Com apenas 18 anos, o americano Michael Satterlee, de Clifton Park, no estado de Nova York, conseguiu o que muitos empreendedores levam anos para alcançar: faturar US$ 315 mil (cerca de R$ 1,67 milhão) em apenas um mês. A marca por trás desse desempenho é a Cruise Cup, criadora do Beerzooka, um porta-latas impresso em 3D que viralizou nas redes sociais e se transformou em um fenômeno de vendas. As informações são da Entrepreneur.
Antes disso, Satterlee já havia fundado a Solefully, empresa que produzia acessórios personalizados para Crocs com impressão 3D. Mesmo cursando o ensino médio em tempo integral, ele chegou a faturar seis dígitos com o negócio. Ao se formar, decidiu direcionar todos os esforços para um novo produto, aproveitando um ativo que já tinha em mãos: impressoras 3D ociosas.
A ideia da Cruise Cup surgiu justamente da tentativa de dar melhor uso às máquinas. Segundo Satterlee, a demanda pela Solefully havia diminuído, e parte das impressoras estava sem uso. Foi então que ele decidiu criar uma nova loja virtual com foco em produtos diferentes.
As capas térmicas para latas de bebida chamaram sua atenção. Em vez de apenas replicar modelos já existentes, ele buscou um diferencial: criar um produto mais fácil de usar e com potencial de viralização. A solução foi desenvolver um porta-latas que abrisse tanto na parte superior quanto na inferior, permitindo que a lata fosse deslizada com facilidade. Depois de alguns testes, surgiu o grande diferencial: um mecanismo que ejeta automaticamente a lata vazia ao inserir uma nova, em um sistema semelhante ao de recarga de cartuchos.
Com experiência em CAD (desenho assistido por computador), Satterlee conseguiu desenvolver um protótipo funcional em apenas um dia. A partir daí, passou a aplicar conhecimentos adquiridos em seu primeiro negócio, como estruturação de loja na Shopify, criação de conteúdo para redes sociais e estratégias de viralização.
Redes sociais como motor de crescimento
O Beerzooka foi lançado nas redes sociais e rapidamente explodiu. Um único vídeo alcançou 50 milhões de visualizações, impulsionando a marca e as vendas. De acordo com a Entrepreneur, somente em novembro de 2025, a Cruise Cup faturou mais de US$ 300 mil (cerca de R$ 1,6 milhão).
A estratégia de crescimento da empresa está fortemente ancorada na construção de comunidade. Satterlee utiliza comentários dos seguidores como fonte de inspiração para melhorias e novos recursos do produto. Para ele, as pessoas não querem apenas seguir uma empresa, mas sim acompanhar uma história. Por isso, estrutura a marca como se fosse um influenciador digital, estimulando engajamento constante.
A Cruise Cup opera em um galpão de cerca de 140 metros quadrados e é totalmente autofinanciada. Todo o dinheiro gerado pelas vendas é reinvestido no próprio negócio. Atualmente, a empresa conta com dois funcionários em tempo integral, responsáveis por remover suportes das peças impressas, aplicar rótulos, embalar e enviar os pedidos.
Segundo Satterlee, contratar funcionários foi um dos maiores desafios, especialmente em períodos de alta demanda, como as festas de fim de ano. Ainda assim, ele defende que delegar tarefas operacionais é essencial para que o fundador consiga focar no crescimento estratégico da empresa.
Impressão 3D como vantagem competitiva
Entre os equipamentos utilizados, a impressora favorita do empreendedor é a Bambu Lab A1, que custa menos de US$ 300 (aproximadamente R$ 1.596). Cada ciclo de impressão permite produzir três unidades do Beerzooka em cerca de 15 horas, o que exige uma grande quantidade de máquinas para atender picos de demanda.
Segundo ele, a impressão 3D permite testar rapidamente produtos e responder a tendências virais. Um único vídeo orgânico, sem investimento em anúncios pagos, já gerou pedidos de até 500 unidades de uma só vez.
A estratégia de marketing começa com testes orgânicos no TikTok e no Instagram. Quando um conteúdo performa bem nessas plataformas, a empresa escala os anúncios no Facebook. O resultado foi um crescimento acelerado: no lançamento, em agosto, a Cruise Cup faturou cerca de US$ 100 mil (R$ 532 mil) no primeiro mês.
Em setembro, com ajustes na estratégia, o faturamento caiu para US$ 55 mil (R$ 292,6 mil). Já em outubro, com maior investimento em mídia paga, voltou ao patamar de US$ 100 mil. O auge veio em novembro, com os US$ 315 mil. Em dezembro, os anúncios foram pausados para dar conta da entrega dos pedidos antes do Natal.
Em janeiro, as vendas recuaram para cerca de US$ 25 mil (R$ 133 mil), reflexo da sazonalidade e do inverno no hemisfério norte, período menos favorável para a venda de porta-latas.
Para escalar o negócio, Satterlee planeja migrar a produção do Beerzooka para o metal. A ideia é trabalhar com fornecedores e produzir grandes lotes antecipadamente, reduzindo gargalos causados por falhas nas impressoras 3D. O produto também deve ganhar mais qualidade, mantendo bebidas geladas por mais de 12 horas e com acabamento premium em aço inoxidável.
O foco, segundo ele, está no Beerzooka e na proteção da propriedade intelectual. A empresa já registrou patentes e marcas relacionadas ao produto.
O que jovens empreendedores podem aprender
A trajetória de Satterlee dialoga com um movimento crescente também no Brasil. De acordo com pesquisa do Sebrae, baseada em dados da PNAD Contínua, o empreendedorismo é uma alternativa de renda para 4,9 milhões de jovens brasileiros entre 18 e 29 anos — número que cresceu 25% nos últimos 12 anos.
Em 2024, o rendimento médio desses jovens donos de negócio chegou a R$ 2.567, o maior valor da série histórica, ainda que 26,2% abaixo da média geral dos empreendedores. O estudo mostra ainda aumento da formalização, da escolaridade e da participação de jovens como chefes de domicílio.
Para Satterlee, a principal lição é simples: testar o máximo possível. Segundo ele, redes sociais e impressão 3D reduzem drasticamente o custo de validação de ideias. Se um produto impresso em 3D consegue vender, a versão industrializada tende a escalar ainda mais.
“Mesmo que uma ideia pareça ruim no começo, não custa tentar. Você nunca sabe o que vai funcionar”, resume o jovem empreendedor.







