Starlink no celular? Entenda o que muda após decisão da Anatel

Fonte: Marcelo Brandao

Em 2025, a cobertura de 5G no Brasil atingiu 63,61% do território nacional. Apesar de superar a meta da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de 57,67% de cobertura até 2027, algumas regiões ainda seguem sem acesso a uma geração mais avançada de internet móvel.

Mas uma decisão do Conselho Diretor da Anatel pode acelerar a mudança dessa realidade. Isso por que foi aprovada a atribuição de faixas de espectro para a operação de serviço móvel por satélite no Brasil. Isso significa que empresas como a Starlink poderão levar internet via satélite diretamente aos celulares.

Na prática, para acessar a internet via satélite em lugares remotos, o consumidor não precisará mais comprar um antena física. A tecnologia D2D (Direct-to-Device, ou “direto para o dispositivo”) já permite que um satélite converse com um smartphone comum, sem exigir a troca de aparelho.

A decisão integra o Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências (PDFF) para 2025-2026 e libera, em caráter secundário, as faixas de 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz (sob relatoria do conselheiro substituto Nilo Pasquali).

Acesso já está disponível?

Ainda não. A aprovação é apenas o primeiro passo para que a tecnologia esteja disponível no celular do consumidor.

A regulação vem amadurecendo desde 2024, dentro de um ambiente experimental (sandbox regulatório) mantido pela própria Anatel. O passo seguinte é técnico. A Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação tem até 90 dias para encaminhar ao Conselho a proposta técnica de uso das subfaixas.

Tendo o assunto como prioritário, a agência deve analisar a proposta em breve. A partir da aprovação das questões técnicas, o consumidor poderá ter acesso ao serviço de internet por satélite junto às operadoras tradicionais. A ideia é que elas firmem parcerias com a Starlink ou empresas do setor para oferecer o serviço aos seus próprios clientes.

A Starlink nasceu em 2019, como o braço de internet via satélite da SpaceX. O objetivo era levar banda larga a qualquer ponto do planeta usando uma rede de satélites em órbita baixa.

Seis anos depois, a Starlink deixou de ser promessa e já opera banda larga em diversos países com milhões de assinantes. A companhia possui hoje cerca de 10.413 satélites em órbita baixa, dos quais 10.397 operacionais, segundo dados públicos.

Isso faz da Starlink a responsável por cerca de 75% de todos os satélites manobráveis ativos ao redor da Terra. No Brasil, a operação já responde por cerca de 700 mil acessos, segundo a Anatel (março de 2026). Com boa penetração em agronegócio, mineração e logística no País.

A aprovação da Anatel promete aumentar esses números em breve.

O que muda para o CX

Se a regulamentação avançar, o impacto para a experiência do consumidor brasileiro pode ser mais profundo do que parece à primeira vista. Hoje, cobertura de celular ainda é um dos principais gargalos da experiência do consumidor brasileiro. O D2D ataca exatamente esse ponto.

Para as operadoras que fecharem parceria com a Starlink, isso significa uma cobertura que hoje é quase impossível de garantir sozinhas. O que tende a virar diferencial competitivo e argumento de retenção de clientes.

Para o consumidor, o ganho pode ser o maior de todos: manter-se conectado. E isso pesa demais na sua decisão de escolha, na satisfação e na lealdade com operadoras. Contudo, falta ainda clareza sobre custo, velocidade real e limites técnicos do serviço.

No setor de telecom brasileiro, o desafio de CX nunca é lançar a novidade. O desafio é não deixar que ela vire uma nova fonte de expectativa frustrada.

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