Acordo Mercosul-UE: como pequenas e médias empresas podem se beneficiar

Fonte: Redação

Uma maioria qualificada de Estados europeus aprovou nesta sexta-feira (9/1) o acordo de livre-comércio UE-Mercosul, que prevê a eliminação de tributos sobre 91% das exportações da União Europeia e de 92% das exportações do Mercosul. O acordo está em discussão há mais de 25 anos e a decisão abre um novo mercado e amplia a competitividade de empresas brasileiras na Europa. Alguns produtos terão isenção imediata, enquanto outros serão eliminados progressivamente.

A aprovação desta sexta-feira abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul. O tratado pode ser assinado já na próxima semana.

“Os benefícios potenciais para as PMEs são, de imediato, o acesso a um mercado com 450 milhões de consumidores com poder aquisitivo e moeda forte. Também na importação de bens de capital, podem ocorrer vantagens, além das parcerias tecnológicas e de negócios”, aponta José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School.

Segundo dados divulgados em site oficial da União Europeia, a região é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul em bens, com exportações de € 57 bilhões (R$ 369 bilhões) em 2024. Enquanto isso, um quarto do comércio total de serviços do Mercosul vem da UE, com exportações que somaram € 29 bilhões (R$ 187 bilhões) em 2023.

Com o acordo, alguns setores podem se beneficiar de trocas que já existem. Para Filho, a agroindústria é um deles, com produtos como carne bovina, suco de laranja, café, soja e frutas tropicais. A indústria também ganha destaque, em segmentos como autopeças, calçados, têxteis, móveis e produtos de couro. Insumos em abundância na América do Sul também podem ganhar mais espaço nas exportações, como ferro, celulose e etanol.

A exportação da União Europeia para o Mercosul também tende a aumentar, expandindo opções de bens industriais (máquinas, equipamentos, produtos farmacêuticos e químicos e automóveis), além de serviços especializados em engenharia, finanças e consultoria, como cita o professor.

O acordo conta com um capítulo que engloba as Pequenas e Médias Empresas, também disponível no site oficial da União Europeia, que ressalta o reconhecimento da importância dessas instituições: “As Partes reconhecem que as PMEs, que incluem micro, pequenas e médias empresas e empreendedores, contribuem significativamente para o comércio, o crescimento econômico, o emprego e a inovação. As Partes reafirmam sua intenção de apoiar o crescimento e o desenvolvimento das PMEs, ampliando sua capacidade de participar e se beneficiar das oportunidades criadas por este Acordo.

O texto prevê a disponibilização de informações essenciais a essas empresas em sites oficiais dos países que compõem os grupos, com a existência de um “coordenador de PMEs” responsável por atualizar os conteúdos disponíveis.

Com as mudanças, as empresas nacionais podem ser favorecidas pela maior competição com produtos europeus ou de players que não fazem parte do acordo.

“Quem faz chocolate no Brasil terá mais força para competir com o chocolate da Suíça. É possível também encontrar nichos na Europa de produtos que existem aqui e não existem lá, como pão de queijo. Comece explorando locais onde os brasileiros mais vivem, aos poucos o alimento pode se tornar conhecido e ganhar espaço no mercado estrangeiro”, exemplifica Josilmar Cordenonssi, docente de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Os especialistas também sugerem a criação de parcerias entre empresas brasileiras e europeias. “As economias latino-americanas e europeias se caracterizam pela complementaridade. Isto pode ser uma grande oportunidade para as PMEs em termos de novos negócios, novas parcerias gerando um novo ciclo de desenvolvimento para ambos os lados”, aponta Filho. Para Cordenonssi, a longo prazo, as colaborações podem se desdobrar em joint venture, parceria estratégica entre empresas que permite compartilhar recursos, riscos e lucros, porém sem perder a autonomia de cada negócio.

Com a assinatura do acordo UE-Mercosul, os professores sugerem que as empresas devem estudar possibilidades de exportação e importação dentro do seu setor para pensar em estratégias que façam sentido. Para quem vai começar a ter trocas internacionais, uma opção é iniciar com países que possuem semelhanças culturais, como o idioma.

Para que as exportações se concretizem, será necessário ainda seguir as regulamentações de cada setor. “As exigências podem ficar maiores em termos de aspectos sanitários, certificações, concorrência com produtos europeus que entrarão com mais facilidade no país e a necessidade de adaptação para atender os padrões europeus”, aponta Filho. Regulamentações fitossanitárias, sanitárias, de propriedade intelectual, patentes, indicadores geográficos e especificidades técnicas devem seguir o padrão do país que a empresa for exportar. “Outros grandes desafios serão a competição com grandes conglomerados europeus em alguns segmentos e a sempre presente variação cambial”, aponta o professor da FIA Business School.

Para as empresas que foram impactadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, pode ser uma oportunidade de diversificação em um mercado que apresentará vantagens competitivas frente a players que não participam do acordo. “Os empreendedores que sofreram com o tarifaço, em especial, os que ainda não tiveram isenção das taxas, podem focar no mercado europeu. Além da exportação, é importante se atentar às importações que podem vir da Europa e que podem aumentar o escopo interno”, aponta Cordenonssi.

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