NFL vai para o ataque no mercado brasileiro

Fonte: Victoria Pirolla

Ponto da NFL no Parque Bondinho Pão de Açúcar, RJ.

É verdade, o futebol americano está longe de ser o esporte mais popular do Brasil. Mas, para a NFL, maior liga de futebol americano do mundo, o consumidor brasileiro já parece grande demais para ser tratado apenas como audiência.

Nesta semana, a liga colocou no ar sua primeira loja on-line oficial no País. A estreia do e-commerce acontece às vésperas de mais um passo importante da NFL por aqui: em 27 de setembro, Baltimore Ravens e Dallas Cowboys se enfrentam no Maracanã, no primeiro jogo da liga realizado no Rio de Janeiro.

Mas os planos da liga para o Brasil são ousados e ultrapassam o digital. A NFL está espalhando lojas físicas por pontos de grande circulação do Rio, como Shopping Leblon, Parque Bondinho Pão de Açúcar e Aeroporto Santos Dumont. São Paulo, que recebeu os jogos da liga em 2024 e 2025, terá operações no Shopping Morumbi e no Aeroporto de Congonhas.

É uma aposta tão grande no público brasileiro, que nos faz questionar o que há nesse consumidor para justificar esse interesse?

Não é aposta, é realidade

O primeiro indício está no tamanho dessa torcida. Segundo dados divulgados pela própria NFL, o Brasil já reúne mais de 36 milhões de fãs de futebol americano e é o segundo maior mercado internacional da liga.

Apesar do tamanho, impressiona também a velocidade do crescimento dessa torcida. Segundo dados comerciais da Globo, nos últimos dez anos, a modalidade conquistou 31 milhões de novos fãs brasileiros. Na temporada 2025/26, mais de 20,5 milhões de pessoas foram impactadas pelas transmissões ao vivo da NFL nas plataformas da emissora.

O fã brasileiro de futebol americano apresenta um comportamento especialmente interessante para quem quer transformar torcida em negócio. Segundo dados de 2025 do Sponsorlink, do IBOPE Repucom, 77% dos fãs brasileiros de NFL afirmam ser fiéis às marcas que patrocinam seus times favoritos. E 82% dizem estar dispostos a experimentar produtos ou serviços dessas marcas.

As marcas, por sua vez, já perceberam esse potencial. Em 2026, a NFL chegou a 22 patrocinadores no Brasil, o maior número desde o início de sua operação local. Dezesseis deles estarão no Rio Game com ativações e experiências para o público.

É essa grande base que a NFL quer transformar em consumo. O e-commerce cria um canal permanente para a venda de produtos licenciados, enquanto as lojas físicas aproveitam a realização do Rio Game para oferecer algo além de camisetas e acessórios.

No Shopping Leblon, por exemplo, a NFL Shop terá uma Super Bowl Gallery, com o Troféu Vince Lombardi e anéis de campeões, e até um bar temático. No Pão de Açúcar, a loja será instalada dentro de um bonde de 1972.

A lógica seguida por eles aproxima o varejo e a experiência. Não basta assistir ao jogo, a NFL quer criar mais formas de o brasileiro consumir a marca.

Para se aproximar ainda mais do seu público-alvo, a liga está apostando em parcerias com o que já é conhecido e querido por aqui. Dias antes de anunciar a operação própria de e-commerce, a liga lançou uma coleção em parceria com o Flamengo. São oito peças que misturam as identidades das duas marcas, entre camisetas, moletons e jaquetas. A união com um dos maiores clubes de futebol do País coloca a NFL em contato com quem faz questão de vestir a própria torcida.

Touchdown

Os jogos são a confirmação de como o Brasil acolheu rapidamente a liga (e como ela percebeu e decidiu investir ainda mais nesse público).

Depois de São Paulo receber as primeiras partidas da temporada regular da NFL no Brasil, agora é a vez do Rio de Janeiro entrar no calendário pela primeira vez, mas não única. A liga se comprometeu a realizar pelo menos três jogos na cidade nos próximos cinco anos, sinalizando que a estratégia por aqui vai longe.

Essa construção também começa antes de o brasileiro virar consumidor. Desde 2024, o programa NFL Flag já alcançou mais de 11 mil crianças em mais de 200 escolas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A modalidade, uma versão sem contato do futebol americano, fará sua estreia olímpica em Los Angeles, em 2028.

Ao mesmo tempo, a NFL mantém escritório em São Paulo e permite que Detroit Lions, Miami Dolphins, New England Patriots e Philadelphia Eagles desenvolvam ações comerciais no mercado brasileiro por meio do Global Markets Program.

A chegada da loja oficial acrescenta mais uma peça a essa estratégia. Até porque uma base de 36 milhões de fãs representa não apenas gente disposta a acompanhar touchdowns pela televisão, mas potenciais compradores de produtos, participantes de experiências e consumidores para as marcas que orbitam a liga.

Depois de anos formando uma audiência por aqui, a liga começa a criar uma infraestrutura para transformar interesse em negócio. Para isso, o jogo no Maracanã durará algumas horas, mas toda a estratégia que a NFL está montando para o país pode manter a liga na vida dos brasileiros nos outros 364 dias do ano.

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