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Dica de livro: um convite para a transformação de vieses

Fonte: Marcelo Brandao

Nossa dica de leitura de hoje é “Viés inconsciente: como identificar nossos vieses inconscientes e abrir caminho para a diversidade e a inclusão nas empresas” (Literare Books International), de Cris Kerr, fundadora e CEO da CKZ Diversidade, consultoria especializada em diversidade e inclusão, governança corporativa e relações de trabalho.

Nessa obra nos deparamos com uma rica narrativa da autora sobre suas experiências e aprendizados sobre como podemos descobrir nossos vieses inconscientes, como aprofundar o conhecimento sobre diversidade, inclusão, cérebro consciente, segurança psicológica e outros temas importantes para a vida e trabalho.

Kerr é uma das percussoras no Brasil a abordar os temas inclusão e diversidade no meio corporativo. Há mais de uma década, desde quando fundou sua consultoria, vem se especializando em neurociência e comportamento, desenvolvendo um trabalho construtivo e de grandes resultados para empresas e lideranças de diversos setores. Para executivos, trata-se de um conteúdo valioso sobre como agir e como transformar a cultura e a liderança para que as organizações tenham profissionais mais diversos e inclusivos.

Mas o que é viés inconsciente?

Todos nós temos vieses inconscientes. Pequenas barreiras não intencionais que dificultam nossa compreensão sobre alguns temas. O fato, é que não sabemos o que está escondido em nossa mente e como tais vieses ganham forma, julgamentos e intenções.

Em seu livro, Cris explica como explora esse comportamento e esclarece que, “apesar de muitas de nossas associações e padrões serem inconscientes, podemos ser conscientes na decisão de mudarmos situações”.

“O primeiro passo é trazer os vieses para a consciência. Para começarmos a ver uma mudança profunda em nós e nas empresas, precisamos entender a motivação desses vieses e como controlá-los – só assim conseguiremos atenuá-los e destruí-los”, diz a autora.

Descobertas e ações em 4 passos

O livro é divido em quatro partes, cada uma nomeada de acordo com uma ação necessária – descobrir, aprofundar, transformar e agir. Cada uma das partes funciona como um passo-a passo para aqueles que buscam essa compreensão e desenvolvimento para eliminar seus vieses inconscientes.

Na primeira parte, a autora fala sobre sua própria jornada profissional como executiva, de como foi percebendo tratamentos distintos dentro das organizações com as quais trabalhou. Mostra como somos moldados desde a infância por crenças e estereótipos que nos levam a diferentes preconceitos e e traz também pesquisas que embasam a importância de se investir em ambientes mais diversos e inclusivos dentro das empresas.

Na segunda parte, Kerr nos leva a explorar o cérebro inconsciente e oito tipos de vieses inconscientes. E fala da importância do papel de grupos que não costumam perceber que são agentes importantes de transformações e de resultados efetivos contra esses vieses.

São eles:

  • Viés de Afinidade: temos a tendência de controlar passo-as parecidas conosco;
  • Viés de Comportamento: as pessoas se espelham em um estilo de liderança;
  • Viés de Desempenho: a diferença entre contratar por potencial futuro e por talento passado;
  • Viés de Percepção: reforçamos estereótipos sem nenhum dado concreto que os comprove;
  • Viés Confirmatório: o que acontece se questionamos nossas crenças, em vez de apenas confirmá-las;
  • Viés de Maternidade: maternidade e paternidade não são falta de comprometimento;
  • Viés de Efeito de Grupo: temos medo de ter opiniões diferentes de nosso grupo;
  • Viés de Efeito Halo: a primeira impressão positiva ofusca qualquer outra informação negativa.

Na terceira parte, entendemos o sentimento da exclusão e o que podemos fazer para ter uma cultura inclusiva e ambientes de trabalho com segurança psicológica. Como ilustra a autora citando Boris Groysberg, professor de administração da Harvard Business School: “diversidade é contar números; inclusão é fazer com que cada número conte”.

Na última parte, Kerr compartilha um estudo de caso que desenvolveu durante seu mestrado e que a levou a ganhar o prêmio de melhor dissertação da linha Mestrado Profissional do ano, em 2020, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Um material didático valioso e pronto para ser aplicado em dinâmicas com equipes de empresas interessadas em ajudar seus colaboradores e executivos a trazerem seus vieses inconscientes para a consciência.

Um convite para a transformação

Em seu livro, Cris Kerr nos faz pensar que precisamos fazer um esforço maior para escutarmos mais o nosso sistema consciente. E que somente assim podemos desconstruir padrões. Afinal, como diz a autora, “se deixarmos todas as decisões para o nosso inconsciente, será muito difícil termos um ambiente diverso e inclusivo”.

Em resumo, o livro é uma leitura de grande valor social e comportamental. Sobretudo quando a tecnologia insiste em nos distrair e nos afastar de momentos introspectivos e de reflexão. Um raro exercício para aqueles que buscam ampliar o conhecimento sobre vieses inconscientes, comportamento humano e uma maneira de se tornarem pessoas e profissionais melhores. Um convite para a transformação.

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