Marketplace conecta viajantes a roteiros, hospedagens e experiências ligadas à cultura negra; empresa reúne mais de 800 fornecedores e atua em 18 países

Em Florianópolis (SC), a guia de turismo e turismóloga Bia Pimentel transformou uma inquietação pessoal em trabalho. Negra e moradora do Sul do país, ela questionava por que a história e a cultura afro-brasileira apareciam tão pouco nos roteiros turísticos da cidade. A resposta veio por meio do afroturismo, modalidade que coloca a trajetória, os personagens e os patrimônios negros no centro da experiência. Hoje, seus passeios são comercializados pela plataforma Diaspora.Black, plataforma criada para conectar viajantes a experiências, hospedagens e serviços ligados à cultura negra.
A Diaspora.Black surgiu em 2016, a partir de uma experiência de racismo vivida pelo empreendedor Carlos Humberto, CEO da empresa. Na época, ele recebia turistas em um apartamento no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e relata que um casal desistiu da hospedagem ao descobrir que o anfitrião era negro.
O episódio levou o empresário a enxergar uma oportunidade de criar um ambiente mais seguro e acolhedor para viajantes e profissionais negros do turismo. Para tirar a ideia do papel, reuniu outros sócios e lançou uma plataforma voltada à oferta de experiências conectadas à cultura afro-brasileira.
O modelo funciona como um marketplace. Guias turísticos, anfitriões e outros prestadores de serviço anunciam roteiros, hospedagens, traslados e pacotes de viagem na plataforma. Quando uma venda é realizada, a Diaspora.Black fica com uma comissão e repassa o restante ao fornecedor.
“Nós vendemos produtos que mudam a vida das pessoas”, comenta Humberto.
Segundo Haroldo Nascimento, diretor comercial e de marketing, a curadoria é uma das principais frentes da empresa. A equipe avalia não apenas a qualidade dos anúncios e dos roteiros, mas também a conexão das experiências com a história e a representatividade negra.
Dez anos após sua criação, a Diaspora.Black reúne mais de 800 fornecedores cadastrados, oferece experiências em 145 cidades e possui atuação em 18 países. A empresa conta com uma equipe de 30 pessoas, opera de forma remota em diferentes cidades e acaba de inaugurar seu primeiro escritório internacional, em Portugal.
Em 2025, a companhia registrou faturamento anual de R$ 4 milhões. Para Humberto, o crescimento mostra que o afroturismo deixou de ser um nicho para se consolidar como mercado. “Nós somos uma empresa de impacto social e estamos transformando o turismo não só brasileiro, mas global”, afirma.
Confira a seguir a reportagem completa exibida no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Globo:
Afroturismo transforma cultura e história em negócio







