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À espera da

Fonte: Redação

Assim como no Web Summit Rio 2024, o otimismo deu o tom do VC Day, evento realizado pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) nesta segunda-feira (10/6), em São Paulo. Os painéis indicaram as barreiras do ecossistema, mas os participantes pontuaram que o momento é positivo.

“Temos todos os elementos para ser um case global. Startups em escala, dry powder dos fundos, métricas”, afirmou Pedro Melzer, vice-presidente da ABVCAP e sócio-fundador da Igah Ventures.

Para Priscila Rodrigues, presidente da ABVCAP, ainda não podemos dizer que chegamos à primavera das startups. “Eu acho que a gente estava indo numa direção mais rápida de queda de juros, hoje ela está mais conservadora, o que pode atrasar um pouco mais. No começo do ano, acreditávamos que estaríamos num patamar de juros de um dígito no segundo semestre, que isso aconteceria também no mercado americano, mas não existe mais esse consenso, o que vai fazer com que esse processo seja atrasado”, disse.

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Ela pontuou que é importante olhar para além do momento atual, e que análises mensais e trimestrais sobre o volume de investimentos no ecossistema podem não refletir a realidade por serem impactadas por aportes pontuais que sejam fora da curva.

A falta de capital para o estágio de crescimento das startups, chamado de growth, foi um dos tópicos de destaque no evento. O que acontece é que muitas ideias acabam encontrando investidores no início da jornada, mas não conseguem chegar ao late stage por falta de dinheiro para escalar o negócio com maior rapidez.

“Os camelos existem porque existe o deserto. É só olhar pro ecossistema: temos centenas de grupos de anjos, 80 fundos de capital semente, poucos de Série A e quase nenhum de Série B. Afunila e geramos muitos deals que não encontram investidores, criando dependência de fundos norte-americanos”, afirmou Marcello Gonçalves, cofundador da DOMO.VC.

Sullyen Almeida, sócia da monashees, acrescentou que é preciso continuar a gerar cases no Brasil para fomentar a indústria de venture capital nacional, mostrando que o ativo é uma boa opção de investimento. Ela também apontou que os grandes cases, como Wellhub (antigo Gympass) e Nubank, também criam uma rede de executivos que auxiliam novos empreendedores.

O crescimento das startups foi um dos temas discutidos no VC Day e também será debatido por Pequenas Empresas & Grandes Negócios em live do ciclo do 100 Startups to Watch 2024, em 20 de junho. Anote na agenda!

Confira outros destaques do evento:

Um futuro a vislumbrar

Além da dificuldade de encontrar capital para escalar a empresa, os painelistas destacaram os desafios para as startups fazerem saídas, momento em que as empresas retornam o dinheiro investido para os fundos. As principais formas de saída são por abertura de capital na Bolsa de Valores (IPO) ou sendo comprada por outra empresa (M&A).

Milena Oliveira, cofundadora e sócia da Volpe Capital, mencionou que a falta de saídas no ecossistema brasileiro sempre era tema de conversas com investidores internacionais. Porém, ela aponta que o cenário mudou com o amadurecimento do ecossistema brasileiro e a maior atração de capital estrangeiro para a região. “Quem investe hoje sabe que tem time, gestores e saídas com um preço baixo comparado a mercados mais maduros. Quem investiu sabe que vai conseguir um grande retorno numa eventual saída”, afirmou.

Camila Sangali, sócia da Igah Ventures, ressaltou que a imprevisibilidade do mercado leva as gestoras a investirem pensando num eventual M&A no futuro. “É difícil prever se o mercado estará aberto na hora de desinvestir, você não sabe se a empresa terá tamanho para um IPO de qualidade, com liquidez”, comentou. Ela acrescentou que a aquisição, ou saída estratégica, pode acontecer com a compra sendo feita por outra startup ou por empresas maiores.

Startups:

Inteligência Artificial

Assim como em outros eventos recentes do ecossistema de inovação, a IA não poderia ficar de fora. A pauta foi levantada por Rodrigo Menezes, da FM Derraik: afinal, a tecnologia é tudo isso mesmo ou não passa de hype?

Adriano Pitoli, da KPTL, acredita que a IA traz ganho de eficiência, mas ainda não é possível afirmar se vai dar dinheiro. Para ele, o que está fazendo sucesso no momento, definido como aplicações de primeiro nível, não deve dar o retorno esperado. O investidor comparou o contexto com o hype das fintechs – quando as startups buscavam formas de incluir elementos financeiros em suas soluções.

“A IA reduz o valor das startups porque torna o ambiente mais competitivo. É muito difícil prever a existência de um novo mercado, mas a IA é essencial para as startups e deve estar entre as ferramentas de todas”, opinou.

Na visão de Gonçalves, da DOMO.VC, a IA é mais a palavra da moda do que uma enganação, mas ainda é cedo para dizer. “Nosso papel como investidores é antecipar o que vai dar dinheiro dentro do prazo de investimento do fundo. As soluções de IA ainda não vão acontecer em 2024 e 2025, talvez em 2026 nós tenhamos boas empresas brasileiras de IA, com boas soluções”, declarou.

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