De rodízio a refrigerante de caldo de cana, pastelarias mostram como criatividade e experiência ajudam a manter o produto sempre atual
Crocante por fora, recheado por dentro e presente há décadas em feiras, lanchonetes e pastelarias de todo o país. O pastel pode até ser um velho conhecido dos brasileiros, mas isso não significa que tenha parado no tempo. No Dia do Pastel, celebrado em 4 de outubro, histórias de pequenos negócios mostram como um produto tradicional continua conquistando consumidores ao ganhar novos sabores, formatos e, principalmente, experiências.
Para Bruno Lopes, gestor de Alimentos e Bebidas do Sebrae, parte da força do pastel está na versatilidade. O produto combina ingredientes básicos de custo relativamente baixo, permite operações mais enxutas e consegue acompanhar mudanças no comportamento do consumidor, seja no delivery, no cardápio ou na forma de servir.
“É possível começar uma operação de pastelaria com estrutura enxuta, como barracas de feira e food trucks. Além disso, com o avanço das embalagens térmicas e com respiro antiumidade, o pastel ganhou força no delivery digital”, explica.
Essa capacidade de adaptação também abre espaço para inovar mesmo trabalhando com um produto tradicional. Bruno aponta entre as tendências os recheios premium e inspirados na gastronomia regional, massas aromatizadas ou funcionais, opções veganas, minipastéis e modelos em que o próprio consumidor escolhe os ingredientes. A criatividade, porém, precisa caminhar junto com a gestão, com atenção à padronização dos recheios, controle de custos, segurança alimentar e qualidade do produto.

Um rodízio para mudar o rumo do negócio
Em Brasília (DF), inovar foi questão de sobrevivência para a Sr. Fogazza. Rafael Rodrigues e a esposa, Nicolly Marinho, abriram a pastelaria durante a pandemia, unindo a vontade de empreender à necessidade daquele momento.
Desde o início, buscaram fugir do formato convencional: em lugar de oferecer apenas sabores fechados, deram ao cliente liberdade para montar o pastel com as combinações que preferisse. A proposta permitiu atender tanto quem buscava os sabores tradicionais quanto consumidores dispostos a experimentar novidades.
A grande virada, porém, aconteceu quando o negócio atravessava um período difícil e precisava aumentar o faturamento para continuar aberto. Durante uma viagem a São Paulo para fazer um curso de pasteleiros, o casal conheceu uma empresa que trabalhava com rodízio e decidiu apostar na ideia.
“No momento do desespero, tivemos a ideia de implantar o rodízio e adaptar ao nosso negócio como algo exclusivo para o cliente”, relembra Rafael. O que nasceu como uma tentativa de aumentar o movimento acabou se tornando a principal atração da casa.
O rodízio mudou a trajetória da Sr. Fogazza. O que inicialmente era para ajudar no faturamento se tornou o nosso principal produto e viralizou de uma forma absurda.
Rafael Rodrigues, empreendedor
Segundo o empreendedor, o fluxo cresceu a ponto de a pastelaria precisar mudar para uma loja maior para atender o novo volume de clientes com mais conforto e oferecer uma experiência melhor do início ao fim.

A feira como experiência
Se na Sr. Fogazza a inovação apareceu no formato de consumo, na Pastel DiFêra ela está na experiência construída ao redor de um dos alimentos mais associados às feiras brasileiras. Criada em 2023, a marca buscou transformar essa memória afetiva em identidade. O famoso vira-lata caramelo e pombos aparecem no universo visual, enquanto tubaína no saquinho e sorvete retrô ajudam a transportar o consumidor para lembranças de infância. “Nosso grande diferencial está justamente nessa combinação entre tradição, inovação e experiência”, destaca a marca.
Até a dupla pastel e caldo de cana ganhou novas interpretações. A bebida tradicional virou refrigerante e até milk-shake, numa tentativa de surpreender sem romper com a essência da feira. A proposta se estende ao ambiente descontraído e “instagramável”, ao desenvolvimento de receitas próprias e à busca constante por novidades no cardápio. A expansão também veio por meio de franquias, levando o conceito a diferentes estados brasileiros.
Em São José dos Campos (SP), Cristina Lins encontrou nesse modelo a oportunidade de transformar sua afinidade com atendimento e hospitalidade em negócio. Para a franqueada da unidade local, a experiência oferecida ao consumidor é tão importante quanto o produto.
“Aqui, não vendemos apenas pastéis. Oferecemos comida boa, comida afetiva, aquela que desperta lembranças, reúne famílias e cria momentos felizes”, afirma. Entre rodízios, novas bebidas e memórias de feira revisitadas, os negócios mostram que inovar não precisa significar abandonar a tradição, pode ser justamente encontrar novas maneiras de mantê-la viva.
Apoio do Sebrae
O Sebrae apoia empreendedores do setor de alimentação fora do lar em iniciativas como o Prepara Gastronomia, que oferece capacitações, consultorias e conteúdo para melhorar a gestão, aumentar as vendas e fortalecer a competitividade dos negócios. Para saber mais sobre o Prepara, entre em contato com o Sebrae local.





