instituições que estiverem em desacordo deverão apresentar, em até 120 dias, um plano de adequação válido por no máximo um ano, abrangendo nome empresarial, nome fantasia, marca e domínio de internet. O impacto inicial deve atingir entre 15 e 20 instituições.

Licença. Após o anúncio, o Nubank informou que pretende obter uma licença bancária no Brasil em 2026. Segundo a empresa, marca e identidade visual não sofrerão alteração após a decisão do Banco Central. A fintech diz que a mudança não afeta seus mais de 110 milhões de clientes e que todas as operações seguem normalmente. O Nubank possui licenças para atuar como Instituição de Pagamento, Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários; a futura instituição bancária não altera os requisitos adicionais de capital e liquidez do conglomerado.

Aportes

Turbi. A locadora de veículos 100% digital captou R$ 30 milhões junto ao Banco Santander para reforçar o caixa e sustentar seu ritmo acelerado de crescimento. A projeção é encerrar o ano com receita próxima a R$ 400 milhões. A operação ocorre após a aquisição de 1,4 mil automóveis no terceiro trimestre deste ano, o que ampliou a frota para cerca de 7 mil carros — mais que o dobro de 2024. Com receita líquida recorde de R$ 113 milhões no terceiro trimestre, a startup mantém um modelo 100% digital de aluguel por hora, diária ou assinatura em 300 estacionamentos parceiros na Grande São Paulo.

Lastlink. A plataforma de infraestrutura para negócios de empreendedores digitais levantou R$ 28 milhões em uma rodada Série A liderada pela Astella, com participação de BTG Pactual e Endeavor Scale-Up Ventures. A startup, que já tem uma operação lucrativa, viabiliza monetização de cursos, mentorias, eventos e comunidades — com integração de pagamentos — e gera insights e relatórios. A Lastlink projeta processar mais de R$ 1 bilhão em pagamentos em 2026.

Mission Brasil. Com uma tese que aposta no crescimento da gig economy, a plataforma que conecta empresas a profissionais para trabalhos sob demanda captou R$ 20 milhões em uma extensão da rodada seed liderada por Headline e DOMO.VC. A startup cresceu mais de 125% em 2025 e ultrapassou 1 milhão de usuários em mais de 5 mil municípios. Com o capital, a Mission Brasil prevê acelerar o uso de inteligência artificial, expandir frentes operacionais e crescer 210% nos próximos 12 meses.

oiwhite. A marca brasileira de cuidado bucal criada há dois anos pelos empreendedores suíços Luca Ernst e David Wiprächtiger acaba de receber um aporte pré-seed de R$ 5 milhões, liderado por family offices e investidores privados internacionais. A injeção de capital chega em meio a um crescimento mensal de 30% e financiará novas linhas de produtos, incluindo cremes dentais clareadores que estão previstos para chegar ao mercado em janeiro. Com presença maior no digital, a startup está dando os primeiros passos no varejo físico, com vendas nas redes de farmácia Loretta e Panvel.

Multiagents. A startup, que desenvolve agentes de inteligência artificial, anunciou uma rodada de aproximadamente R$ 1,5 milhão do fundo norte-americano Conscience e da SC Angels para acelerar a expansão do negócio. Fundada em 2023 e incubada pelo CELTA, da Fundação CERTI, a Multiagents desenvolve agentes que automatizam tarefas em canais como WhatsApp, e-mail, ligações e redes sociais, integrando-se a CRMs e outros sistemas corporativos sem exigir conhecimento técnico. A plataforma já processou mais de 500 mil atividades, economizando de 20 mil a 25 mil horas de trabalho humano. Com atuação no Brasil e nos Estados Unidos, a startup atende cerca de 50 clientes e prevê um faturamento de R$ 1 milhão em 2025.

Lubs. A marca de produtos para saúde e bem-estar sexual concluiu uma rodada de R$ 1,3 milhão na plataforma de equity crowdfunding EqSeed. Fundada em 2019, a empresa tem margem bruta de 67%, recorrência de 60% no e-commerce, e mais de 60 mil clientes. Além da presença digital, o portfólio de 16 produtos é vendido em mais de 300 pontos de venda como Droga Raia, Pacheco e Venâncio. Os recursos captados serão destinados à expansão da produção, fortalecimento do supply chain e avanço do canal B2B, que deve saltar de 23% para 70% da receita em cinco anos.

Brasileira ‘self-made’

A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornou-se a bilionária ‘self-made’ mais jovem do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão (R$ 6,93 bilhões), segundo a Forbes. Ela é cofundadora da Kalshi, plataforma de mercado de previsões avaliada em US$ 11 bilhões (R$ 58,63 bilhões), e alcançou o marco após a empresa levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,33 bilhões) em uma rodada liderada pela Paradigm, com participação de Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.

Bailarina profissional, com formação na Escola de Teatro Bolshoi, ela mudou de área e estudou ciência da computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Na universidade, conheceu Tarek Mansour, com quem criou a Kalshi a partir da ideia de permitir que pessoas negociassem probabilidades de eventos futuros. A empresa passou por rápido crescimento após participar da aceleração da Y Combinator, saltando de um valuation de US$ 2 bilhões para US$ 11 bilhões em um ano. Hoje, Lara detém cerca de 12% da Kalshi, o suficiente para colocá-la entre os bilionários mais jovens do planeta, superando Lucy Guo, cofundadora da Scale AI.

Expansão

A Company Hero, startup de soluções digitais para profissionais PJ, anunciou o início de sua expansão internacional com a abertura de uma operação no Chile. A base receberá investimento de R$ 10 milhões e terá, na primeira fase, a oferta de escritórios virtuais – solução já utilizada por 55 mil clientes no Brasil. A escolha pelo país se deve à estabilidade do ambiente de negócios, ao alto grau de formalização dos profissionais autônomos e à forte digitalização, fatores destacados pelo CEO Miklos Grof.

Em seis semanas, a operação chilena está próxima de atingir 200 clientes, com unidades do escritório virtual inauguradas em Santiago e planos de ampliar a presença na capital antes de avançar para outras cidades. A companhia estuda se os próximos passos priorizarão o lançamento de novos produtos no país ou uma expansão mais rápida para outros mercados da América Latina. A expectativa é que a frente internacional alcance receita anual recorrente de R$ 50 milhões até 2028. No Brasil, o indicador subiu de R$ 35 milhões para R$ 57 milhões neste ano.

M&A

A Starian, spin off da Softplan que reúne soluções SaaS para as áreas de indústria da construção, inteligência legal e eficiência operacional, anunciou a aquisição da Contato Seguro, de canais de denúncia corporativos. O movimento reforça a estratégia de ecossistemas de SaaS vertical da spin-off, que já havia anunciado um aporte de R$ 640 milhões da General Atlantic em agosto. O M&A levou à criação de uma nova unidade de negócio dedicada a governança, compliance e RH.

O valor da transação não foi divulgado, e a aquisição está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Contato Seguro tem 3 mil clientes, tecnologia própria, multicanais de atendimento, recursos avançados de IA generativa e serviços complementares. A empresa projeta receita líquida acima de R$ 65 milhões em 2025, alta de 39% em relação ao ano anterior. A operação traz sinergia ao portfólio – 18% da base da adquirida já coincide com outras soluções da Starian.

Oportunidade

Deeptechs. O Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), abriu inscrições para o Programa DNA. São 35 vagas exclusivas para startups em diferentes estágios de maturidade, alinhadas à Nova Política Industrial Brasileira e conectadas às missões nacionais em agroindústria sustentável digital, saúde, descarbonização e indústria 4.0. A iniciativa segue uma metodologia em três ciclos — descoberta, negócios e aceleração — voltados a validação, estruturação, captação, escalabilidade e internacionalização. As inscrições estão abertas até 20 de janeiro de 2026 pelo site.

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