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Cafeteria proíbe o uso de notebooks após clientes pedirem silêncio para fazer reuniões

Fonte: Redação

Uma cafeteria localizada em Canterbury, cidade do sudoeste da Inglaterra, proibiu a permanência de clientes com notebooks, para evitar que o espaço seja utilizado como um local de trabalho à distância. Segundo os proprietários, o estabelecimento tomou a decisão para recuperar o “clima” positivo e sociável no local.

Em entrevista ao Daily Mail, Alfie Edwards, um dos sócios da Fringe and Ginge Coffee, conta que as pessoas que iam ao café unicamente para trabalhar e consumiam apenas uma bebida durante horas estavam prejudicando a atmosfera do negócio. Após a proibição, Edwards diz que a clientela passou a se comunicar mais entre si, criando uma comunidade mais interativa.

O sócio conta que, no início, a decisão de proibir o uso de notebooks no estabelecimento foi difícil, já que a cultura de trabalhar e estudar em cafés e restaurantes havia sido amplamente adotada pelo público com a popularização do trabalho remoto. No entanto, ele e sua sócia, Olivia Walsh, defendem que essa escolha foi a melhor alternativa para o desenvolvimento da empresa.

“Tivemos algumas experiências muito ruins com pessoas pedindo para desligarmos a música para que pudessem fazer reuniões no Zoom. Há tantos lugares onde você pode ir e alugar uma mesa, você pode trabalhar nas bibliotecas”, relata.

Nesse sentido, o proprietário conta que queria que os clientes da Fringe and Ginge Coffee ficassem à vontade no espaço, sem se sentir intimidados ou obrigados a fazer silêncio por conta de outra pessoa trabalhando e fazendo chamadas de vídeo no local.

O negócio foi aberto por Alfie e Olivia em julho de 2020, no auge do isolamento social – o que fez a cafeteria atrair adeptos do trabalho remoto após as regras de confinamento se tornarem mais flexíveis. Com o decorrer do tempo, os sócios notaram que esse modelo fazia com que a cafeteria ficasse em um silêncio ensurdecedor.

Olivia Walsh e Alfie Edwards abriram a cateferia durante a pandemia, em 2020 — Foto: Reprodução/Instagram/Mon
Olivia Walsh e Alfie Edwards abriram a cateferia durante a pandemia, em 2020 — Foto: Reprodução/Instagram/Mon

“É tão bom ter pessoas que antes eram estranhas e que agora conversam regularmente. [Proibir o uso de notebooks] é apenas algo que tivemos que fazer, não queríamos que as pessoas ficassem chateadas, mas foi a decisão correta”, afirma.

Proibição é válida no Brasil

Placas dispostas no local avisavam sobre a proibição: “Mesas destinadas somente a consumo de alimentos. É proibida a permanência e utilização de notebooks, tablets e demais aparelhos eletrônicos para trabalho remoto e reuniões, sejam elas online ou presenciais”.

Anteriormente, em resposta a uma reclamação publicada online, o estabelecimento alegou que a proibição foi motivada por ‘inúmeros problemas’ relacionados ao uso de computadores. “A recorrência desse tipo de situação foi alta e por isso nos sentimos obrigados a proibir a utilização do espaço para trabalho”, diz a réplica.

De acordo com Carolina Vesentini, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), proprietários de estabelecimentos podem proibir o uso de eletrônicos desde que isso seja previamente informado aos consumidores.

“Se a informação estiver nitidamente disponível para todos os clientes, ele estará consciente e terá a opção de decidir por permanecer ou sair do recinto, mas deve aderir às normas estabelecidas do local”, afirma.

Vesentini pontua que, apesar de o estabelecimento ser privado e poder determinar as próprias normas, o empreendedor em questão perdeu a razão ao ameaçar e agredir o cliente.

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