Brasileiro cria incubadora em Portugal para apoiar imigrantes que querem empreender

Fonte: Redação

Portugal vem se consolidando como uma das principais portas de entrada para empreendedores estrangeiros na Europa, mas a adaptação ainda passa por barreiras que vão muito além da burocracia. Foi para preencher essa lacuna que o brasileiro Thiago Vieira criou a Incubou, incubadora voltada a imigrantes, e a Cybertech Acceleration, primeira aceleradora 100% focada em startups de cibersegurança do país, oferecendo desde apoio à instalação no novo mercado até acesso a mentores, clientes e investidores.

Vieira chegou ao país para fazer mestrado em direito empresarial e começou a trabalhar no ramo imigratório, em 2018. No dia a dia do escritório, percebeu que podia ir além da consultoria ao ouvir reclamações de empreendedores que migraram com o Startup Visa [visto de residência para empreendedores com capacidade de inovação] e se queixavam das incubadoras locais.

“Eu quis oferecer para eles uma abertura de portas que não tive. Eu cheguei sem conhecer ninguém e criei o relacionamento do zero, sei como é difícil. E vai além de um documento: é preciso entender que há etapas para se estabelecer em um país, como encontrar apartamento e escola para os filhos, antes de empreender”, pontua.

Startups:

Programador desde 2010, ele empreendeu pela primeira vez em 2014 com a Bevieri Informática, ERP para prestadores de serviço do nicho de manutenção industrial. Três anos depois, o negócio foi vendido para uma software house de Blumenau (SC), terra natal de Vieira. Ele já estava com o desejo de estudar em Portugal e a saída apareceu como a oportunidade perfeita.

O país criou incentivos fiscais para startups que são vinculadas a incubadoras certificadas pelo governo, como taxa mais baixa no imposto cobrado sobre lucro e prioridade no processo de contratação de imigrantes, com um visto especial. Com essas iniciativas, Portugal se tornou um hub importante para empresas de base tecnológica na Europa.

Apesar da forte concentração em Lisboa, a capital, o Norte do país está se desenvolvendo neste sentido: o Porto é o segundo maior ecossistema de Portugal, onde há um polo de formação de talentos e concentração de indústrias e empresas de tecnologia. É nesse contexto que a Incubou está sediada, em Vila Nova de Gaia, cidade vizinha ao Porto. Para ser certificada, a incubadora precisou de uma sede própria – Vieira investiu 120 mil euros na compra e restauração de um imóvel.

Depois de estabelecer a operação, o empreendedor se inscreveu em um edital de financiamento público que buscava propostas inovadoras e decidiu resgatar a experiência que tinha em cibersegurança. O projeto foi aprovado, e a Cybertech Acceleration iniciou as atividades em maio de 2025 com 10 startups selecionadas para uma jornada de oito meses, que contou com apoio da ACE. O ciclo se encerrou com apresentações para 40 investidores globais durante o Web Summit Lisboa, em novembro.

“A cibersegurança é baseada em confiança, tem muita relação com quem está por trás da solução. Trabalhamos com o founder para dar palestras, entrevistas, ter um posicionamento, além de estratégias de vendas. É um mercado específico, é preciso conhecer para indagar e auxiliar da melhor forma”, acrescenta. De acordo com o fundador, os brasileiros que trabalham com cibersegurança são bem-vistos pela maturidade profissional.

A incubadora tem parcerias com empresas, como consultorias e locadoras de automóveis, dispostas a conhecer as soluções das startups, analisar e avaliar o desenvolvimento de projetos piloto. Em 2025, registrou um faturamento de 120 mil euros e Vieira projeta dobrar a receita neste ano – o grande sonho é chegar ao faturamento de um milhão de euros em 2030.

Para sustentar esse crescimento, a Incubou começou a criar – e vender – produtos. O fundador revela que, no primeiro programa de aceleração, não cobrou pelo serviço e se arrependeu ao ver que outras incubadoras chegavam a cobrar 3 mil euros pelo mesmo. O salto no faturamento em 2025 veio da venda para o segundo programa de aceleração, com imersão nos Estados Unidos. Outros produtos incluem o Business Development, para quem quer mais ajuda para abrir portas e se conectar a pessoas estratégicas.

Uma das aceleradas é a CyberME, fundada por Halan Borges. Com 30 anos de experiência na área de tecnologia, ele já empreendia no Brasil desde 2021 com a Eduka7, edtech de treinamentos em cibersegurança e nuvem. Em 2024, ele fundou a CyberME, com foco no serviço de consultoria sobre o tema. “Portugal tem se destacado como polo de inovação na Europa. Decidi vir pela facilidade do Startup Visa, pela alta qualidade da mão de obra local e pelo idioma”, afirma. Borges imigrou para o país em setembro de 2025 e a startup iniciou a prospecção com potenciais clientes.

Durante a aceleração, ele desenvolveu o cyber mentor, inteligência artificial para capacitação em cibersegurança, que funciona como um tutor para agilizar a aprendizagem. “O governo está com uma agenda de modernização, o país está passando por uma mudança cultural. A área de cibersegurança faz parte disso, com a conscientização sobre a segurança cibernética. Estar entre brasileiros ajuda e traz dinamismo para os negócios”, conclui.

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