Fora do circuito das grandes operadoras de turismo no Brasil, como a Decolar e a CVC, com faturamento só nos três primeiros trimestres de 2024 de perto de R$ 9 bilhões, existem médias empresas do setor que estão mirando na personalização e na proximidade com o passageiro. Esse modelo cabe em operadoras como a Cativa, empresa de 24 anos que faturou R$ 330 milhões em 2024. “Nascemos em Porto Alegre (RS) com a proposta de conectar agentes de viagens a produtos competitivos, cuidando da experiência do cliente”, diz o CEO, Marcelo Adams. “Somos uma operadora 100% B2B, atendendo exclusivamente agências de viagens. Hoje, nosso portfólio reúne mais de 5 mil agências parceiras e uma rede de 10 mil agentes de viagem, com foco em pacotes de viagens para lazer”, afirma.
O setor no Brasil faturou cerca de R$ 108 bilhões no primeiro semestre de 2025, um recorde batido desde o início da aferição pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), em 2012. O faturamento geral em 2024 foi de R$ 22,9 bilhões — R$ 5,46 bilhões (25%) com os destinos nacionais e R$ 16,63 bilhões (75%) com os internacionais —, segundo o anuário 2025 da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa). “No nosso caso, tivemos em 2025, até setembro, um aumento de 51% de vendas comparado com o mesmo período de 2024”, diz Adams.
Grupos com guia
A empresa evoluiu de uma estrutura local para atuação nacional apostando em parcerias de longo prazo com agências. “Isso, somado ao foco em produtos exclusivos como ‘Grupos com Guia’, que acompanham o passageiro desde o check-in no Brasil até o desembarque”, afirma o CEO, acrescentando que neste ano essa modalidade já apresenta um aumento de 64% em relação a 2024.
Seu público recorrente é o de pessoas com mais de 50 anos, sendo boa parte de seus produtos voltados para essa faixa de idade, sempre por meio de uma agência de viagens parceira que garanta suporte qualificado. “Tem crescido a procura por experiências culturais e gastronômicas, roteiros temáticos e viagens em grupo com propósito, especialmente entre os 50+, que valorizam conforto, segurança e conexões humanas”.
Média é Mais:
Os cuidados incluem um guia preparado para intercorrências médicas. “É um modelo ideal para quem quer aproveitar sem preocupações”. Na lista dos roteiros mais vendidos estão o circuito italiano, viagens para o Leste Europeu e capitais imperiais.
Crescimento em 2025
Segundo Adams, houve uma mudança de comportamento no viajante após a pandemia: “Tivemos uma mudança clara no perfil. Se antes ele buscava somente o melhor preço, hoje o foco está em experiências autênticas vividas no destino. O cliente não se importa mais em pagar um valor um pouco mais elevado, desde que possa viver uma experiência exclusiva”, afirma.
A Cativa teve um crescimento em 2024, comparado com 2023, de 38%, transportando mais de 120 mil passageiros, mesmo com o impacto da enchente entre abril e maio de 2024, que paralisou por meses o aeroporto de Porto Alegre, principal local de embarque e desembarque do Rio Grande do Sul.
Bloqueio aéreo
Apesar de todo o processo de compra poder ser feito online, sem intermediação, a Cativa mantém 70 colaboradores na equipe comercial, além de pessoal focado no pós-venda. Como as grandes, a operadora trabalha com os chamados “bloqueios aéreos”, ou seja, assentos de avião reservados com antecedência em diversas companhias. “Somos a operadora com mais bloqueios no Brasil. É uma estratégia que garante melhores tarifas, mais opções de datas e prazos de pagamentos ampliados, tanto para os agentes de viagens quanto para os clientes. Hoje temos mais de 50 mil passagens aéreas compradas antecipadamente ativas por ano. Isso garante disponibilidade mesmo em períodos de alta temporada”.







