Amaro Aviation aposta em modelo múltiplo para crescer na aviação executiva

Fonte: Redação

O Brasil é o segundo maior mercado do mundo no setor de aviação executiva, com pouco mais de mil jatos em atividade, segundo levantamento do Mordor Intelligence. Na América Latina, a projeção é que o segmento movimente US$ 1,31 bilhão até 2029. Foi de olho nesses números que João Mellão, fundou a Amaro Aviation, ao lado do amigo de colégio Marcos Amaro — filho de Rolim Adolfo Amaro, pioneiro no setor e fundador da TAM Linhas Aéreas — e da mulher dele, Ksenia Kogan Amaro, em 2021. Hoje, a empresa de médio porte tem nove aeronaves e um faturamento aproximado de R$ 50 milhões por ano.

O negócio começou com um modelo de propriedade compartilhada, em que a posse é dividida entre donos, mas expandiu para outros segmentos. Atualmente, a modalidade responde por apenas 20% do faturamento da empresa. O restante fica dividido igualmente entre táxi-aéreo e o chamado cartão de horas, em que ocorre a compra antecipada de horas do serviço de táxi.

Na prática, o cliente gasta suas horas até zerá-las, podendo escolher a aeronave de acordo com a disponibilidade. Quem é dono compartilhado tem sempre prioridade de agendamento em relação a outros consumidores. Se o “dono” avisa em cima da hora que precisa do avião, a Amaro se responsabiliza por realocar o cliente de táxi ou cartão em outra aeronave, até mesmo fora de sua frota de aeronaves. Para este ano, a Amaro espera somar mais duas em sistema de gerenciamento.

Esse é outro segmento em que a Amaro está apostando: administrar a vida de uma aeronave, com compra de combustível, seguros, garagem, registros e regulamentação. “É uma demanda que vem crescendo. É um ganha-ganha. Do nosso lado, não perdemos dinheiro na frente com a compra da mesma, e recebemos uma taxa mensal. Além disso, parte dos clientes pede para operarmos a aeronave como táxi, o que é bom para os dois”, afirma Mellão.

A divisão do faturamento da Amaro é praticamente espelhada pelo setor de aviação executiva no país. “Eu acredito que nossa vantagem é que fazemos todas as modalidades, tanto que se me perguntar quem são meus concorrentes, vou responder: ‘Depende do produto’. Estamos em todas as frentes”, diz.

Média é Mais:

Compra e venda

“Neste ano, depois de um estudo de mercado, percebemos que devemos entrar no nicho de assessoria para compra e venda. Tem muito proprietário querendo trocar de aeronave e vi muitos fazendo péssimos negócios. Alteramos até nossa composição administrativa para atender melhor isso”, diz o executivo.

O alcance das aeronaves da Amaro chega a alguns destinos estrangeiros, como Punta del Este, no Uruguai. “Mais do que isso, o jato precisa fazer duas paradas, aí perde-se o conforto”, afirma Mellão.

Na avaliação do empreendedor, a principal dificuldade do setor é a variação cambial, que mexe principalmente com o preço de combustíveis e afeta tanto médias quanto grandes. Depois disso, o desafio são os seguros. “Nos contratos procuro sempre travar a questão do dólar. Esse é um dos desafios da aviação: os custos são muito altos. É preciso uma equipe comercial muito forte, vender e trabalhar bastante para ter um retorno positivo, como tivemos em 2025. É uma margem baixa. Estamos com 8% a 11%, sendo que o número mágico que procuramos são os 15%”.

A empresa não diz quanto os sócios desembolsaram para abrir o negócio, mas Mellão afirma que o investimento já se pagou. O média de crescimento ano a ano é de 30%, sendo 40% em 2025, percentual de alta que o sócio espera manter neste ano.

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