Novelas verticais conquistam as marcas e Bmg entra na tendência

Fonte: Victoria Pirolla

Se tem uma linguagem conquistando espaço no celular e na atenção das pessoas, pode apostar que as marcas não vão demorar muito para encontrá-la. Até a prevenção contra golpes financeiros virou novelinha vertical.

O Bmg acaba de lançar Acontece nas Melhores Famílias, uma produção de quatro episódios para o TikTok, que transforma tentativas de fraude em uma trama com personagens, reviravoltas e, claro, aquele gancho no final feito para convencer o público a assistir ao próximo capítulo.

A escolha do formato não poderia ser mais atual. As novelas verticais estão se transformando em um fenômeno do entretenimento mobile. Aplicativos especializados em short dramas registraram 1,45 bilhão de downloads globalmente apenas no primeiro semestre de 2026, alta de 95,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o H2 2026 Global Non-Gaming App Trends Report, da Insightrackr e Mintegral.

A novela foi parar na vertical

Entre janeiro e junho, foram 355 milhões de downloads de aplicativos de novelas e séries curtas na América Latina, segundo o levantamento. A região ficou atrás apenas do Sudeste Asiático, que registrou 518 milhões.

O crescimento também começa a movimentar uma disputa pela atenção desse público. Em um ano, o número de aplicativos de novelas verticais investindo em publicidade cresceu 132%.

É nesse cenário que o Bmg pega emprestada uma linguagem que o consumidor já encontra no entretenimento e leva para um assunto visto até o momento como menos divertido: os golpes financeiros.

Acontece nas Melhores Famílias retrata uma família que enfrenta diferentes tentativas de fraude. A proposta é não entregar a conscientização no formato tradicional de uma campanha educativa, mas inseri-la em uma história feita para o consumo rápido das redes.

“A educação financeira faz parte do nosso papel como banco. Queremos ajudar nossos clientes a se protegerem de golpes e acreditamos que a informação é mais efetiva quando chega de forma simples e próxima da realidade das pessoas”, afirma Bruno Capelin, diretor de Marketing do Bmg.

Alguém quer assistir?

A novelinha precisa competir pela mesma atenção que qualquer outro conteúdo do feed, e falar sobre segurança financeira não é exatamente a tarefa mais simples nesse ambiente.

Segundo pesquisa do Observatório Febraban realizada pelo Ipespe, 39% dos brasileiros afirmam já ter sido vítimas de golpes ou tentativas envolvendo contas bancárias, enquanto 91% consideram a educação financeira importante para prevenir essas situações.

A saída encontrada pela campanha foi colocar a mensagem dentro de códigos que já funcionam nas redes. Ao longo dos quatro capítulos, a história mistura personagens recorrentes, conflitos cotidianos, humor e reviravoltas.

“Nosso desafio foi transformar uma mensagem de utilidade pública em um conteúdo que as pessoas realmente quisessem assistir. Quando a conscientização vem por meio de uma história com identificação e entretenimento, a chance de a mensagem ser absorvida é muito maior”, explica Rosália Oliveira, head de Social da agência Milà.

Marcas querem contar histórias

O Bmg não é uma produtora de entretenimento e seu objetivo continua sendo falar sobre segurança financeira. O que mudou foi a embalagem escolhida para fazer essa mensagem chegar ao público.

Em vez de um vídeo explicando os principais golpes ou um carrossel de dicas, o banco criou personagens, conflitos e capítulos. E fez isso justamente quando as novelas verticais começam a conquistar uma grande audiência no celular.

Estar no TikTok não significa apenas produzir um vídeo vertical ou entrar em uma trend. Conforme novos formatos ganham popularidade, eles também passam a entrar no repertório das marcas.

No caso das novelinhas, há ainda a vantagem de que o formato depende de prender a atenção rapidamente e deixar curiosidades para o próximo episódio. Para uma campanha que precisa convencer alguém a parar de rolar o feed para ouvir falar sobre golpes financeiros, não é um detalhe pequeno.

O Bmg está falando sobre um assunto antigo para os bancos, mas do jeito que muita gente está começando a consumir histórias no celular.

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