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100 Startups to Watch 2024: como construir negócios escaláveis

Fonte: Redação

O que torna um negócio escalável? Como garantir que uma startup ganhe escala de forma equilibrada e estratégica – e como aplicar essa lógica a uma empresa que nasceu nos moldes tradicionais? Essas e outras perguntas foram respondidas em uma live realizada por PEGN nesta quinta-feira (20/6).

O encontro virtual faz parte da iniciativa 100 Startups to Watch, lista elaborada anualmente por PEGN e Época Negócios, em parceria com EloGroup e Innovc, que elege as startups mais promissoras do ecossistema de inovação brasileiro. As inscrições podem ser feitas até 15 de julho pelo site www.100startupstowatch.com.br.

Participaram da conversa Bruno Cabral, sócio-diretor da EloGroup; Carolina Strobel, sócia-fundadora da Antler Brasil; Jessica Silva, cofundadora da BlackWin; e Victor Vilas Boas Cavalcanti, cofundador e CEO da Infleet. A conversa teve mediação de Juliana Ventura, editora-executiva de PEGN.

O bate-papo começou com Bruno Cabral explicando ao público o que é, de fato, a escalabilidade dentro de um negócio inovador. Segundo o sócio-diretor da Elogroup, esse conceito está relacionado à forma como uma empresa se expande. “A escalabilidade envolve um crescimento mais exponencial. Conseguimos aumentar a operação e a receita rapidamente, sem ter de aumentar os custos operacionais do negócio como um todo”, define.

Os principais pontos que destacam um negócio escalável, segundo ele, é operar em um mercado que seja grande e esteja em crescimento, ofertar produtos e serviços facilmente replicáveis em diferentes mercados e ter processos eficientes, usando a tecnologia para ter mais automação nos processos. “Além disso, para um negócio alcançar a escalabilidade, é necessário ter acesso a capital ou parceiros de negócios, com os quais você pode contar quando ainda não tem uma expertise dentro de sua empresa”, complementa Cabral.

Mas, afinal, é necessário pensar em escalabilidade logo no início da construção de um negócio? Segundo Carolina Strobel, da Antler Brasil, é necessário que os empreendedores compreendam que o começo de uma empresa não tem de ser focado nos processos de expansão, mas sim na manutenção da proposta. “[No início é preciso] pensar em automação e em eficiências, pois não dá para personalizar um software o tempo inteiro. Então, a princípio, [o foco] é cuidar dos custos de unidade e eficiência do negócio”, afirma Strobel.

Como exemplo, o cofundador e CEO da logtech Infleet contou como foi a construção da empresa, nascida em 2018. “No início, a gente começou tentando entender como era o mercado, como eram os clientes, tudo de uma forma muito manual, e foi só em 2021 que a conseguimos captar [um investimento de] R$ 18 milhões. É possível distribuir o mesmo produto em vários mercados de uma maneira escalável, mas é preciso enxergar onde você vai distribuir. Depois, começar a fazer relacionamento com o investidor e construir a estrutura [com maior escala]”, diz Cavalcanti.

Com a operação da startup montada e rodando, é a hora de prospectar investidores para o negócio. Segundo Jessica Silva, cofundadora da Blackwin, alguns pontos são levados em consideração na hora de avaliar se uma empresa tem realmente potencial de expansão.

“O foco é investir em startups de impacto, pensando sempre no produto, equipe e mercado. Olhamos uma startup que tem potencial de escalabilidade, mas não que necessariamente seja [escalável] agora, no presente. Olhamos qual é a margem que a empresa tem, além da previsão de melhorias dos negócios”, explica.

O processo de construção dos produtos e a equipe também são analisados. “Para tornar um produto realmente escalável, precisa de um time que está pensando em diferentes perspectivas, em um olhar 360º. Um time que olha para o comercial, técnico e para ações estratégicas”, diz. Silva também reforça a necessidade de ter uma equipe diversa, tanto em pensamentos quanto nos aspectos racial e social, uma vez que esses atributos auxiliam na complementaridade do time, possibilitando que o negócio tenha mais maleabilidade.

Negócios tradicionais podem se tornar escaláveis?

Com a chegada e o avanço da Inteligência Artificial no mercado, abrem-se as margens para usar a tecnologia em prol de melhorar processos antigos ou ineficientes. Segundo Strobel, isso possibilita que empresas, incluindo as tradicionais, alcancem um novo patamar de expansão. Por outro lado, ela explica que há outras formas de encarar o crescimento.

“[O empreendedor] pode mirar na escalabilidade e manter a operação mais enxuta, ou na não escalabilidade e mirar um produto um pouco mais caro. A startup não precisa ser escalável, mas sim ter um impacto grande, seja social ou ambiental. Se quiser ficar no seu nicho, está tudo certo em manter esse formato [menos escalável] na empresa”, afirma.

Em complemento, Silva, da BlackWin, afirma: “Quem empreende sabe da sua jornada e tem de ter um objetivo de negócio alinhado com os seus valores. Às vezes, o sonho do empreendedor não é escalar. A jornada de escalabilidade é exaustiva, segue em um ritmo e uma pressão de tempo, que às vezes para determinado estilo de vida não faz tanto sentido assim”, pontua.

O que avaliar antes de escalar um negócio?

Antes de pensar na solução, é necessário analisar o problema como um todo. Assim, há maiores chaves de encontrar alternativas sociais de grande impacto, possibilitando o crescimento em larga escala. Nesse sentido, Cavalcanti, da Infleet, sugeriu alguns caminhos para criar startups mais chamativas aos olhos do público e de investidores.

“Precisamos construir um negócio que se blinde de novos entrantes. No comercial, por exemplo, estamos em uma era em que a atenção é muito disputada, o CAC [Custo de Aquisição de Clientes] fica mais caro se você não souber reter a atenção do seu produto. É preciso ter um diferencial competitivo, atraindo a atenção de seus usuários em um mercado que exige muita atenção”, reflete.

Quais são os setores mais ‘quentes’ para montar um negócio escalável?

Além de trazer novas possibilidades para as empresas já existentes, a inteligência artificial é uma das tecnologias que mais traz novas oportunidades nesse momento, segundo Strobel. “Os maiores investimentos estão baseados em IA. O setor de ciência está superquente no mundo todo, pois é esse setor que realmente muda o mundo, o dia a dia, o meio ambiente e a agricultura. No Brasil, também há grande presença de negócios no varejo fintech e saúde. São áreas importantes e com um mercado bem amplo”, diz.

Silva, da BlackWin, complementa: “Quando eu penso em setor, é fundamental olhar para o contexto do Brasil. É um país de economia forte, mas de imensa desigualdade social. Há problemas de educação, saúde e urgência climática. Então usar a tecnologia [para provocar uma mudança significativa na sociedade] é um diferencial. É necessário olhar os problemas para ficar ligados nas tendências”, reflete.

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