Com IA no WhatsApp, startup quer ajudar agências de turismo a competir com as traveltechs

Fonte: Redação

A Blis.AI automatiza reservas, remarcações, reembolsos e atendimento; em um ano, empresa levantou R$ 1,6 milhão e alcançou valuation de R$ 20 milhões

Rafael Cohen (CEO), Luiz Antunes (CTO) e Rodrigo Cioffi (COO), os cofundadores da Blis.AI
Rafael Cohen (CEO), Luiz Antunes (CTO) e Rodrigo Cioffi (COO), os cofundadores da Blis.AI — Foto: Divulgação

Uma viagem para o Vale do Silício fez com que os amigos Rafael Cohen, 26, e Luiz Antunes, 27, percebessem que era o momento de voltar a empreender. Ao lado de Rodrigo Cioffi, 27, eles fundaram a Blis.AI, startup de inteligência artificial para o setor de turismo que captou R$ 1,6 milhão em pouco menos de um ano, alcançando o valuation de R$ 20 milhões.

A IA desenvolvida pela startup executa tarefas como cotações, reservas de hotéis, marcação de assentos, cancelamentos, remarcações, emissões e reembolsos de passagens. As empresas também têm acesso em tempo real a dashboards atualizados sobre receita, atendimento e satisfação. Pelo WhatsApp, um agente de IA responde a perguntas sobre a operação em linguagem natural.

A startup iniciou a operação no ano passado focando no B2B, como parceira de agências de turismo corporativo, integrando-se aos sistemas usados pelas empresas. “Crescemos muito, mas percebemos que não dava para depender dos sistemas antigos que elas usavam, então viramos uma plataforma ‘tudo em um’ para que essas agências batam de frente com qualquer traveltech. Ofereço a ferramenta para ela não ficar para trás na era da inteligência artificial”, afirma Cioffi, COO da Blis.AI.

Desde junho, a startup passou a atender agências de turismo de lazer, percebendo que a dor é a mesma: atendimento e satisfação do cliente. “O momento é muito interessante para a gente porque essas agências estão perdendo clientes e precisam de tecnologia. Elas sabem vender, mas não têm know-how tecnológico”, acrescenta Cioffi.

Os sócios se conheceram enquanto estudavam no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), em Belo Horizonte (MG). Com perfis complementares, eles decidiram empreender juntos e, em 2020, aos 19 anos, eles lançaram a Easy Barbers, marketplace que conectava barbeiros autônomos a clientes que queriam cortar o cabelo em casa durante a pandemia de covid-19. A plataforma intermediou milhares de cortes.

“Vimos que dá para tirar uma ideia do papel, que conseguimos fazer um negócio acontecer. Não foi daquela vez, a vacinação avançou e o modelo tradicional voltou, mas ficou o aprendizado. Trabalhamos e erramos juntos e a experiência não nos limitou”, opina Cohen, CEO da Blis.AI.

Após o fim do marketplace, Cohen mudou-se para São Paulo (SP) e trabalhou por quase quatro anos na BeFly, onde se aproximou do mercado de turismo, Antunes estudou engenharia de software e Cioffi empreendeu com a Digital Bot, empresa parceira da plataforma de soluções conversacionais Blip. Cohen, imerso no ambiente corporativo, sentia vontade de voltar a empreender e decidiu visitar o Vale do Silício, nos Estados Unidos, berço das startups e empresas inovadoras.

“O momento de crescimento da IA no mundo casou com as fases que estávamos passando. Entre janeiro e maio de 2025, eu e Luiz estudamos em Stanford, vivenciando o ambiente, indo a eventos. Voltamos da Califórnia sabendo que não havia outro momento para iniciar uma empresa”, relembra Cohen. Cioffi se juntou ao time fundador no retorno dos amigos ao Brasil

A startup iniciou a operação em outubro de 2025 e, no mês seguinte, ainda sem gerar receita, levantou R$ 1,1 milhão com Stamina Ventures e investidores-anjo, a um valuation aproximado de R$ 10 milhões. O lançamento oficial só aconteceu em fevereiro deste ano, em um evento de turismo.

Em julho, Leonardo Barros – fundador da Tangerino, de controle de ponto digital e outras soluções para o departamento pessoal, vendida para a Sólides em 2022 – dobrou a aposta na Blis.AI, interessado nas métricas da startup, que registra receita recorrente mensal (MRR) de R$ 400 mil, e fez um novo aporte de R$ 500 mil, aumentando a sua participação no negócio. O valuation dobrou e superou R$ 20 milhões. 70% do investimento foi direcionado para o time de desenvolvimento, enquanto o restante foi distribuído para estratégias de marketing.

“Fizemos uma rodada pequena inicialmente, mas sabíamos de potenciais clientes para o produto e tínhamos uma convicção grande de que aumentaríamos a receita de forma rápida. Não temos queima de caixa relevante, usamos apenas parte da primeira rodada”, diz Cohen. O trio planeja abrir uma nova rodada ainda neste ano.

Com 102 clientes, a Blis.AI opera no formato SaaS, com planos que vão de R$ 200, para turismo de lazer, a até R$ 8 mil, para corporativo, a depender das funcionalidades disponíveis. A meta é elevar o MRR para R$ 1 milhão até o final do ano, com 150 contratos ativos – para isso, a startup está em contato com franqueadoras para aumentar o alcance do produto.

Os sócios também estudam a internacionalização em 2027, inicialmente para Argentina e México, a partir de agências que já atendem no Brasil, com operação globalizada.

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