Como usar tecnologia para aumentar a produtividade da sua empresa

Fonte: Redação

Embora a tecnologia esteja entre nós e, a todo momento, vivamos situações nas quais elas estão incluídas – de um acesso rápido à conta bancária no celular, pedir um carro pelo aplicativo ou passar as compras pelo caixa de autoatendimento no supermercado –, quando se trata de implementá-la na empresa, muitas vezes, o processo é lento, o que pode comprometer a produtividade.

O negócio que não se atenta isso fica para trás. No relatório “Reprogramadas e Disparadas”, a consultoria McKinsey mostra que a distância entre empresas líderes (que sabem identificar e implementar Inteligência Artificial) e as retardatárias aumentou drasticamente. “A margem de diferença subiu de 10 para 16 pontos entre 2020 e 2022, provando que o problema não é o acesso à ferramenta, mas a capacidade holística de fazê-la funcionar”, explica Kenneth Corrêa, professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Muitas empresas ainda têm dificuldades para identificar tecnologias que aumentam a produtividade. Mais: acham complicado reconhecer como elas podem ser utilizadas para essa finalidade. Para Gustavo Leal, diretor-geral do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), a produtividade nas médias empresas brasileiras é impactada por um conjunto de fatores estruturais e culturais: “Em geral, elas cresceram focadas na operação e na entrega, mas sem tempo ou método para revisar processos, medir desempenho e planejar investimentos tecnológicos”, afirma.

Média é Mais:

Ele aponta que, além disso, a baixa previsibilidade na economia, a pressão por custos e a dificuldade de acesso a conhecimento técnico também dificultam. Isso tudo leva a empresa a acreditar que produtividade é fazer mais com menos, em um prazo curto. “Ela não trata o tema como uma agenda estratégica de médio e longo prazos”, diz Leal.

É um engano, porém, achar que as médias empresas sofrem impactos na produtividade porque possuem tecnologias ao seu alcance. “Não tem a ver com falta de acesso a ferramentas, mas com uma profunda dificuldade de orquestração e mudança cultural. Muitas empresas compram softwares modernos, mas mantêm processos e mentalidade analógicos, e não reconfiguram o modo como o trabalho é feito”, explica Corrêa.

Vale destacar que a tecnologia, por si só, não gera diretamente um aumento de produtividade. Gustavo Leal, do Senai, aponta que, segundo o Smart Industry Readliness Index (SIRI), uma espécie de guia para avaliação de transformação digital apoiado pelo Fórum Econômico Mundial e utilizado no programa Brasil Mais Produtivo (iniciativa do Governo Federal que visa aumentar a produtividade e a transformação digital de micro, pequenas e médias empresas industriais), os ganhos de produtividade na Indústria 4.0 dependem de três pilares fundamentais: processos, tecnologia e pessoas. “O verdadeiro ganho vem do alinhamento e integração desses pontos”, diz.

Para Kenneth Corrêa, da FGV, o erro mais comum cometido por empresas em relação à questão tecnologia-produtividade é o que ele chama de “síndrome da joia”. “Isso acontece quando a companhia adota a tecnologia pelo ‘hype’ [moda] e não pela dor real do negócio”, acredita.

“Muitos negócios contratam ferramentas isoladas, como um plano pago do ChatGPT, sem antes mapear onde está o gargalo do processo”, diz. O resultado pode ser frustrante, onde a ferramenta vira um acessório de luxo que não torna a rotina mais produtiva. “A tecnologia só traciona quando os profissionais efetivamente envolvidos entendem o propósito, caso contrário, você apenas automatiza a confusão”, resume.

Levar em consideração que o uso da tecnologia para melhorar a produtividade no negócio exige um ciclo contínuo de aprendizagem é outro ponto vital. Não basta investir em software, é preciso dar tempo e treinamento para que os funcionários aprendam a operar dentro da nova realidade. Em seu livro “Organizações Cognitivas” (Editora Oeste), Kenneth Corrêa defende que a produtividade escalável não vem de ferramentas soltas, mas da transição para Redes de Agentes Inteligentes (RAIs) – redes que contam com múltiplos programas de software que usam IA para interagir e colaborar entre si.

Tecnologias que podem melhorar a produtividade na sua empresa

Áreas como marketing e vendas, RH, administrativa e financeira e jurídica e de compliance são alguns dos exemplos que podem se beneficiar com recursos tecnológicos. Veja como isso funciona, segundo os especialistas Gustavo Leal e Kenneth Corrêa.

  • IA (Inteligência Artificial) Generativa reduz drasticamente o tempo de criação de campanhas e análise de mercado para quem atua com marketing e vendas. “Ferramentas como Midjourney e Looka aceleram a identidade visual e o design, enquanto o Gamma.app transforma ideias em apresentações comerciais e pitches de venda em segundos. O Perplexity.ai faz pesquisas de mercado em tempo real”, explica Corrêa.
  • Sistemas de integração vertical e horizontal (ERP/MES) integram todos os setores da empresa (financeiro, estoque, produção etc.). “Eliminam retrabalho e facilitam o fluxo de informações”, diz Gustavo Leal.
  • Na indústria, Internet das Coisas (IoT) e sensoriamento coletam dados em tempo real sobre máquinas e processos, possibilitando ajustes automáticos, o que reduz falhas e desperdícios.
  • Ferramentas de realidade virtual e aumentada permitem treinamento com simulações realistas, ajudando a incrementar a eficácia do aprendizado e a reduzir custos e riscos da capacitação.
  • O digital twin (ou gêmeo digital, em português) possibilita criar réplicas digitais de produtos, processos ou máquinas para testar cenários, otimizar operações e prever falhas antes de acontecerem na fábrica real. “Isso minimiza custos com erros, acelera o tempo de desenvolvimento e melhora a tomada de decisões”, afirma Leal.
  • As chamadas Redes de Agentes Inteligentes (RAIs) são indicadas para os setores de operações e logística. Há ferramentas que permitem criar agentes digitais que monitoram estoques, otimizam rotas e gerenciam pedidos de forma autônoma. Não substitui o humano, mas libera os gestores para focarem na resolução de exceções e na estratégia de expansão. Corrêa indica plataformas como Relay.app ou NBN.
  • Aprimorar ou desenvolver novas habilidades podem ser facilitados com ferramentas que sintetizam o conhecimento – o que torna o trabalho das áreas de Recursos Humanos e Treinamento mais produtivo. Segundo Kenneth Corrêa, o NotebookLM, do Google, pode transformar toda a base de documentos técnicos da empresa em um “podcast” de estudo, videoaula de alta qualidade ou um guia de perguntas e respostas. “O ElevenLabs permite criar treinamentos em áudio, facilitando a comunicação interna de forma escalável e personalizada”, diz.
  • Para transformar dados brutos em decisões, a empresa pode contar com ferramentas que facilitam a “conversa” entre o colaborador e diferentes planilhas, gerando dashboards e identificando correlações sem precisar ser um cientista de dados. “Isso democratiza a inteligência do negócio e ajuda na tomada de decisões com base em evidências”, afirma o professor da FGV.

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