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Aeroporto fechado e imagem de

Fonte: Redação

A imagem do aeroporto internacional de Porto Alegre alagado e fechado retrata o estado do setor do turismo no Rio Grande do Sul: parado. O Salgado Filho está interditado desde o dia 3 de maio, quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou a proibição de pousos e decolagens de aviões por conta do desastre climático no estado. A medida cautelar vale por tempo indeterminado.

Sobre o abalo na economia do turismo, o governador Eduardo Leite estima que o setor do RS precisará de R$ 1 bilhão para se recuperar, e defende a criação de um benefício emergencial para manutenção de empregos e renda. Por sua vez, o Ministério do Turismo anunciou R$ 200 milhões do Fundo Geral de Turismo (Novo Fungetur) para a concessão de financiamentos com condições especiais a atividades turísticas prejudicadas. Também desenvolveu a campanha “Não Cancele, Reagende!”, que incentiva visitantes a reprogramar viagens ao RS.

Especialistas consultados por PEGN avaliam que o fechamento do principal aeroporto do estado — aeródromos em Canoas e Caxias do Sul estão operando alguns voos transferidos do Salgado Filho — é o fator mais prejudicial ao turismo local. Porém, reforçam que é preciso esclarecer que o estado não está fechado para receber turistas.

“Não é todo o estado que está com ‘terra arrasada’. Muitos locais têm condição de receber turistas, mas o abalo da imagem está afetando a intenção de viagem das pessoas. É preciso ter clareza de quais são os locais que podem receber pessoas e divulgar para retomar a atividade turística onde for possível”, afirma Michel Bregolin, coordenador do Núcleo de Observação, Desenvolvimento e Inteligência Turística e Territorial (NID ODITT) da UCS.

Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, no dia 20 de maio — Foto: ANSELMO CUNHA/AFP via Getty Image
Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, no dia 20 de maio — Foto: ANSELMO CUNHA/AFP via Getty Image

Bregolin é o responsável por um estudo — que continua aberta a respostas — que tem o objetivo de diagnosticar prejuízos e condições de retomada do turismo. A dificuldade de acesso é uma questão relatada por 572 empreendedores e empresas do estado, segundo a pesquisa divulgada na sexta-feira (24/5) pela Secretaria de Turismo do Estado e a Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Segundo os dados, 71% dos respondentes disseram ter dificuldades de acesso para chegar a seus serviços. A maioria (75,7%) respondeu não enfrentado impactos nas instalações físicas e 62,1% dizem estar fora da área de risco deste evento climático.

“Entendemos que existem dificuldades em acessar alguns locais, e o problema de infraestrutura não é resolvido rapidamente. Não é como na pandemia, em que foi possível se restabelecer mais rápido”, diz. “Mas os resultados ajudam a saber quais ações priorizar, como reparar rodovias que são usadas como acesso por turistas.”

SOS RS:

A empreendedora Adriane Brocker Boeira Guimarães está sentindo os efeitos da queda de visitantes. A CEO do Grupo Brocker, empresa de serviços turísticos da Serra Gaúcha, relata uma queda de 75% no faturamento do mês de maio em relação ao mesmo mês do ano anterior.

“Atendemos diversas operadoras de turismo oferecendo passeios e transporte. Temos negociação e parceria com a maioria dos empreendimentos turísticos da região, como hotelaria, parques, restaurantes, eventos etc”, diz. A sede do negócio é em Canela, mas a empresa tem lojas no aeroporto Salgado Filho, no centro de Gramado e em hotéis da região.

Brocker também é parte do Comitê de Retomada Social e Econômica da Serra Gaúcha, organizado por empresários da região. “Nosso foco é conseguir fazer as pessoas chegarem. As partes da região que possuem o maior fluxo de turistas em Gramado e Canela estão com as estruturas intactas, mas não estão funcionando normalmente porque não têm turistas”, afirma.

A empreendedora teve que adaptar a operação do negócio, dando férias coletivas para os funcionários. “Nas duas primeiras semanas fizemos um trabalho de voluntariado para ajudar a limpar as casas que foram afetadas pelas enchentes. Agora, temos também que estruturar uma campanha de comunicação que estamos abertos, que as vias de acesso foram melhoradas e podemos receber turistas”, diz a empreendedora. “Vivemos do turismo, e uma forma de nos ajudar é nos visitar.”

Aeroporto vital para a economia

Segundo dados da Secretaria de Turismo, o setor representou 4% do PIB gaúcho em 2022. “O turismo tem uma representação regional e se concentra na Serra Gaúcha e na região das Missões, no oeste do estado, onde faz fronteira com a Argentina. A região metropolitana de Porto Alegre está relacionada ao turismo de negócios”, fala Gustavo Inácio de Moraes, professor da Escola de Negócios da PUCRS. “A perda do Salgado Filho compromete muito o turismo sazonal em Gramado e Canela, e da serra gaúcha em geral, durante esta temporada.”

“O aeroporto de Caxias do Sul e a base aérea de Canoas não sustentam o nosso fluxo. A medida é paliativa porque não resolve nosso problema de fato”, diz Claudio Souza, presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (SindTur).

Moraes faz coro: “O aeroporto de Caxias do Sul é menor e mais simples do que a do Salgado Filho. Por exemplo, não comporta voos quando o tempo está nublado, já que não tem equipamento para essa finalidade. Neblina é muito comum no inverno do RS.”

Na visão do presidente do SindTur, a volta do Salgado Filho, mesmo que de maneira parcial, é fundamental para a recuperação do estado. “Além de ajudar no fluxo de pessoas, também traz credibilidade para a retomada do turismo, auxiliando até na autoestima dos gaúchos”, afirma Souza, sugerindo que o esforço para retirada da água deve ser prioridade no momento.

O uso de aeroportos regionais, porém, é visto como uma medida benéfica no longo prazo, diz Bregolin. “O fluxo sempre foi muito concentrado em Porto Alegre. Agora, está sendo discutida a internacionalização do aeroporto de Caxias do Sul. Seria uma medida interessante para que, eventualmente, em uma crise futura, não esteja tudo concentrado em um mesmo local, como agora.”

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