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BeBook, turistech de tarifas dinâmicas para hotéis, capta R$ 1 milhão com Bertha Capital

Fonte: Redação

A turistech BeBook, software para precificação dinâmica para hotéis, anuncia nesta quinta-feira (23/5) que recebeu um aporte de R$ 1 milhão da gestora Bertha Capital. O capital será direcionado para a potencialização da inteligência artificial utilizada para a recomendação de tarifas e o aumento de ações de marketing para atrair mais clientes.

O setor de turismo representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, de acordo com os dados do Relatório de Impacto Econômico do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WWTC), com forte influência da hotelaria. A BeBook prevê o uso de sua solução por assinatura para aumentar a receita dos negócios do ramo.

A inteligência artificial da startup integra os sistemas utilizados pelos hotéis para analisar histórico de reservas, fluxo de demanda, período de consulta e outras variáveis, como o preço praticado pela concorrência, para entregar o valor por quarto para o cliente na hora da pesquisa, com o objetivo de equilibrar a taxa de ocupação com o retorno médio por ocupação.

O capital será direcionado para o adensamento da inteligência artificial criada pelo time da turistech. O restante será destinado para a compra de equipamentos e a alavancagem dos times de marketing e comercial para atrair mais clientes para a plataforma.

“Até então, a IA utilizava uma árvore de decisões: se tenho uma vacância de x, pratico o preço y. Se a concorrência cobrar a, eu cobro b. Estamos testando a recomendação de tarifa de outra forma para entregar a mais de 600 canais de venda dos gerenciadores de reserva online, como o Booking”, explica Christiano Penna, CEO e fundador da BeBook.

O portfólio da startup tem produtos para hotéis de diferentes tamanhos e necessidades. Além da precificação automatizada com uso de IA na versão mais robusta, o software entrega informações como previsibilidade de faturamento, orçamento disponível e quantidade de reservas em grupo e individuais, possibilitando que o profissional que cuida da precificação – o revenue manager – tome as decisões.

Formado em arquitetura, Penna nunca pensou em trabalhar de carteira assinada. Ele começou a programar ainda na infância, quando ganhou um computador, aos seis anos. Trabalhando com gestão estratégica, ele teve contato com um hotel com problemas de performance. Estudou gerenciamento de receita e aplicou os conceitos em uma planilha do Excel, fazendo com que o faturamento crescesse 20% no ano. “Fui apresentado a aplicações de IA e passei para plataforma de inteligência empresarial (BI), integrando bancos de dados. Quando soube da possibilidade de escalar isso criando uma solução, resolvi investir. Não fiz pesquisa, mas acreditava que os hotéis precisavam de algo assim”, relembra.

Startups:

A startup foi fundada em 2016, em Ilhéus, com o nome IT Cacau. O negócio atraiu investimentos da gestora LightHouse, que tem uma tese de investir em startups de fora do eixo Sul-Sudeste. Foram três aportes, entre 2020 e 2023. “Eu não tinha a pretensão de captar, mas me falaram que tinham fundos olhando para o que fazemos e que daria para escalar. Comecei a negociar sem pretensão e veio a pandemia, o turismo fechou, os clientes ligavam cancelando os contratos. Ou eu pegava o investimento, ou fechava as portas”, conta.

O baque da crise sanitária impactou a operação da startup. O investimento foi utilizado para alavancar o negócio e, em 2021, a turistech passou por um rebranding para perder a cara agrícola e regional, tornando-se BeBook.

Foi o relacionamento com a LightHouse que abriu as portas para a conversa com a Bertha, que tem olhado com atenção para startups que adotam IA. Rafael Moreira, fundador da gestora, afirma que se trata de um segmento difícil, de competição com grandes players internacionais, por isso a busca por adoção e não geração da tecnologia.

“Sabemos que o produto da BeBook pode aumentar a estrutura de receita, principalmente de redes hoteleiras de médio porte. O produto está maduro, foi muito testado. Já tínhamos a tese de olhar para turistechs que pudessem beber da estrutura de dados. Também há a possibilidade de plugar outras receitas a partir desses dados, como oferta de crédito para os estabelecimentos e outras soluções que podem criar o caminho para a startup ser cobiçada em uma aquisição estratégica no futuro”, pontua Moreira.

Com a injeção de capital, a BeBook espera triplicar o faturamento neste ano e alcançar 450 clientes até o fim de 2025. Recentemente, a startup fechou contrato com uma rede com hotéis no Paraguai e na Argentina – a internacionalização está nos planos para atender mais negócios. “Eu costumo dizer que o nosso mercado não é hotel, é quem quer melhorar performance, quem se incomoda de estar no lugar comum. Nosso cliente costuma ser mais analítico, perspicaz, maduro e orientado por dados”, finaliza o fundador.

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