- O Yelp lançou um agente de voz que telefona para restaurantes, consulta o tempo de espera e envia a resposta ao usuário.
- O Google está levando ao Android Auto uma versão do Gemini capaz de cruzar informações de e-mails, agenda, localização e outros serviços conectados.
- O Muse, assistente pessoal da Meta, ultrapassou 10 milhões de downloads nos Estados Unidos em apenas 40 dias.
- Empresas poderão ter de adaptar suas jornadas para atender assistentes que representam consumidores, criando até conversas entre agentes.
Ligar para um restaurante e perguntar quanto tempo será preciso esperar por uma mesa está prestes a se tornar uma tarefa cansativa demais para ser feita por um ser humano.
O Yelp lançou o Check for Me, recurso que usa um agente de voz para telefonar ao estabelecimento, consultar o tempo de espera e enviar a resposta por mensagem. O usuário só precisa informar o número de pessoas e o próprio telefone. Depois, decide se ainda quer sair de casa.
Enquanto isso, o Google está levando uma versão mais pessoal do Gemini para os carros. O assistente poderá cruzar informações do Gmail, da agenda, do Maps e de outros serviços para avisar, por exemplo, que o voo do motorista atrasou enquanto ele segue para o aeroporto.
Já a Meta parece ter encontrado um público bastante interessado em terceirizar parte da vida. Lançado em setembro nos Estados Unidos e no Canadá, o Muse ultrapassou 10 milhões de downloads nos EUA em apenas 40 dias, segundo dados da Sensor Tower.
Juntos, todos esses lançamentos mostram que a próxima disputa da IA não será por quem oferece as melhores respostas, mas por quem conhece melhor cada pessoa e facilita ainda mais a sua vida.
A IA começou a fazer ligações

Foto: divulgação
Com o Check for Me, o Yelp avança da recomendação para a ação. Além de consultar o tempo de espera, o aplicativo ganhou integração com o OpenTable para realizar reservas sem que o usuário precise sair da plataforma. O assistente poderá memorizar preferências mencionadas em conversas anteriores, criar lembretes e enviar sugestões personalizadas de atividades.
A ideia é eliminar uma pequena tarefa do cotidiano. Mas ela também antecipa uma situação antes impossível: o Yelp já oferece agentes de voz para atender chamadas recebidas por restaurantes. Assim, o assistente do consumidor poderá ligar e ser atendido pelo assistente do estabelecimento.
Em algum momento, duas Inteligências Artificiais poderão negociar uma mesa enquanto cliente e restaurante ficam fora da conversa.
O carro sabe para onde você vai
Da mesma forma, o Google está determinado a diminuir a quantidade de comandos necessários para conseguir uma resposta. A Inteligência Pessoal do Gemini chega agora ao Android Auto e será expandida aos veículos com Google integrado. Quando autorizada, a ferramenta poderá consultar dados dos aplicativos conectados para compreender melhor o contexto de uma solicitação.
O Gemini usará as informações disponíveis nos serviços do Google para responder sem exigir que a pessoa explique toda a situação novamente. O recurso depende da autorização do usuário e, segundo o Google, será possível escolher quais aplicativos poderão ser acessados e desativar a integração a qualquer momento.
Dez milhões querem um Muse

O Muse, da Meta, leva essa proposta alguns passos adiante. O agente foi criado para executar tarefas em nome do usuário e trabalhar com objetivos que não começam e terminam em uma única conversa.
Ele pode ajudar a planejar viagens, organizar informações, enviar e-mails e acompanhar tarefas. O contato acontece pelo aplicativo ou pelo WhatsApp.
Segundo a Meta, os dados e o agente ficam hospedados em uma máquina virtual dedicada, criada para proteger as informações pessoais necessárias à execução das atividades.
A escala também contou com a força de divulgação da Meta. Segundo a Sensor Tower, a empresa destinou 39% de seus investimentos publicitários de outubro à promoção do Muse.
Nos Estados Unidos, o aplicativo registrou retenção de 30% após sete dias e de 23% depois de duas semanas, índices superiores à média observada entre ChatGPT, Claude e Grok no mesmo recorte.
De responder para agir
Durante a primeira fase da IA generativa, o usuário precisava abrir uma ferramenta, escrever uma pergunta e avaliar a resposta. Os novos assistentes tentam reduzir essa participação.
Eles lembram o que foi dito, consultam outros aplicativos, percebem o contexto e executam tarefas. A promessa não é responder melhor, mas poupar decisões, cliques, ligações e tempo. Isso também muda a Experiência do Cliente. Até agora, as empresas desenharam jornadas pensando em consumidores humanos navegando por sites, conversando com atendentes ou telefonando para pedir informações.
Logo, parte desses contatos será feita por agentes. Restaurantes, hotéis, companhias aéreas e outros negócios terão de estar preparados para atender uma IA que representa o consumidor. E, se as empresas também adotarem agentes próprios, uma parte cada vez maior da jornada poderá acontecer em conversas entre máquinas.
Quanto mais pessoal, mais dados
Mas toda essa conveniência tem um preço que não aparece em uma mensalidade. Para avisar sobre um voo, recomendar um restaurante ou lembrar um compromisso, o assistente precisa acessar e relacionar informações que antes estavam separadas: e-mails, agenda, localização, pesquisas e mensagens.
Quanto mais souber, mais útil poderá ser. E quanto mais útil se tornar, mais espaço ocupará na rotina do usuário.
É esse o tamanho da disputa. Meta, Google e Yelp não estão oferecendo só mais uma ferramenta de IA, eles querem ser autorizados a conhecer o consumidor suficientemente bem para agir por ele.
Se os números do Muse forem um sinal do que vem pela frente, muita gente está disposta a tentar. Resta descobrir quanto da própria rotina cada pessoa aceitará entregar para ter um assistente pessoal de IA para chamar de seu.






