A primeira casa própria está entrando mais cedo na vida do consumidor. Na MRV, a faixa entre 18 e 30 anos representou 54% dos compradores no primeiro semestre de 2026, enquanto a empresa identifica uma procura relacionada não apenas à moradia, mas à independência e às mudanças de vida.
“Observamos que a aquisição do primeiro imóvel vem sendo considerada cada vez mais cedo como parte dos planos de vida dos jovens”, afirma Thiago Ely, VP Comercial e Marketing da MRV.
A compra do imóvel também passa a aparecer entre os planos de independência financeira dos consumidores mais jovens, que associam a aquisição à saída da casa dos pais, à autonomia e à formação de patrimônio. “Para muitos, essa é a primeira grande decisão patrimonial, e por isso a jornada precisa combinar autonomia, informação e atendimento próximo”, pontua.
As condições de financiamento também entram nessa decisão. Segundo o executivo, prazos mais longos, juros que não variam conforme a Taxa Selic e maior previsibilidade das parcelas ampliam as possibilidades de acesso à moradia para esse público.
O comportamento aparece também em pesquisas sobre intenção de compra. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica divulgado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) mostrou que 67% dos brasileiros entre 21 e 28 anos tinham intenção de comprar um imóvel nos meses seguintes à pesquisa, realizada em junho de 2026. Em meados de 2025, o índice era de 57%.
Entre todos os entrevistados, a intenção de compra chegou a 52%, maior patamar da série histórica iniciada em 2019. “Para muitos jovens, comprar um apartamento representa a oportunidade de iniciar uma nova etapa de vida”, pontua Ely.
O que está por trás da decisão
A idade mais baixa do comprador não significa que a decisão tenha se tornado mais simples. Para quem compra pela primeira vez, a jornada envolve financiamento, simulações, documentação e uma decisão financeira que pode se estender por décadas.
É justamente nessa etapa que Ely identifica um dos principais desafios para as empresas: oferecer informação suficiente para que o consumidor consiga avançar com autonomia, sem transformar uma jornada complexa em uma sequência de etapas difíceis de compreender.
“Para o público jovem, que muitas vezes está vivenciando essa experiência pela primeira vez, oferecer informações claras e orientação ao longo de toda a jornada é fundamental”, afirma.
A tecnologia aparece como parte dessa resposta. A MIA, assistente virtual da MRV baseada em Inteligência Artificial generativa, realizou cerca de 2,01 milhões de atendimentos a potenciais clientes em 2025. O volume foi 133,7% superior aos aproximadamente 1,15 milhão registrados no ano anterior.
A ferramenta atua principalmente no momento de pesquisa, quando o consumidor busca informações e começa a entender suas possibilidades. Mas, segundo Ely, a autonomia digital não elimina a necessidade de atendimento humano.
“Acreditamos que a tecnologia e o atendimento humano são complementares. As ferramentas digitais oferecem agilidade e autonomia para que o consumidor pesquise, obtenha informações e avance no seu próprio ritmo. Já o atendimento humano é fundamental para aprofundar o entendimento das necessidades de cada cliente”, diz.

Do celular ao apartamento decorado
O comprador jovem chega ao mercado com hábitos digitais já incorporados. Ele pode começar a pesquisa pelo celular, fazer uma simulação e buscar respostas sem necessariamente falar com um profissional. Mas, quando a decisão envolve um compromisso financeiro de longo prazo, a necessidade de confiança permanece.
O comportamento é observado de forma mais ampla no consumo. A 11ª edição do CX Trends, realizada pela Opinion Box em parceria com a Octadesk, aponta que 85% dos consumidores brasileiros compram em sites ou lojas virtuais, enquanto 78% também compram em lojas físicas.
No mercado imobiliário, a integração entre esses canais ganha uma característica própria. O digital pode acelerar a pesquisa, mas a visita ao empreendimento e o contato com o corretor continuam fazendo parte da construção da decisão.
Para Ely, a experiência presencial permite que o consumidor avance da informação para a visualização concreta daquilo que está considerando comprar. “Embora o digital facilite e acelere o processo de compra, a visita a uma loja da MRV e ao apartamento decorado proporciona ao consumidor a oportunidade de vivenciar os espaços, visualizar como será sua rotina no imóvel e fortalecer a confiança na decisão”, afirma.
“Nosso objetivo é integrar esses diferentes pontos de contato, combinando autonomia digital, Inteligência Artificial, orientação especializada e experiência presencial para oferecer uma jornada mais completa”, diz Ely.
Quando comprar um imóvel vira parte da vida adulta
A história de Juliana Soares Correia é um reflexo da mudança de mentalidade nos últimos anos. No dia em que completou 18 anos, ela iniciou uma nova fase. Seis meses depois, comprou seu primeiro apartamento pela MRV.
Para ela, a aquisição representa justamente a independência que passou a buscar ao entrar na vida adulta. “É uma responsabilidade enorme ter um imóvel no meu nome com 18 anos. Vou amadurecer muito mais, terei a experiência de morar sozinha… isso vai mudar muita coisa. Vou conquistar algo que sempre quis: ser independente”, conta.
Para uma parcela dos consumidores mais jovens, o imóvel já não aparece necessariamente como uma conquista projetada para uma fase distante da vida adulta. Ele pode entrar no planejamento justamente no momento em que o consumidor começa a definir onde quer morar, como pretende organizar sua vida financeira e que tipo de autonomia deseja construir.
“A compra do imóvel é uma jornada longa, que envolve dúvidas financeiras, documentação e simulações. A tecnologia ajuda a tornar esse processo mais simples e ágil, mas o corretor continua essencial para orientar o cliente conforme sua realidade e seu momento de vida”, destaca.






