Para ter relevância, marcas precisarão inspirar transformação

Fonte: Bianca Alvarenga

A Inteligência Artificial está mudando o que os consumidores esperam das marcas. Mais do que oferecer produtos e serviços, as empresas passam a ser cobradas por um papel mais relevante na vida das pessoas.

Essa é uma das principais conclusões do Consumer Vision: Mothers of Reinvention, estudo da dentsu realizado com 30 mil consumidores em 25 países, incluindo o Brasil. O levantamento indica que, nos próximos anos, a vantagem competitiva das empresas estará menos ligada à conveniência e mais à capacidade de gerar conexão, significado e experiências alinhadas aos objetivos pessoais de cada consumidor.

Os números ajudam a explicar essa mudança. Oito em cada dez consumidores (81%) afirmam que gostariam que suas compras fossem mais do que uma transação e contribuíssem para seu desenvolvimento pessoal. Ao mesmo tempo, 87% dizem que as marcas mais memoráveis serão aquelas capazes de ajudá-los a evoluir, enquanto 78% afirmam ter cada vez menos paciência para mensagens genéricas.

“O que se destaca nas conclusões deste ano é que os consumidores não esperam apenas que as marcas se tornem mais inteligentes e ágeis; eles buscam marcas que possam ajudá-los a progredir pessoalmente e a perseguir suas ambições. Há um desejo crescente de se reinventarem, com as marcas fornecendo inspiração e orientação ao longo dessa jornada”, afirma Beth Ann Kaminkow, CEO Global de Business Intelligence da dentsu.

Além da pesquisa quantitativa, a dentsu entrevistou 20 especialistas e futuristas nas áreas de sociologia cultural, psicologia do consumidor e regulamentação da inteligência artificial para identificar as principais tendências que devem moldar o comportamento de consumo entre os próximos cinco e dez anos.

Da personalização ao propósito

O estudo aponta que a IA está mudando a lógica da personalização. Os consumidores esperam que a tecnologia contribua para ampliar habilidades, facilitar aprendizados e criar experiências realmente adaptadas aos seus objetivos.

Esse cenário também aumenta a pressão sobre as empresas. Segundo a pesquisa, nove em cada dez consumidores afirmam que, quanto mais personalizados forem os algoritmos, maior será a importância de as marcas demonstrarem coerência entre discurso, valores e ações.

A transformação também já influencia a visão dos executivos de marketing. Em outro levantamento da dentsu, o CMO Navigator – Media Edition, 56% dos CMOs globais disseram acreditar que, dentro de cinco anos, a maior parte da receita de suas empresas virá de produtos e serviços que ainda nem existem.

No Brasil, IA é vista como ferramenta de reinvenção

No Brasil, os resultados revelam um otimismo acima da média em relação ao potencial da inteligência artificial para impulsionar mudanças de vida e crescimento profissional.

Segundo o estudo:

  • 64% dos brasileiros têm interesse em mudar de carreira.
  • 73,25% afirmam estar tentando transformar talentos, criatividade ou paixões em sua principal fonte de renda.

A pesquisa também mostra elevada expectativa em torno da personalização proporcionada pela IA. Entre os entrevistados brasileiros:

  • 87,75% acreditam que será possível contar com agentes pessoais de IA capazes de gerar respostas alinhadas ao histórico e às preferências individuais.
  • 81% esperam que a tecnologia consiga traduzir conteúdos em tempo real preservando estilo, intenção e personalidade.

Na saúde, o otimismo também é elevado. Noventa e um por cento acreditam que tecnologias baseadas em IA serão capazes de detectar precocemente doenças e sinais de estresse emocional, enquanto 86,25% esperam que os avanços tecnológicos reduzam os impactos do envelhecimento ao longo da próxima década.

Para Marília Gallindo, diretora de Estratégia da dentsu Brasil, a pesquisa mostra que a inteligência artificial começa a reorganizar a relação entre consumidores, marcas e tomada de decisão.

“O brasileiro demonstra uma visão bastante pragmática e otimista sobre esse cenário, enxergando a IA como ferramenta de ascensão pessoal, reinvenção profissional e ampliação de possibilidades”, afirma.

Tendências para o futuro do consumo

Além dos dados sobre comportamento, o estudo identifica quatro movimentos que devem orientar as estratégias das empresas nos próximos anos.

O primeiro deles é a consolidação dos chamados sistemas simbióticos, em que agentes de inteligência artificial passam a representar consumidores em diferentes ambientes digitais, tornando-se novos interlocutores das marcas.

Outra tendência é a valorização da criatividade humana. Em um ambiente inundado por conteúdos produzidos por IA, originalidade e autenticidade tendem a ganhar ainda mais importância.

O relatório também aponta que o consumo passa a refletir projetos de vida. Em vez de comprar apenas para atender necessidades imediatas, as pessoas passam a escolher produtos e serviços de acordo com quem desejam se tornar.

Por fim, a dentsu avalia que as empresas deixarão de competir apenas pela preferência do consumidor e passarão a disputar relevância como “marcas-guia”: organizações capazes de orientar pessoas em momentos de mudança, oferecendo apoio, inspiração e experiências alinhadas às suas aspirações.

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