A atriz Melissa Joan Hart, eternizada pelo papel principal na série “Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira” (anos 90), tornou-se o centro de um debate sobre segurança no e-commerce e inteligência artificial nesta semana. Hart utilizou as redes sociais para mostrar a discrepância entre um vestido que comprou online e o produto que realmente recebeu.
No último sábado, a atriz publicou em seu Instagram uma comparação do pedido feito no site Muyra. A imagem do anúncio exibia um vestido deslumbrante, com bordados de árvores de Natal extremamente detalhados, flores de tecido aplicadas, decote profundo e cintura marcada. No entanto, o que chegou à sua casa foi uma peça sem estrutura e com uma estampa de baixa qualidade que apenas imitava a textura original.
“Fazer compras online é um saco!”, escreveu Hart na legenda. “Vou ousar e usar um suéter natalino chique e feio este ano”, brincou, acrescentando que o vestido “fica melhor na foto do que pessoalmente”.
Sinais de alerta e IA
O caso chamou a atenção para o uso enganoso de Inteligência Artificial em vitrines virtuais. Especialistas e internautas apontaram que a foto do anúncio original possuía o “filtro amarelo” característico de imagens geradas por ferramentas de IA, além de uma perfeição visual difícil de ser replicada em tecidos reais por um preço baixo.
O vestido custava apenas US$ 34,99 (aproximadamente R$ 191,04). Além disso, a peça fazia parte de uma promoção agressiva que oferecia um quinto item com 99% de desconto.
A jornalista Marina Watanabe postou o caso no X: “Preciso de alguém para ver como está a Sabrina, a bruxa adolescente que está furiosa porque o vestido de inteligência artificial de um site que vende itens com ‘99% de desconto’ não era legítimo”.
Além da questão visual, a reputação da loja já era um indicativo de risco. A empresa de cibersegurança Gridinsoft classifica a Muyra com uma pontuação de apenas 14 em 100 em sua escala de confiabilidade, sinalizando o site como “suspeito”.
Cenário de risco
O caso da atriz reflete uma tendência crescente detectada por órgãos de defesa do consumidor. Uma pesquisa recente do Procon-SP, divulgada em agosto de 2024, revelou que 24% dos consumidores entrevistados já foram vítimas de golpes ou fraudes envolvendo Inteligência Artificial. Entre os problemas mais citados, estão justamente o uso de perfis falsos e ofertas de valores muito abaixo da média de mercado — exatamente o “modus operandi” que enganou Hart.
O impacto financeiro é gigantesco. Segundo relatório da consultoria Juniper Research, as fraudes em pagamentos online, impulsionadas por deepfakes e identidades sintéticas criadas por IA, devem gerar prejuízos globais acumulados superiores a US$ 343 bilhões (cerca de R$ 1,8 trilhão) nos próximos cinco anos. No Brasil, o cenário também exige cautela: o Mapa da Fraude da ClearSale apontou cerca de R$ 1,2 bilhão em tentativas de fraude no e-commerce apenas no primeiro semestre de 2024.
Reação da web
Embora Hart não seja a primeira a ser enganada por anúncios falsos, a internet não perdoou o descuido da celebridade. No Instagram e na rede social X (antigo Twitter), usuários questionaram como alguém com acesso a recursos financeiros e artísticos não percebeu a fraude.
“Não me venham dizer que não sabiam que aquilo não era inteligência artificial. Essa foto foi claramente feita por IA, ela tem até aquele filtro estranho por cima”, comentou uma usuária. Outro perfil ironizou: “Alguém que possui obras de Salvador Dalí, Rembrandt, Picasso e Degas encomenda um vestido falso de IA online por US$ 35 (R$ 191,10) e reclama disso. Isso é hilário.”







