O jambu, erva amazônica conhecida por provocar uma leve dormência na boca, deixou de ser exclusivo da culinária regional para ganhar espaço no mercado de bebidas destiladas além da cachaça. Em Belém (PA), o ingrediente é a base da AMZ Tropical, empresa fundada em 2021 por Leandro Daher que aposta na valorização de insumos regionais na produção de gim.
Com duas lojas em Belém (PA) e uma filial em São Paulo (SP), a marca agora busca ampliar o alcance internacional dos produtos com a abertura de um ponto em Miami, nos Estados Unidos, para facilitar a logística de exportação das bebidas. A previsão é de que a operação comece a funcionar até o fim do primeiro trimestre deste ano.
“É difícil fazer a distribuição para todo o Brasil partindo aqui do Norte. Por isso, abrimos uma filial em São Paulo e, no ano passado, começamos esse processo de internacionalização e abrimos a filial de Miami, que será a nossa importadora”, explica Leandro Daher, CEO e fundador da AMZ Tropical.
Com um portfólio diverso, Daher destaca que todos os produtos são feitos com ingredientes naturais e colhidos de forma sustentável por fornecedores da agricultura familiar da cidade de Castanhal, localizada a cerca de 70 km de Belém. Entre os itens estão o AMZ Dry Gin com Flor de Jambu, drinques em lata, picolés alcoólicos e versões em sachê.
Sem especificar o faturamento, o empresário diz que a AMZ Tropical tem conseguido aumentar a receita ao longo dos anos. “Conseguimos praticamente dobrar a nossa capacidade de produção com as vendas. Temos duas lojas, uma que é turística em frente a um dos maiores hotéis de Belém e outra em um ponto histórico”, diz.
Sobre a trajetória empreendedora na AMZ Tropical, Daher afirma que a ideia de abrir o negócio veio do desejo de compartilhar com o mundo o potencial e a riqueza da biodiversidade amazônica, valorizando a natureza e as comunidades locais. Publicitário de formação, ele já teve experiências em outros negócios junto aos familiares. “Ele é mineiro e é um apaixonado por cachaça. Trabalhava com pecuária e resolveu começar a plantar cana na fazenda. A ideia era fazer uma destilaria e foi aí que comecei a lidar com isso e passei a estudar esses processos de produção”, relata.
Virada
A empolgação inicial do sogro com o negócio acabou sendo interrompida pela pandemia de covid-19. Mas Daher decidiu seguir aproveitando os conhecimentos adquiridos na área e idealizar criar o gim de jambu. Com investimento de R$ 50 mil, o primeiro lote foi finalizado em novembro de 2021, com mais de 1 mil garrafas de gim.
“A cachaça de jambu já era tradicional e o gim vinha em vertente de crescimento no consumo, de vendas, de aceitação no mercado. Aí resolvi incluir o jambu na receita, porque não existia nenhum naquela época. Comecei a desenvolver o produto, buscar parceiros e visitar indústrias que pudessem me ajudar com a fabricação”, diz.
De olho no potencial do negócio desde o início, ele conta que idealizou o gim projetando a ampliação para fora do estado e exportação, mas sem perder a identidade nortista e brasileira. Por isso, investiu no sabor e na identidade visual. Todas as garrafas são pintadas e estampadas com símbolos da biodiversidade amazônica.
“Acabei encontrando uma empresa que faz toda essa parte da rotulagem e desenvolvimento do produto. Queria que tivesse as cores do Brasil, que trouxesse a estética da Amazônia e já remetesse à brasilidade. E conseguimos imprimir tudo isso”, afirma.








